TFG estimada – MDRD (4 variáveis)

mL/min/1,73 m²

Estima a taxa de filtração glomerular (TFG/eGFR) pela equação MDRD (4 variáveis). Informe creatinina, idade e sexo. (Ajuste por raça pode ser incluído em versões antigas; aqui fica opcional.)

Dados

Fórmula (MDRD 4v, IDMS): eGFR = 175 × (SCr)^−1,154 × (idade)^−0,203 × (0,742 se mulher) × (1,212 se “negro”). Resultado em mL/min/1,73 m².

Resultados

TFG estimada (eGFR)
—
mL/min/1,73
—
Faixa (G)
—
KDIGO
Classificação apenas pela TFG (não inclui albuminúria).
Observação
—
info
MDRD é menos preciso em TFG altas; CKD-EPI costuma ser preferido quando disponível.

O que é a Calculadora MDRD (4 variáveis)?

A calculadora MDRD (4 variáveis) estima a taxa de filtração glomerular (TFG/eGFR) em mL/min/1,73 m² usando creatinina sérica, idade e sexo (e, em versões históricas, um fator de “raça”). É um método clássico para avaliação de função renal e suporte ao estadiamento de doença renal crônica quando a TFG é interpretada em conjunto com albuminúria e contexto clínico.

Em geral, a MDRD tende a ser menos precisa em TFG mais altas. Quando disponível, a equação CKD-EPI costuma ser preferida para estimativas em ampla faixa de TFG.


Como a fórmula funciona?

O cálculo envolve: (1) padronização da unidade da creatinina, (2) aplicação da equação MDRD (IDMS) e (3) interpretação do resultado em faixas KDIGO (G), lembrando que a classificação completa inclui albuminúria (A).

1) Conversão de creatinina (quando necessário)

Se a creatinina for informada em µmol/L, converte-se para mg/dL antes de aplicar a equação.

\[ \text{SCr (mg/dL)} = \frac{\text{SCr (\(\mu\)mol/L)}}{88{,}4} \]

2) Equação MDRD (4 variáveis) — versão calibrada (IDMS)

A equação MDRD 4v (IDMS) estima eGFR em mL/min/1,73 m² a partir de creatinina sérica e idade, com fator multiplicativo para sexo. Algumas versões antigas incluem fator adicional para “negro”.

\[ \text{eGFR}= 175\cdot (\text{SCr})^{-1{,}154}\cdot (\text{idade})^{-0{,}203} \cdot (0{,}742\ \text{se mulher}) \cdot (1{,}212\ \text{se fator “negro”}) \]

Unidades: SCr em mg/dL; idade em anos. O resultado é indexado para 1,73 m².

3) Classificação por faixa KDIGO (G)

A faixa G1–G5 é definida apenas pela TFG. A estratificação completa de risco em DRC depende da combinação G (TFG) + A (albuminúria).

\[ \begin{aligned} &G1:\ \ge 90 \\ &G2:\ 60\text{–}89 \\ &G3a:\ 45\text{–}59 \\ &G3b:\ 30\text{–}44 \\ &G4:\ 15\text{–}29 \\ &G5:\ < 15 \end{aligned} \]

Observação: G1–G2 não definem DRC isoladamente sem evidência de lesão renal (ex.: albuminúria persistente, alterações estruturais).


Interpretação dos resultados

eGFR (mL/min/1,73 m²) na prática clínica

Use a eGFR para acompanhamento e estratificação de função renal, valorizando tendência ao longo do tempo, variabilidade do método laboratorial e contexto (estado volêmico, inflamação, massa muscular e dieta). A decisão clínica deve integrar albuminúria, comorbidades e risco cardiovascular.

Faixas KDIGO (G)

Somente TFG
G1–G2≥ 60 (normal/leve redução)
G3a–G3b30–59 (redução moderada)
G4–G5< 30 (redução grave)

A categoria G isolada não substitui a classificação completa KDIGO (G+A) e não define etiologia.

Pontos de atenção

Interpretação
  • TFG alta: MDRD tende a ser menos precisa em valores próximos do normal.
  • Baixa massa muscular: creatinina baixa pode superestimar a eGFR.
  • Instabilidade (IRA): em mudanças rápidas, equações com SCr podem falhar.
  • Fator “raça”: uso é controverso; muitas diretrizes desestimulam rotineiramente.

Para decisões clínicas, considere CKD-EPI quando disponível e sempre associe albuminúria e avaliação etiológica.

MDRD vs CKD-EPI

  • MDRD: mais antiga, útil historicamente e em alguns cenários, porém menos precisa em TFG mais altas.
  • CKD-EPI: frequentemente preferida por melhor desempenho em ampla faixa de TFG.

Se houver discordância clínica (ex.: creatinina influenciada por massa muscular), considere avaliação complementar e repetição seriada.


Limitações importantes

  • Precisão em TFG alta: MDRD pode subestimar/superestimar eGFR próxima do normal.
  • Extremos de composição corporal: sarcopenia, obesidade severa ou atletas podem alterar relação SCr–TFG.
  • Dieta/suplementos: ingestão de creatina/carne pode influenciar creatinina sérica.
  • IRA/instabilidade: equações são menos confiáveis quando a creatinina não está em estado estável.
  • Fator “raça”: aplicação pode não ser apropriada; preferir abordagens sem raça conforme políticas locais.

Em caso de dúvida clínica, complemente com albuminúria, exame de urina, imagem, avaliação longitudinal e, quando indicado, métodos confirmatórios.


Referências científicas

  • Levey AS, Bosch JP, Lewis JB, Greene T, Rogers N, Roth D. A more accurate method to estimate glomerular filtration rate from serum creatinine. Ann Intern Med. 1999.
  • Levey AS, Coresh J, Greene T, et al. Expressing the MDRD Study equation for estimating GFR with standardized serum creatinine. Clin Chem. 2007.
  • KDIGO. Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney Disease. Kidney Int Suppl. 2013.