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Atividade Física e Exercício Durante Gravidez e Pós-parto

Sobre este resumo

Este texto é um resumo do parecer Physical Activity and Exercise During Pregnancy and the Postpartum Period (ACOG Committee Opinion No. 804), publicado pelo American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) em 2020, no periódico Obstetrics & Gynecology.

Introdução

O documento é o ACOG Committee Opinion No. 804, que substitui o Committee Opinion No. 650, de dezembro de 2015, e foi desenvolvido pelo Committee on Obstetric Practice com a assistência dos membros Meredith L. Birsner e Cynthia Gyamfi-Bannerman. Foi publicado no Obstetrics & Gynecology, volume 135, número 4, de abril de 2020 (páginas e178–e188), com publicação online em 26 de março de 2020.

A atividade física é definida no documento como qualquer movimento corporal produzido pela contração da musculatura esquelética, e o exercício como a atividade física planejada, estruturada e repetitiva destinada a melhorar um ou mais componentes da aptidão física. A inatividade física é o quarto principal fator de risco para mortalidade precoce no mundo, e a atividade física regular mantém e melhora a aptidão cardiorrespiratória, reduz o risco de obesidade e comorbidades associadas e resulta em maior longevidade.

A Organização Mundial da Saúde e o American College of Sports Medicine emitiram recomendações baseadas em evidência indicando que os efeitos benéficos do exercício na maioria dos adultos são indiscutíveis e que os benefícios superam de longe os riscos. A atualização de 2018 do Physical Activity Guidelines for Americans, do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, reforça a recomendação de pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica de intensidade moderada por semana durante a gestação e o puerpério, distribuídos ao longo da semana. Mulheres que já praticavam atividade aeróbica vigorosa ou eram fisicamente ativas antes da gravidez podem continuar essas atividades durante a gestação e o puerpério, sob acompanhamento de obstetra ou outro profissional de saúde obstétrico.

Segundo o parecer, a maioria das gestantes pode se exercitar: há poucas condições médicas maternas nas quais o exercício aeróbico é absolutamente contraindicado. Quando houver dúvidas sobre a segurança do exercício aeróbico na gestação, é aconselhada consulta com especialistas e subespecialistas pertinentes (por exemplo, obstetrícia e ginecologia, medicina materno-fetal, cardiologia, pneumologia), quando indicado; em mulheres com comorbidades obstétricas ou médicas, os regimes de exercício devem ser individualizados.

Métodos

Trata-se de um parecer de comitê (Committee Opinion) do American College of Obstetricians and Gynecologists, revisado para incorporar evidências recentes sobre benefícios e riscos da atividade física e do exercício na gestação e no puerpério. As recomendações são apresentadas em uma lista de marcadores na primeira página, sem graduação formal de classe ou nível de evidência; neste resumo, são reportadas como não graduadas. O documento apoia-se em ensaios clínicos randomizados, revisões sistemáticas e metanálises e estudos de coorte citados ao longo do texto, além de três quadros (Box 1 a 3), três tabelas (mudanças cardiovasculares, escala de Borg, características de um regime seguro) e uma figura com limites provisionais de levantamento de peso no trabalho.

Resultados

Recomendações centrais do parecer

O documento recomenda que a atividade física e o exercício na gestação se associam a riscos mínimos e beneficiam a maioria das mulheres, embora adaptações na rotina possam ser necessárias pelas mudanças anatômicas e fisiológicas e pelas exigências fetais. Recomenda ainda que uma avaliação clínica criteriosa seja realizada antes de indicar um programa de exercícios, para garantir que não haja razão médica para evitá-lo; que gestantes sem complicações sejam encorajadas a praticar exercícios aeróbicos e de fortalecimento antes, durante e após a gravidez; e que obstetras e demais profissionais avaliem cuidadosamente mulheres com complicações médicas ou obstétricas antes de recomendar atividade física, sem prescrever restrição de atividade rotineiramente como tratamento para reduzir o parto prematuro. Por fim, o parecer aponta a necessidade de mais pesquisas sobre os efeitos do exercício em desfechos específicos da gestação, sobre métodos eficazes de aconselhamento comportamental e sobre tipo, frequência e intensidade ideais de exercício, assim como sobre atividade física ocupacional.

