Critérios ECG de HVE – Calculadora

Critérios Eletrocardiográficos de HVE

Preencha um critério por vez. Ao final, a calculadora mostra quais foram positivos/negativos, o escore de Romhilt–Estes e a sensibilidade/especificidade de cada critério global.

Esta ferramenta destina-se a fins educacionais e não substitui o julgamento clínico profissional.

A calculadora integra os principais critérios eletrocardiográficos de sobrecarga ventricular esquerda (SVE), incluindo o Escore de Romhilt–Estes, Sokolow–Lyon, Cornell Voltage, Cornell Product e Peguero–Lo Presti. Esses métodos estimam alterações de voltagem e repolarização compatíveis com sobrecarga elétrica do ventrículo esquerdo, sendo úteis em avaliações clínicas, cardiológicas e no contexto da medicina do exercício.
Importante: o ECG detecta sobrecarga elétrica, não hipertrofia ventricular esquerda (HVE). A HVE só pode ser confirmada por ecocardiograma ou ressonância magnética cardíaca.

 

1. Escore de Romhilt–Estes (SVE no ECG)

Sistema baseado na soma de achados eletrocardiográficos que refletem aumento de massa ou tensão elétrica ventricular, caracterizando sobrecarga.

Pontuação:

CritérioPontos
Alta voltagem de QRS3
Alterações de ST-T (strain) sem digital3
Sobrecarga atrial esquerda3
Desvio de eixo para a esquerda2
QRS alargado1
Atraso de ativação do VE1
Alterações ST-T com digital1

Interpretação fisiológica:

  • ≥ 5 pontos: SVE definida no ECG

  • 4 pontos: SVE provável

  • ≤ 3 pontos: critérios insuficientes

 

2. Sokolow–Lyon

Critério clássico baseado em voltagens no plano horizontal.

Fórmula:

  • S(V1) + R(V5 ou V6) ≥ 35 mm

  • ou R(aVL) ≥ 11 mm

Indica sobrecarga elétrica, não HVE estrutural.

 

3. Cornell Voltage

Ajustado por sexo biológico.
Fórmula: R(aVL) + S(V3)

  • Homens: > 28 mm

  • Mulheres: > 20 mm

 

4. Cornell Product

Integra voltagem e duração do QRS para melhorar a sensibilidade.
Fórmula:
Cornell Voltage × duração do QRS > 2440 mm·ms

 

5. Peguero–Lo Presti

Critério com maior sensibilidade para sobrecarga elétrica do VE.
Fórmula:
S mais profunda + S(V4) ≥

  • 28 mm (homens)

  • 23 mm (mulheres)

 

Interpretação dos resultados 

Nenhuma pontuação confirma hipertrofia ventricular esquerda estrutural.
O ECG detecta apenas sobrecarga elétrica, que pode ocorrer por:

  • hipertensão

  • valvopatias

  • cardiomiopatias

  • adaptações fisiológicas do atleta

  • alterações de parede torácica

 

Critérios de voltagem (Sokolow, Cornell, Peguero)

Representam aumento de amplitude elétrica, mas têm sensibilidade limitada e dependem de:

  • biotipo

  • idade

  • treinamento atlético

  • impedância torácica

  • posição cardíaca

 

Contexto clínico

Os achados eletrocardiográficos devem ser correlacionados com métodos estruturais:

  • Ecocardiograma (método padrão para HVE)

  • Ressonância magnética cardíaca (padrão-ouro para massa ventricular)

 

Referências científicas 

  • Romhilt DW, Estes EH. A point‐score system for the ECG diagnosis of left ventricular strain/overload. Am Heart J, 1968.

  • Sokolow M, Lyon TP. The ventricular complex in left ventricular overload. Am Heart J, 1949.

  • Casale PN et al. Electrocardiographic detection of left ventricular electrical overload (Cornell criteria). Hypertension, 1987.

  • Molloy TJ et al. Enhanced diagnosis of left ventricular strain via the Cornell voltage-duration product. Circulation, 1992.

  • Peguero JG et al. A new ECG criterion for left ventricular electrical overload: the Peguero–Lo Presti criteria. JACC, 2017.

 

Autor:

Foto de Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

CRM-SP 254738

Sou médico residente em Medicina do Esporte e do Exercício pela Universidade de São Paulo (USP), com atuação voltada para avaliação cardiovascular do atleta, fisiologia do exercício e medicina baseada em evidência aplicada ao esporte.

Atuo profissionalmente com métodos gráficos de avaliação cardiovascular, realizando teste ergométrico, eletrocardiograma e monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) em serviços de diagnóstico como Grupo A+ e dr.consulta, além de atendimento em consultório privado.

Também sou médico da Seleção Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas, acompanhando atletas paralímpicos em treinamentos e competições.

Sou fundador da MedEsporte Papers, uma plataforma educacional dedicada à produção e divulgação de conteúdo científico em medicina do esporte, com foco na tradução da literatura científica para a prática clínica.

Meu trabalho é voltado para análise crítica da literatura científica, educação médica e aplicação prática da ciência do exercício na medicina.