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Guideline

O Atleta Adolescente e o Médico do Esporte — Atualização 2025

Sobre este resumo

Resumo PT-BR do consenso ACSM 2025 sobre o atleta adolescente e o médico de equipe, cobrindo lesões musculoesqueléticas, condições cardíacas e infecciosas, condições pulmonares, nutrição, overtraining/especialização e concussão, com âncoras literais por frase.

Introdução

O documento é um consenso de Team Physician (médico de equipe) voltado ao atleta adolescente, definido no texto como aquele na faixa de 12 a 18 anos; crianças menores de 12 anos, embora ativas no esporte, têm questões médicas e musculoesqueléticas fora do escopo deste consenso. O objetivo declarado é ajudar o médico de equipe a melhorar o cuidado do atleta adolescente por meio da compreensão dos fatores médicos e musculoesqueléticos comuns nessa faixa etária.

O consenso foi desenvolvido por uma colaboração de seis associações profissionais: American Academy of Family Physicians, American Academy of Orthopaedic Surgeons, American College of Sports Medicine, American Medical Society for Sports Medicine, American Orthopaedic Society for Sports Medicine e American Osteopathic Academy of Sports Medicine. O documento cobre lesões musculoesqueléticas (ombro, quadril/virilha, cotovelo, joelho e coluna), condições médicas (cardíacas, doenças infecciosas, concussão, nutrição e suplementação) e questões de especialização esportiva e overtraining.

O texto enfatiza que todos os profissionais de saúde devem oferecer cuidado de qualidade, livre de discriminação e específico às necessidades de cada indivíduo, e que garantir acesso ao cuidado e ambientes esportivos acolhedores reduz disparidades.

Métodos

Trata-se de um consensus statement elaborado a partir de revisão de literatura pelos autores, sem descrição de estratégia de busca nem graduação formal de evidência; o documento registra que todos os autores contribuíram para a revisão de literatura, que parte do grupo compilou as seções e se reuniu presencialmente para revisar o rascunho, com contribuição de todos nas revisões. As recomendações aparecem em blocos no fim de cada tema sob dois níveis textuais: o que é "essential" (essencial) e o que é "desirable" (desejável) que o médico de equipe faça ou compreenda. O documento declara explicitamente que não é um padrão de cuidado, mas apenas um guia de natureza geral, e recomenda seguro adequado para proteger médico, atleta e organização.

Resultados

Ombro

As lesões traumáticas do ombro adolescente incluem instabilidade glenoumeral, lesões da articulação acromioclavicular e fraturas de clavícula; condições atraumáticas como instabilidade multidirecional são frequentes em atletas de gestos repetitivos acima da cabeça. A instabilidade é mais comumente anterior, mas pode ser posterior ou multidirecional, e associa-se a alta taxa de recorrência, com maior probabilidade de lesão de partes moles adicional e perda óssea glenoumeral. O mecanismo da instabilidade anterior é tipicamente trauma direto com o ombro abduzido e em rotação externa; o da posterior, carga axial com o ombro em flexão anterior, adução e rotação interna. A investigação inclui radiografias em pelo menos dois planos ortogonais (axilar ou Velpeau com AP) e RM com ou sem contraste intra-articular como modalidade de escolha, embora indicação e momento sejam controversos. A redução precoce no campo ou na lateral é desejável para alívio da dor, facilidade da redução e proteção neurovascular.

O retorno ao esporte (RTS) sem tratamento cirúrgico mostra maior probabilidade de instabilidade recorrente, perda de tempo de jogo e incapacidade de completar a temporada; os critérios de RTS são controversos, mas incluem amplitude de movimento (ADM) e força completas, resolução de sinais e sintomas neurológicos e ausência de apreensão. O risco de recorrência associa-se a frouxidão ligamentar de base, idade, esporte de contato, nível de competição e grau de envolvimento ósseo. A reabilitação e braces que limitam a ADM podem ajudar no retorno ao esporte em certos atletas, embora instabilidade recorrente possa ocorrer; a reabilitação e/ou o bracing não se mostraram capazes de prevenir luxações recorrentes, e a duração da imobilização e o posicionamento em rotação interna ou externa são controversos. Envolvimento ósseo (fratura de glenoide, Bankart ósseo, lesão fisária) é em geral indicação cirúrgica, e a intervenção cirúrgica precoce pode estar indicada na luxação de primeira vez, com momento e método de reparo controversos. Estratégias de prevenção não se mostraram capazes de diminuir o risco de luxação traumática de primeira vez. Lesão aberta do ombro exige avaliação e tratamento emergenciais, e a luxação posterior da articulação esternoclavicular exige avaliação emergencial. Fraturas de clavícula no adolescente são tipicamente tratadas sem cirurgia, dada a alta taxa de consolidação e o potencial de remodelamento; o tratamento inicial é imobilização com tipoia ou brace para conforto, e a localização mais comum é o terço médio. Na clavícula, a RM e/ou a TC tipicamente não são necessárias, salvo preocupação com a articulação esternoclavicular. Braces não se mostraram eficazes para diminuir dor, melhorar função ou acelerar a consolidação; os critérios de RTS da clavícula são controversos, mas incluem consolidação radiográfica, ausência de dor à palpação no sítio da fratura, ADM e força completas e resolução de sinais e sintomas neurológicos; dor ou luxação na região esternoclavicular exige avaliação emergencial por risco de comprometimento de via aérea e neurovascular; não há estratégias de prevenção conhecidas para as fraturas de clavícula.

