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Guideline

Diretrizes da OMS sobre Atividade Física e Comportamento Sedentário

Sobre este resumo

Resumo das diretrizes da OMS de 2020 sobre atividade física e comportamento sedentário, com recomendações por faixa etária e subpopulações (gestantes, condições crônicas, deficiência), métodos GRADE, precauções de segurança e lacunas de evidência.

Introdução

A atividade física regular é um fator protetor central na prevenção e no manejo das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como doença cardiovascular, diabetes tipo 2 e vários cânceres. Ela também beneficia a saúde mental — incluindo a prevenção do declínio cognitivo e dos sintomas de depressão e ansiedade — e contribui para a manutenção de peso saudável e do bem-estar geral.

Apesar desses benefícios, estimativas globais indicam que 27,5% dos adultos e 81% dos adolescentes não cumpriam as recomendações da OMS de 2010 para atividade física, com quase nenhuma melhora observada na última década; há ainda desigualdades importantes, com meninas e mulheres menos ativas que meninos e homens na maioria dos países e diferenças significativas entre grupos econômicos e entre países e regiões.

As WHO Guidelines on Physical Activity and Sedentary Behaviour reúnem recomendações de saúde pública baseadas em evidência para crianças, adolescentes, adultos e idosos sobre a quantidade de atividade física (frequência, intensidade e duração) necessária para oferecer benefícios significativos à saúde e mitigar riscos. Pela primeira vez, a OMS apresenta recomendações sobre a associação entre comportamento sedentário e desfechos de saúde, bem como para subpopulações como gestantes, puérperas e pessoas que vivem com condições crônicas ou deficiência.

As recomendações finais de saúde pública valem para todas as populações e faixas etárias, dos 5 anos aos 65 anos ou mais, independentemente de gênero, origem cultural ou condição socioeconômica, e são relevantes para pessoas de todas as capacidades; quem tem condições médicas crônicas, deficiência ou está grávida/no puerpério deve tentar cumprir as recomendações na medida do possível e conforme sua capacidade. Ressalva de escopo: as diretrizes se destinam à população geral e não tratam dos benefícios e danos de atletas que treinam os tipos e volumes de atividade necessários para melhorar aptidão voltada à competição. O público-alvo são formuladores de políticas de países de alta, média e baixa renda (ministérios da saúde, educação, juventude, esporte e assistência social), além de gestores de planos, ONGs, setor privado, pesquisadores e profissionais de saúde. As diretrizes apoiam a implementação do Plano de Ação Global para Atividade Física 2018–2030 (GAPPA), que fixou a meta de reduzir a inatividade física em 15% até 2030 e delineou 20 ações e intervenções de política recomendadas, bem como do pacote técnico "ACTIVE".

Termos operacionais usados ao longo do documento: comportamento sedentário é qualquer comportamento em vigília com gasto energético de 1,5 MET ou menos enquanto sentado, reclinado ou deitado; intensidade leve fica entre 1,5 e 3 METs, intensidade moderada entre 3 e menos de 6 vezes a intensidade de repouso (usualmente 5–6 numa escala de 0–10) e intensidade vigorosa em 6,0 METs ou mais (usualmente 7–8 na mesma escala); "grandes grupos musculares" são pernas, costas, abdômen, peito, ombros e braços.

As diretrizes de 2020 substituem as de 2010; crianças menores de 5 anos têm diretrizes próprias publicadas em 2019 cobrindo atividade física, comportamento sedentário e sono.

Métodos

As diretrizes foram elaboradas de acordo com o WHO Handbook for guideline development (2ª edição). Um Grupo Diretor da OMS (WHO Steering Group), liderado pelo Departamento de Promoção da Saúde, foi estabelecido com representação dos escritórios regionais e departamentos da OMS. Um Grupo de Desenvolvimento de Diretrizes (Guideline Development Group, GDG) foi formado por 27 especialistas e partes interessadas, considerando equilíbrio de gênero e diversidade geográfica. O GDG reuniu-se em julho de 2019 para formular as perguntas-chave, revisar as bases de evidência e acordar os métodos, e reuniu-se novamente em fevereiro de 2020 para revisar a evidência dos desfechos críticos e importantes, considerar benefícios e danos, valores e preferências, viabilidade e aceitabilidade e implicações para equidade e recursos; as recomendações foram desenvolvidas por consenso e publicadas online para consulta pública. A minuta foi revisada externamente por sete revisores independentes, e uma consulta pública online recebeu contribuições de mais de 400 participantes, usadas pelo GDG para finalizar o documento.

