Calculadora CKD-EPI 2009 e 2021 — TFG Estimada (eGFR) em mL/min/1,73 m²

TFG estimada – CKD-EPI (2009) e CKD-EPI 2021

mL/min/1,73 m²

Calcula a eGFR por CKD-EPI 2009 (com opção de fator raça) e por CKD-EPI 2021 (sem raça). Informe creatinina, idade e sexo. Resultados em mL/min/1,73 m².

Dados

CKD-EPI 2009 (SCr): 141 × min(SCr/κ,1)^α × max(SCr/κ,1)^−1,209 × 0,993^idade × (1,018 se mulher) × (1,159 se negro). CKD-EPI 2021 (SCr, sem raça): 142 × min(SCr/κ,1)^α × max(SCr/κ,1)^−1,200 × 0,9938^idade × (1,012 se mulher). (κ e α dependem do sexo.)

Resultados

CKD-EPI 2009 (eGFR)
2009
CKD-EPI 2021 (eGFR)
2021
Faixa (G) – KDIGO
G1–G5
Classificação apenas pela TFG (não inclui albuminúria).
Detalhes do cálculo
inputs
Esta ferramenta destina-se a fins educacionais e não substitui o julgamento clínico profissional.

O que é a Calculadora CKD-EPI 2009 e CKD-EPI 2021?

A calculadora CKD-EPI estima a taxa de filtração glomerular (TFG/eGFR) a partir da creatinina sérica, idade e sexo, com resultado em mL/min/1,73 m². Nesta página, a ferramenta compara duas versões amplamente usadas: CKD-EPI 2009 (com opção histórica de fator “raça”) e CKD-EPI 2021 (sem raça).

Na prática, eGFR é mais útil quando interpretada em série temporal e em conjunto com albuminúria, comorbidades e suspeita etiológica. Em situações de creatinina não estável (ex.: IRA), equações podem ficar imprecisas.


Como a fórmula funciona?

O cálculo segue: (1) conversão da creatinina para mg/dL (se necessário), (2) aplicação das fórmulas CKD-EPI 2009 e/ou 2021, e (3) classificação do resultado por faixa KDIGO (G1–G5) — lembrando que a classificação completa inclui albuminúria (A).

1) Conversão de creatinina (µmol/L → mg/dL)

Se a creatinina for informada em µmol/L, converte-se para mg/dL antes de aplicar CKD-EPI.

\[ \text{SCr (mg/dL)} = \frac{\text{SCr (\(\mu\)mol/L)}}{88{,}4} \]

2) Estrutura matemática (min/max) e constantes

As equações CKD-EPI utilizam a forma com min e max para lidar com valores de creatinina abaixo ou acima de um ponto de corte \(\kappa\), com expoente \(\alpha\) dependente do sexo.

\[ \min\left(\frac{\text{SCr}}{\kappa}, 1\right)^{\alpha} \cdot \max\left(\frac{\text{SCr}}{\kappa}, 1\right)^{\beta} \]
\[ \begin{array}{c|c|c} \text{Sexo} & \kappa\ (\text{mg/dL}) & \alpha\ (\text{expoente do min}) \\ \hline \text{Mulher (2009)} & 0{,}7 & -0{,}329 \\ \text{Homem (2009)} & 0{,}9 & -0{,}411 \\ \hline \text{Mulher (2021)} & 0{,}7 & -0{,}241 \\ \text{Homem (2021)} & 0{,}9 & -0{,}302 \\ \end{array} \]

Na versão 2009, o expoente do max é \(-1{,}209\); na versão 2021, \(-1{,}200\). Ambas incluem um termo de idade.

3) Equação CKD-EPI 2009 (creatinina)

A CKD-EPI 2009 estima eGFR e permite, em versões históricas, um fator multiplicativo para “negro”. Nesta calculadora, o fator fica opcional para comparação.

\[ \text{eGFR}_{2009} = 141 \cdot \min\left(\frac{\text{SCr}}{\kappa}, 1\right)^{\alpha} \cdot \max\left(\frac{\text{SCr}}{\kappa}, 1\right)^{-1{,}209} \cdot 0{,}993^{\text{idade}} \cdot (1{,}018\ \text{se mulher}) \cdot (1{,}159\ \text{se fator “negro”}) \]

Resultado em mL/min/1,73 m². O uso do fator “raça” é tema de revisão em muitos serviços; por isso, a versão 2021 remove esse termo.

