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Atualização 2025 do Consenso da Coalizão da Tríade da Atleta Feminina - Parte 1

Sobre este resumo

Este texto é um resumo do 2025 Update to the Female Athlete Triad Coalition Consensus Statement Part 1: State of the Science and Introduction of a New Adolescent Model, publicado pela Female and Male Athlete Triad Coalition online em dezembro de 2025 (edição de 2026), no periódico Sports Medicine.

Introdução

A Tríade da Atleta Feminina (Female Athlete Triad, ou Triad) é definida como três componentes inter-relacionados — estado energético, função reprodutiva e saúde óssea — iniciados pela exposição a graus variados de deficiência energética, com ou sem comer transtornado ou transtorno alimentar, e com desfechos patológicos primários nos sistemas reprodutivo e esquelético.

Este documento é a primeira de duas publicações que compõem a atualização de 2025 do Consenso de 2014 sobre tratamento e retorno ao esporte da Tríade. A Parte 1 atualiza os fundamentos científicos e introduz um novo modelo específico para a atleta adolescente; a Parte 2 traz diretrizes clínicas de rastreamento, diagnóstico, tratamento e retorno ao esporte, com ferramenta revisada de avaliação de risco cumulativo.

Na atualização de 2025, o termo "deficiência energética" (energy deficiency) passa a ser usado em associação com o espectro do estado energético, em vez de "baixa disponibilidade energética" (low energy availability), que agora é apenas um dos indicadores de deficiência energética, ao lado de baixo peso corporal/perda de peso, baixo IMC e sinais de "compensação metabólica" (metabolic compensation).

A Tríade é apresentada como a base da condição descrita como Deficiência Relativa de Energia no Esporte (Relative Energy Deficiency in Sport, RED-S), descrita em 2014 como uma condição de comprometimento fisiológico e/ou psicológico em atletas do sexo feminino e masculino.

Métodos

Um painel independente de 16 especialistas com expertise demonstrada nos temas da ciência da Tríade foi convocado para consolidar dados baseados em evidência. As declarações foram votadas; se mais de 85% dos redatores "concordassem" sem nenhum "discordo", a declaração era mantida sem discussão adicional; caso contrário, era revisada ou excluída, com votações repetidas até consenso.

A força das declarações baseadas em evidência foi graduada por taxonomia em que ensaios clínicos randomizados (RCT) e dados observacionais são considerados o mais alto nível de evidência, conforme utilizado nas posições do American College of Sports Medicine. O resultado são graus de nível A, B e C, apresentados ao longo do documento e consolidados nas Tabelas 3 e 4.

Resultados

Modelo adulto atualizado (2025). O modelo contínuo de 2025 inclui: no estado energético, a deficiência energética e a compensação metabólica (adaptações de conservação de energia como razão RMR medida/prevista reduzida e quedas de TT3, IGF-1 e leptina, com aumento de grelina); na função reprodutiva, a exposição a esteroides ovarianos e a oligo/amenorreia hipotalâmica funcional (functional hypothalamic oligo-amenorrhea, FHOA); e na saúde óssea, a lesão por estresse ósseo (bone stress injury, BSI).

As adaptações compensatórias podem coexistir com peso estável. Observações repetidas limitadas ao peso corporal podem ser enganosas, e a estabilidade ponderal não deve ser interpretada como equilíbrio energético.

Pontos de corte clínicos. As figuras 1b/2b e a seção 2.1 detalham limiares operacionais: em adultas, IMC ≥18,5 kg/m² como saudável, 17,5–<18,5 kg/m² como subclínico e <17,5 kg/m² como patológico; EA >45 kcal/kg FFM/dia como referência de repleção; peso corporal ≥90% do esperado (saudável), 85–<90% (subclínico) e <85% (patológico). A nota de rodapé define perda de peso moderada como 5–10% do peso habitual em 6 meses ou >2% e <5% em 1 mês. Em adolescentes, usam-se percentis de IMC para idade (≥10º percentil saudável; ≥5º e <10º subclínico; <5º patológico) e percentual do peso corporal esperado (EBW, baseado no percentil 50 do IMC; ≥90% saudável, 85–<90% subclínico, <85% patológico), com cruzamento de linhas percentis na curva CDC. A razão RMR medida/prevista é indicador de compensação metabólica e depende da equação de predição (o texto cita 0,94 para RMR predita por DXA). Para DMO, Z-score <−1,0 é usado como critério de baixa DMO em atletas, com valores ≤−2,0 também reportados em associação a restrição alimentar.

Energia. Estado de energia repleta é definido como reservas energéticas adequadas, peso estável ou em aumento e ausência de compensação metabólica. Em mulheres não treinadas submetidas a intervenção de exercício com restrição calórica por 3 meses, a pesquisa não sustenta o uso de um limiar absoluto de EA como estratégia para prevenir distúrbios menstruais, pois há variabilidade individual e provável contínuo dose-resposta (Grau: Nível A). Em ambientes fora de laboratório, a medida da EA é problemática por baixa confiabilidade e grande flutuação dia a dia (Grau: Nível B).

Transtornos alimentares e comer transtornado. Fatores de risco incluem especialização esportiva precoce, tipo de esporte (categorias de peso, estéticos, endurance), influência de treinadores/companheiros, trauma, perfeccionismo e condições de saúde mental. Mulheres atletas podem ter risco particular de patologia alimentar em esportes que promovem determinado biotipo (Grau: Nível B); os fatores de risco esporte-específicos e gerais para transtornos alimentares receberam Grau: Nível C. O modelo reconhece transtorno alimentar clínico associado à deficiência energética grave independentemente de baixo peso como critério isolado, incluindo a anorexia nervosa atípica, que ocorre sem baixo peso objetivo (ver Limitações).

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