Anion Gap

AG e AG corrigido pela albumina

Calcula o Anion Gap (AG) com e sem potássio e, se informado, o AG corrigido pela albumina. Valores em mEq/L.

Dados

Fórmulas: AG (sem K) = Na − (Cl + HCO₃) • AG (com K) = (Na + K) − (Cl + HCO₃). Correção por albumina (g/dL): AGcorr = AG + 2,5×(4,0 − albumina). Intervalos de referência variam por laboratório.

Resultados

Anion Gap (sem K⁺)
—
AG
—
Anion Gap (com K⁺)
—
AG+K
Se K⁺ não for informado, fica indisponível.
AG corrigido pela albumina
—
corr
Informe albumina para calcular.
Leitura rápida
—
nota
Interprete com gasometria, lactato, cetonas, função renal e contexto clínico.

O que é a Calculadora de Anion Gap (AG)?

A calculadora de Anion Gap (AG) estima a diferença entre cátions e ânions medidos no plasma, ajudando a inferir a presença de ânions não mensurados. É uma ferramenta central na avaliação de distúrbios ácido-base, especialmente para diferenciar acidose metabólica com AG elevado de quadros com AG normal (hiperclorêmica).

Como a albumina é um dos principais ânions não medidos, a hipoalbuminemia pode “reduzir” o AG observado. Por isso, quando disponível, a calculadora também fornece o AG corrigido pela albumina.


Como a fórmula funciona?

O cálculo inclui: (1) AG padrão sem potássio, (2) AG com potássio (opcional) e (3) correção do AG pela albumina (opcional), com referência usual de 4,0 g/dL.

1) Anion Gap (sem K⁺)

Forma mais usada na prática clínica e em muitos laudos/livros-texto.

\[ AG = Na^+ - (Cl^- + HCO_3^-) \quad (\text{mEq/L}) \]

2) Anion Gap (com K⁺) — opcional

Alguns protocolos incluem o potássio. O valor muda pouco na maioria dos cenários, mas pode ser útil quando o K⁺ está disponível e o serviço utiliza essa convenção.

\[ AG_{+K} = (Na^+ + K^+) - (Cl^- + HCO_3^-) \quad (\text{mEq/L}) \]

Importante: compare sempre com o intervalo de referência correspondente (com ou sem K⁺).

3) AG corrigido pela albumina

Como a albumina é um ânion relevante, o AG “esperado” cai em hipoalbuminemia. A correção abaixo ajusta o AG (sem K⁺) para uma albumina de referência de 4,0 g/dL.

\[ AG_{corr} = AG + 2{,}5 \cdot (4{,}0 - \text{Alb}) \]

Unidades: Alb em g/dL. Se Alb estiver em g/L, converta para g/dL (\(\text{g/dL}=\text{g/L}/10\)).


Interpretação dos resultados

Como interpretar o AG e o AG corrigido

O AG deve ser interpretado junto com gasometria (pH/PaCO\(_2\)), bicarbonato/CO\(_2\) total, lactato, cetonas, função renal e história clínica. Além disso, lembre que intervalos de referência variam entre laboratórios e metodologias (principalmente para cloreto e bicarbonato).

Leitura rápida (AG sem K⁺)

pista clínica
No usual*compatível com AG normal (depende do lab)
Leve aumentaavaliar tendência, albumina e contexto
aumenta importantesugere ânions não medidos (lactato/cetonas etc.)

*Muitos serviços usam referências aproximadas para AG sem K⁺ (ex.: ~8–12 mEq/L), mas isso é altamente dependente do laboratório.

Por que corrigir pela albumina?

hipoalbuminemia
  • Albumina baixa pode “mascarar” um AG elevado.
  • AGcorr ajuda a estimar o AG como se Alb fosse 4,0 g/dL.
  • Se Alb estiver normal/alta, AGcorr tende a ficar próximo do AG.

A correção é uma aproximação. Em cenários complexos (ex.: acidose mista), use abordagem completa de distúrbios ácido-base.

Dicas práticas

  • AG elevado + bicarbonato baixo sugere acidose metabólica com ânions não medidos (ex.: lactato/cetonas, uremia).
  • AG normal com bicarbonato baixo sugere acidose hiperclorêmica (perda de HCO\(_3^-\) ou ganho de Cl\(^-\)).
  • Albumina baixa: prefira olhar também o AG corrigido.

Limitações importantes

  • Variação laboratorial: intervalos de referência e metodologias mudam o “normal” do AG.
  • Albumina: AGcorr é uma aproximação; outras proteínas/ânions também influenciam.
  • CO₂ total vs HCO₃⁻: em alguns contextos, a diferença entre medidas pode impactar o AG.
  • Distúrbios mistos: o AG sozinho não “fecha” diagnóstico; integre com gasometria e história.
  • Unidades/erros de digitação: pequenas trocas de números mudam muito o AG.

Para tomada de decisão clínica, utilize o AG como suporte e sempre integre com exame físico, gasometria, lactato/cetonas e função renal.


Referências científicas

  • Figge J, Jabor A, Kazda A, Fencl V. Anion gap and hypoalbuminemia. Crit Care Med. 1998.
  • Winter SD, Pearson JR, Gabow PA, Schultz AL, Lepoff RB. The fall of the serum anion gap. Arch Intern Med. 1990.
  • Kraut JA, Madias NE. Serum anion gap: its uses and limitations in clinical medicine. Clin J Am Soc Nephrol. 2007.
  • Oh MS, Carroll HJ. The anion gap. N Engl J Med. 1977.