Calculadora de Diagnóstico de TSV | Algoritmo de Taquicardias

Diagnóstico de Taquicardias Supraventriculares

Esta ferramenta destina-se a fins educacionais e não substitui o julgamento clínico profissional.

Como realizar o diagnóstico diferencial das Taquicardias Supraventriculares (TSV)

O diagnóstico diferencial das taquicardias com QRS estreito (menor que 120ms) é um desafio comum na prática de emergência e cardiologia. A análise sistemática do eletrocardiograma (ECG) permite identificar o mecanismo da arritmia e orientar a conduta terapêutica imediata.

Pilares da Análise Eletrocardiográfica

Para utilizar a calculadora de forma eficaz, observe os seguintes critérios no traçado:

  1. Regularidade do Intervalo RR: * Ritmos Regulares: Sugerem Taquicardia por Reentrada Nodal (TRN), Taquicardia por Reentrada Atrioventricular (TRAV) ou Taquicardia Atrial (TA).

    • Ritmos Irregulares: Frequentemente indicam Fibrilação Atrial (FA), Flutter Atrial com condução variável ou Taquicardia Atrial Multifocal.

  2. Identificação da Onda P: A localização da onda P em relação ao complexo QRS é o ponto chave. Quando a onda P não é visível, a principal hipótese é a TRN típica, onde a ativação atrial e ventricular ocorre simultaneamente.

  3. O Intervalo RP:

    • RP Curto (< 70ms): Tipicamente associado à TRN.

    • RP Curto (> 70ms): Sugere TRAV (via acessória).

    • RP Longo (RP > PR): Comum em Taquicardias Atriais ou formas atípicas de reentrada.

Principais Mecanismos Diagnosticados

  • TRN (Reentrada Nodal): A forma mais comum de TSV paroxística, envolvendo duas vias dentro do nó AV.

  • TRAV (Reentrada Atrioventricular): Envolve uma via acessória (como na síndrome de Wolff-Parkinson-White).

  • Taquicardia Atrial: O foco arrítmico nasce no tecido atrial, independentemente do nó AV.

  • Flutter Atrial: Caracterizado pelas clássicas “ondas F” em serrilha, geralmente com frequência atrial em torno de 300 bpm.

Nota Clínica: Sempre avalie a estabilidade hemodinâmica do paciente antes de prosseguir com a análise diagnóstica detalhada. Pacientes instáveis devem ser submetidos à cardioversão elétrica imediata conforme as diretrizes do ACLS.

Instruções de Uso da Ferramenta

Escolha entre os dois algoritmos disponíveis na calculadora acima:

  • Modo Simplificado: Ideal para uma triagem rápida focada em morfologia de QRS estreito e visibilidade da onda P.

  • Modo Completo: Uma análise profunda baseada na relação atrioventricular e ritmo de ciclo, seguindo as árvores de decisão mais complexas da eletrofisiologia.

Autor:

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Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

CRM-SP 254738

Sou médico residente em Medicina do Esporte e do Exercício pela Universidade de São Paulo (USP), com atuação voltada para avaliação cardiovascular do atleta, fisiologia do exercício e medicina baseada em evidência aplicada ao esporte.

Atuo profissionalmente com métodos gráficos de avaliação cardiovascular, realizando teste ergométrico, eletrocardiograma e monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) em serviços de diagnóstico como Grupo A+ e dr.consulta, além de atendimento em consultório privado.

Também sou médico da Seleção Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas, acompanhando atletas paralímpicos em treinamentos e competições.

Sou fundador da MedEsporte Papers, uma plataforma educacional dedicada à produção e divulgação de conteúdo científico em medicina do esporte, com foco na tradução da literatura científica para a prática clínica.

Meu trabalho é voltado para análise crítica da literatura científica, educação médica e aplicação prática da ciência do exercício na medicina.