Na seção atraumática, a lesão fisária do úmero proximal (little league shoulder) é epifisiólise da fise umeral proximal por microtrauma repetitivo de arremesso, para a qual repouso e cessação das atividades overhead por 6 a 12 semanas podem ser necessários, seguidos de RTS gradual. A prevenção inclui mecânica adequada de arremesso, manutenção de força de core/ombro/manguito, cumprimento de contagem de arremessos/saques e evitar arremesso o ano inteiro. A instabilidade multidirecional atraumática ocorre frequentemente de forma bilateral e associa-se a frouxidão ligamentar generalizada ou doenças do tecido conectivo; a reabilitação é o tratamento padrão não operatório — reabilitação e bracing são padrão e podem melhorar a estabilidade — e a cirurgia só deve ser considerada após no mínimo 6 meses de tratamento não operatório. Estratégias de prevenção não se mostraram capazes de diminuir o risco de instabilidade multidirecional; as estratégias podem incluir modificação do esporte ou da atividade. O tratamento operatório raramente é recomendado como tratamento inicial, e o momento e o método ideais da cirurgia são controversos.

Quadril e virilha

A epifisiólise da cabeça femoral (SCFE, slipped capital femoral epiphysis) leva ao deslizamento da metáfise em relação à epífise; a incidência é cerca de quatro vezes maior em crianças afro-americanas, 2,5 vezes maior em hispânicas, mais prevalente em meninos e associada a IMC elevado, ocorrendo bilateralmente em até 20% dos adolescentes afetados. Pacientes com doenças endócrinas — como hipotireoidismo, osteodistrofia renal, deficiência de hormônio do crescimento e pan-hipopituitarismo — têm risco maior. A apresentação pode ser dor em quadril, virilha, coxa ou joelho — a queixa isolada de dor no joelho pode levar a erro diagnóstico — e a incapacidade de apoiar peso pode indicar SCFE instável; a radiografia, incluindo AP de pelve e lateral do quadril, é a modalidade de imagem diagnóstica de escolha, e o lado assintomático deve ser avaliado pela alta incidência de bilateralidade. A SCFE usualmente exige tratamento cirúrgico para prevenir deslocamento e complicações como osteonecrose; o pinning profilático do quadril contralateral na SCFE unilateral é controverso. Na SCFE unilateral, reduzir o IMC para abaixo do percentil 95 associou-se a menor risco de SCFE bilateral.

As lesões apofisárias (apofisite e avulsão apofisária) são exclusivas de atletas esqueleticamente imaturos com fises abertas; a apofisite é tipicamente tratada sem cirurgia com repouso, gelo e anti-inflamatórios não esteroidais, a reabilitação deve focar o fortalecimento da cintura do quadril e a correção de déficits de flexibilidade, e a avulsão apofisária é tipicamente tratada sem cirurgia com carga protegida; as indicações cirúrgicas na avulsão incluem deslocamento ósseo >2 cm, não união sintomática ou formação de exostose. A eficácia das estratégias de prevenção das lesões apofisárias é desconhecida, mas treino neuromuscular, exercício de flexibilidade, aquecimento dinâmico antes da participação esportiva, educação de técnica adequada e monitoramento da carga de treino podem ser considerados. Nas lesões ósseas por estresse (BSI), a maioria é tratada sem cirurgia, com repouso e carga protegida com muletas até a resolução dos sintomas; a RM é recomendada para graduar a gravidade da lesão e guiar o tratamento; as deficiências identificadas no teste diagnóstico devem ser corrigidas; o colo femoral é considerado fratura por estresse de alto risco, e as indicações operatórias incluem lesões do lado de tensão ou do lado de compressão de alto grau no colo femoral. A deficiência energética relativa no esporte (REDs) pode estar presente em atletas com BSI — o teste diagnóstico pode incluir avaliação de REDs, e é desejável coordenar avaliação e tratamento de REDs na BSI. O consenso destaca como essencial lembrar que dor referida no joelho é frequentemente o sintoma de apresentação de patologia do quadril no adolescente, incluindo SCFE, sendo necessário examinar o quadril na avaliação de queixas de joelho.