4) Equação CKD-EPI 2021 (creatinina, sem raça)

A CKD-EPI 2021 foi proposta para estimar eGFR sem incluir raça. Mantém a estrutura min/max e ajustes por idade e sexo.

\[ \text{eGFR}_{2021} = 142 \cdot \min\left(\frac{\text{SCr}}{\kappa}, 1\right)^{\alpha} \cdot \max\left(\frac{\text{SCr}}{\kappa}, 1\right)^{-1{,}200} \cdot 0{,}9938^{\text{idade}} \cdot (1{,}012\ \text{se mulher}) \]

Em alguns pacientes, a eGFR 2021 pode diferir da 2009. Por isso, comparar as duas pode ajudar a entender mudanças de laudos e protocolos do serviço.


Interpretação dos resultados

Faixa KDIGO (G1–G5) pela TFG

A categoria G é definida pela eGFR. A estratificação completa em DRC combina G (TFG) com A (albuminúria). Em G1–G2, é preciso evidência de lesão renal para diagnóstico de DRC.

Faixas KDIGO por eGFR

\[ \begin{aligned} &G1:\ \ge 90 \\ &G2:\ 60\text{–}89 \\ &G3a:\ 45\text{–}59 \\ &G3b:\ 30\text{–}44 \\ &G4:\ 15\text{–}29 \\ &G5:\ < 15 \end{aligned} \]

A interpretação deve considerar persistência (≥ 3 meses) quando o objetivo é diagnóstico/estadiamento de DRC.

Leitura prática

eGFR (mL/min/1,73)
≥ 60G1–G2 (sem DRC se não houver lesão)
30–59G3a–G3b (redução moderada)
< 30G4–G5 (redução grave)

Em idosos, eGFR pode cair com a idade. Ainda assim, risco clínico depende de albuminúria, comorbidades e trajetória da função renal.

Quando desconfiar

Limitações clínicas
  • IRA / creatinina não estável: equações perdem acurácia.
  • Extremos de massa muscular: sarcopenia ou hipertrofia podem distorcer SCr.
  • Dieta/suplementos: carne/creatina podem elevar SCr sem queda proporcional de TFG.
  • Gestação: alterações fisiológicas mudam a relação SCr–TFG.

Quando houver discrepância clínico-laboratorial, considere avaliação complementar (albuminúria, cistatina C quando disponível, tendência seriada e contexto).

CKD-EPI 2009 vs 2021 — por que comparar?

  • 2009: versão amplamente usada historicamente; pode incluir fator “raça” em alguns sistemas.
  • 2021: proposta para estimar eGFR sem raça, com mudanças discretas de constantes/expoentes.
  • Impacto: o valor pode mudar e alterar “faixa G” em casos limítrofes — daí a utilidade de ver ambos.

Limitações importantes

  • Dependência da creatinina: SCr reflete produção muscular e pode não representar TFG real em extremos de composição corporal.
  • IRA/instabilidade: em variações rápidas, eGFR calculada tende a atrasar a função real.
  • Interferências laboratoriais: método de dosagem e padronização (IDMS) influenciam resultados.
  • Indexação: eGFR é reportada em mL/min/1,73 m² e não deve ser confundida com CrCl não indexado (ex.: Cockcroft–Gault).
  • Fator “raça” (2009): aplicação pode não ser apropriada; muitas instituições migraram para abordagens sem raça.

Para decisões clínicas e estratificação de risco em DRC, integre eGFR com albuminúria (ACR), exame de urina, imagem e avaliação etiológica.


Referências científicas

  • Levey AS, Stevens LA, Schmid CH, et al. A new equation to estimate glomerular filtration rate. Ann Intern Med. 2009.
  • Inker LA, Eneanya ND, Coresh J, et al. New creatinine- and cystatin C–based equations to estimate GFR without race. N Engl J Med. 2021.
  • KDIGO. Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney Disease. Kidney Int Suppl. 2013.

Autor:

Foto de Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

CRM-SP 254738

Sou médico residente em Medicina do Esporte e do Exercício pela Universidade de São Paulo (USP), com atuação voltada para avaliação cardiovascular do atleta, fisiologia do exercício e medicina baseada em evidência aplicada ao esporte.

Atuo profissionalmente com métodos gráficos de avaliação cardiovascular, realizando teste ergométrico, eletrocardiograma e monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) em serviços de diagnóstico como Grupo A+ e dr.consulta, além de atendimento em consultório privado.

Também sou médico da Seleção Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas, acompanhando atletas paralímpicos em treinamentos e competições.

Sou fundador da MedEsporte Papers, uma plataforma educacional dedicada à produção e divulgação de conteúdo científico em medicina do esporte, com foco na tradução da literatura científica para a prática clínica.

Meu trabalho é voltado para análise crítica da literatura científica, educação médica e aplicação prática da ciência do exercício na medicina.