As perguntas de interesse foram estruturadas em formato PI/ECO (População, Intervenção/Exposição, Comparação, Desfecho): para atividade física, a associação com desfechos de saúde, a existência de relação dose-resposta (volume, duração, frequência, intensidade) e a variação por tipo ou domínio; para comportamento sedentário, as mesmas perguntas e, apenas em adultos, se a atividade física modifica o efeito do comportamento sedentário sobre a mortalidade.

A revisão das recomendações da OMS de 2010 foi conduzida identificando e atualizando as revisões guarda-chuva (umbrella reviews) mais recentes e relevantes, selecionadas por três critérios: processos sistemáticos bem documentados, avaliação da certeza da evidência pelo método GRADE (Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation) ou equivalente, e cobertura das populações de interesse sem restrição por país ou nível de renda. Entre as fontes usadas: a revisão de Poitras et al. (2016) sobre atividade física e indicadores de saúde em crianças e jovens em idade escolar, com 162 estudos e 204 171 participantes de 31 países, restrita a medidas objetivas de atividade física; a revisão de Carson et al. (2016) sobre comportamento sedentário em escolares, com 235 estudos (194 amostras únicas) representando 1 657 064 participantes de 71 países; as 12 revisões sistemáticas da diretriz canadense de 2019 para atividade física na gravidez, que avaliaram mais de 25 000 estudos em inglês, espanhol e francês; e o relatório científico do Physical Activity Guidelines Advisory Group (PAGAC), atualização sistemática da evidência de 2008–2016 que embasou a 2ª edição das diretrizes americanas de 2018, com 38 perguntas principais, 104 subperguntas e 1130 artigos. Revisões adicionais foram encomendadas quando necessário, inclusive uma umbrella review sobre atividade física e desfechos em pessoas vivendo com HIV, com evidência publicada até outubro de 2019, sem limite de data inicial, nas bases PubMed, CINAHL e Web of Science.

A certeza da evidência de cada questão PI/ECO foi graduada pelo método GRADE, considerando desenho de estudo, risco de viés, consistência do efeito, indireção, precisão e outras limitações, incluindo viés de publicação e fatores para upgrade da evidência observacional (magnitude do efeito, dose-resposta e efeito de confundidores); evidência observacional de estudos longitudinais bem conduzidos também foi elevada. Foram priorizadas evidências de estudos observacionais longitudinais e ensaios de intervenção, e revisões que sintetizavam apenas ou principalmente evidência transversal não foram consideradas; deu-se maior ênfase a revisões graduadas com certeza moderada ou superior e a estudos com medidas de exposição por dispositivo.

Resultados

Crianças e adolescentes (5–17 anos). Nessa faixa etária, a atividade física melhora a aptidão física (cardiorrespiratória e muscular), a saúde cardiometabólica (pressão arterial, dislipidemia, glicose e resistência à insulina), a saúde óssea, os desfechos cognitivos (desempenho acadêmico, função executiva) e a saúde mental (menos sintomas de depressão), além de reduzir a adiposidade. Recomenda-se que crianças e adolescentes façam, em média, pelo menos 60 minutos por dia de atividade física de intensidade moderada a vigorosa, predominantemente aeróbica, ao longo da semana (recomendação forte, certeza moderada da evidência). Atividades aeróbicas de intensidade vigorosa, bem como as que fortalecem músculos e ossos, devem ser incorporadas pelo menos 3 dias por semana (recomendação forte, certeza moderada). Quanto ao comportamento sedentário, maiores quantidades se associam a piores desfechos: aumento da adiposidade, pior saúde cardiometabólica e aptidão, pior conduta comportamental/comportamento pró-social e menor duração do sono; recomenda-se limitar o tempo sedentário, em particular o tempo recreativo de tela (recomendação forte, certeza baixa).

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