Mudanças anatômicas e fisiológicas

As mudanças mais marcantes da gestação são o ganho de peso e o deslocamento do centro de gravidade, que resulta em lordose progressiva; mais de 60% das gestantes apresentam lombalgia, e o fortalecimento da musculatura abdominal e dorsal pode minimizar esse risco. Volume sanguíneo, frequência cardíaca, volume sistólico e débito cardíaco aumentam normalmente na gestação, enquanto a resistência vascular sistêmica diminui; a Tabela 1 detalha essas variações por trimestre, no trabalho de parto e no puerpério, e deve ser compreendida para identificar intervenções precoces em mulheres com doença cardiovascular. Manter posição supina durante o exercício após 20 semanas de gestação pode reduzir o retorno venoso por compressão aortocaval pelo útero gravídico, levando a hipotensão.

Na gestação, a ventilação minuto aumenta até 50%, principalmente pelo aumento do volume corrente; pela redução fisiológica da reserva pulmonar, a capacidade de exercício anaeróbico fica prejudicada e a disponibilidade de oxigênio para exercício aeróbico fica aquém, e a alcalose respiratória fisiológica da gestação pode não compensar a acidose metabólica que se desenvolve no exercício extenuante. A regulação térmica depende de hidratação e condições ambientais: durante o exercício, a gestante deve manter-se bem hidratada, usar roupas folgadas e evitar calor e umidade elevados, sobretudo no primeiro trimestre. Embora a exposição a calor por banheiras de hidromassagem, saunas ou febre se associe a risco aumentado de defeitos do tubo neural, não se espera que o exercício eleve a temperatura central à faixa preocupante, e ao menos um estudo não encontrou associação entre exercício e defeitos do tubo neural. O treinamento aeróbico na gestação demonstrou aumentar a capacidade aeróbica em gestantes de peso normal e com sobrepeso.

Resposta fetal ao exercício materno

Os estudos demonstram aumentos mínimos a moderados da frequência cardíaca fetal, de 10–30 batimentos por minuto acima do basal durante ou após o exercício. Três metanálises concluíram que as diferenças de peso ao nascer foram mínimas ou nulas em gestantes que se exercitaram; contudo, mulheres que mantiveram exercício vigoroso no terceiro trimestre tiveram maior probabilidade de recém-nascidos 200–400 g mais leves que os controles, sem aumento do risco de restrição de crescimento fetal. Um estudo de coorte com avaliação de fluxo da artéria umbilical, frequência cardíaca fetal e perfil biofísico mostrou que 30 minutos de exercício extenuante no segundo trimestre foram bem tolerados por mulheres e fetos, ativos ou não. O documento ressalva que faltam dados de atletas que se exercitem além da definição aceita de “vigoroso” (até 85% da capacidade) e que pode existir um nível absoluto de intensidade ou duração que, se excedido, coloque o feto em risco, podendo ser justificada prescrição individualizada em atletas gestantes.

Benefícios do exercício na gestação

O Box 2 resume os benefícios: maior incidência de parto vaginal e menor incidência de ganho de peso gestacional excessivo, diabetes mellitus gestacional (DMG), distúrbios hipertensivos gestacionais (definidos como hipertensão gestacional ou pré-eclâmpsia), parto prematuro, parto cesáreo e menor peso ao nascer. O exercício aeróbico regular melhora ou mantém a aptidão física, e estudos observacionais mostraram redução de DMG (OR 0,103; IC 95%: 0,013–0,803), de parto cesáreo (RR 0,69; IC 95%: 0,42–0,82) e de parto vaginal operatório, além de menor tempo de recuperação pós-parto e papel na prevenção de transtornos depressivos no puerpério. Maior aptidão física autorrelatada e cardiorrespiratória associa-se a menos dor corporal, lombar e ciática e a menor incapacidade por dor.

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