Joelho

Lesões fisárias são importantes porque podem causar distúrbio de crescimento e síndrome compartimental (ex.: lesão da fise da tíbia proximal causando síndrome compartimental anterior da perna), e podem passar despercebidas na radiografia simples; reduções fechadas repetitivas aumentam o risco de parada fisária, e a consulta cirúrgica precoce é recomendada. A dor patelofemoral (PFP) tem prevalência anual de 28,9% em adolescentes e é definida como dor ao redor ou atrás da patela agravada por atividades com carga (agachamento, escadas, corrida, salto); fatores de risco incluem sexo feminino, valgo dinâmico e fraqueza de abdutores do quadril. A PFP é tratada com reabilitação com foco em flexibilidade e força de core, quadril e joelho; taping patelar e órteses de pé são benéficos para corrigir alinhamento, enquanto joelheiras não se mostraram superiores ao exercício; o RTS na PFP envolve avanço da atividade conforme tolerado, com progressão de carga e monitoramento.

A instabilidade patelofemoral (PFI) associa-se a história familiar, patela alta, displasia troclear, aumento do ângulo Q e outros fatores anatômicos, e o escore de Beighton deve ser avaliado no exame. O tratamento (não operatório versus operatório) da PFI de primeira vez é controverso, e o tratamento não operatório inclui bracing, modificação de atividade, controle de sintomas, ADM precoce e fortalecimento de quadríceps e cintura do quadril; indicações cirúrgicas incluem luxação de primeira vez com corpo livre e instabilidade recorrente, e técnicas que poupam a fise são recomendadas em atletas com fises abertas. O bracing profilático não se mostrou capaz de reduzir o risco de lesão de PFI nem de relesão após cirurgia. A maioria das lesões de LCA é sem contato, por rotação com carga, pivô ou hiperextensão; a incidência em adolescentes segue subindo, com esportes de alto risco como futebol, basquete, lacrosse e futebol americano, e as mulheres têm maior incidência de lesão sem contato. Após reconstrução de LCA em pediátricos/adolescentes, cerca de 32% podem ter segunda lesão em 2 anos — 19% no lado ipsilateral e 13% no contralateral. As lesões de LCA no adolescente podem ser avulsões ósseas da espinha tibial ou lesões ligamentares, e a avulsão óssea exige encaminhamento imediato para avaliação e tratamento operatório; a RM sem contraste é a modalidade de escolha para diagnosticar a lesão e lesões concomitantes, e fises abertas exigem atenção especial na determinação do tratamento das lesões de LCA. O tratamento inicial envolve gelo, compressão e restauração da ADM, sobretudo da extensão (não imobilização); o manejo não operatório mostrou resultados ruins como modificação de atividade em adolescentes, com bracing oferecendo pouca ou nenhuma proteção; a intervenção operatória é recomendada quando dor, edema e ADM normalizam; aloenxertos não são recomendados em atletas adolescentes e a mobilização precoce pós-operatória é apoiada para melhorar ADM e evitar artrofibrose.

Na prevenção de LCA, o consenso recomenda programa de condicionamento específico do esporte com periodização, controle motor (força de core e membros inferiores, equilíbrio, flexibilidade), treino de técnica de aterrissagem e educação de risco; bracing profilático não mostrou reduzir risco de lesão sem contato nem de relesão.

A osteocondrite dissecante (OCD) do joelho é alteração adquirida e potencialmente reversível de osso subcondral e/ou cartilagem, com risco de instabilidade osteocondral e predisposição a osteoartrite; ocorre mais na face lateral do côndilo femoral medial, é mais comum entre 10 e 15 anos e os sintomas nem sempre se correlacionam com a gravidade. Pacientes com fises abertas e OCD estável têm maiores taxas de sucesso com tratamento não operatório; cerca de 50% a 65% das OCDs em crianças e adolescentes consolidam sem cirurgia. Em lesões estáveis, são recomendadas uma tentativa de observação, atividades com carga limitada e bracing, sendo a observação por 3 a 6 meses o padrão para monitorar progressão; progressão ou persistência de dor, derrame, instabilidade ou sintomas mecânicos indica falha do tratamento não operatório, e o tratamento operatório pode estar indicado nesse caso ou em lesões instáveis. O RTS do tratamento não operatório é controverso; medidas gerais podem incluir resolução de sinais e sintomas e evidência de consolidação radiográfica.

Cotovelo

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