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Parecer de Posição da ISSN: Café e Desempenho no Exercício

Sobre este resumo

Este texto é um resumo do International society of sports nutrition position stand: coffee and sports performance, publicado pela International Society of Sports Nutrition (ISSN) em 2023, no periódico Journal of the International Society of Sports Nutrition.

Introdução

O documento é o posicionamento oficial (position stand) da International Society of Sports Nutrition sobre café e desempenho esportivo, publicado no Journal of the International Society of Sports Nutrition, volume 20, número 1, de 2023, como artigo de acesso aberto sob licença Creative Commons Attribution License. O foco do posicionamento é a complexidade do café como alimento, seu papel na nutrição esportiva e como ele interage com o exercício.

Café não é sinônimo de cafeína líquida: é uma matriz complexa de centenas de compostos, consumidos com ampla variabilidade conforme o tamanho da porção, o tipo de grão (Arábica vs. Robusta, sendo o Robusta tipicamente mais rico em cafeína), o método de preparo (temperatura da água, torra, moagem, tempo e equipamento) e os aditivos. A Tabela 1 do documento resume componentes não aquosos que podem afetar saúde ou desempenho: na torra, a cafeína representa 1% ou menos (50–400 mg por porção) e os polifenóis totais, incluindo ácidos clorogênicos (CGA), 1–2% (35–500 mg), além de lipídios, carboidratos, proteínas, minerais e melanoidinas.

A relação entre café/cafeína e esporte é pesquisada há mais de um século: Rivers e Webber publicaram dados sobre a ação da cafeína na capacidade de trabalho muscular já em 1907, e 76% das amostras de urina pós-competição de atletas de elite continham concentrações mensuráveis de cafeína. Como marco epidemiológico, o documento cita que o consumo de café se associou inversamente à mortalidade, inclusive entre quem bebia oito ou mais xícaras por dia.

Um problema conceitual central é a definição de "uma xícara": uma dose de espresso é tipicamente uma onça fluida (29,6 ml, 28 g); os padrões da Specialty Coffee Association sugerem cerca de cinco onças fluidas (150 ml); no uso doméstico, uma xícara equivale a oito onças fluidas (237 ml); para o banco USDA Food Data Central, são 248 g; e um café "grande" comercial pode chegar a 16 onças fluidas (474 ml).

Métodos

Os position stands da ISSN são artigos convidados sobre temas que os Editores e o Conselho de Pesquisa identificam como de interesse; um autor-líder ou equipe realiza uma revisão abrangente da literatura, o rascunho é enviado a pesquisadores de referência para comentários e o texto é então revisado como declaração de consenso, aprovado pelo Comitê de Pesquisa e pelos Editores como posição oficial da ISSN. A revisão da literatura científica foi feita por buscas de palavras-chave no mecanismo PubMed.gov da National Library of Medicine dos National Institutes of Health, cobrindo temas como história, tamanho de porção, tipo de grão, método de preparo, ácidos clorogênicos, efeitos neuromusculares, cognitivos, metabólicos, hidratação, desempenho, recuperação, dose, tempo de ingestão, habituação, nutrigenética, microbiota, sexo e estado de treinamento.

O posicionamento final é apresentado como oito conclusões numeradas que representam a posição oficial da sociedade; o documento não utiliza graduação formal de força ou nível de evidência para essas conclusões (não graduada). O texto ressalva, ainda, que a cafeína isolada é objeto de outro position stand da ISSN, e que a literatura específica sobre café (em oposição à cafeína) é escassa e metodologicamente heterogênea — ponto que o próprio documento lista como limitação estrutural.

Resultados

Estudos seminais e o problema "café ≠ cafeína"

No estudo clássico de Costill et al., nove ciclistas competitivos ingeriram café descafeinado ou cafeinado (330 mg de cafeína) 60 min antes de pedalar até a exaustão a 80% do VO2max; o grupo com cafeína rendeu em média 90,2 (SE ±7,2) min contra 75,5 (SE ±5,1) min no descafeinado (p<0,05) — estudo citado 1171 vezes segundo o Google Scholar (abril/2023), mas sem controle verdadeiro com água. Já Graham et al. mostraram que componentes não cafeínicos representam mais de 60% dos compostos do café, enquanto a cafeína é cerca de 2%; em seus cinco braços experimentais, a resistência só aumentou significativamente na condição de cápsula de cafeína, levando os autores a concluir que não se pode extrapolar os efeitos da cafeína para o café — deve haver componentes do café que moderam as ações da cafeína.

Absorção e mecanismos

A cafeína é absorvida pela mucosa bucal, estômago e principalmente intestino delgado, com velocidade goma > bebida > cápsula, biodisponibilidade próxima de 100% e meia-vida variável de ~4–6 h; os ácidos clorogênicos e metabólitos têm absorção trifásica (estômago, aproximadamente um terço no intestino delgado e intestino grosso após interação com a microbiota), e apenas 5–10% dos polifenóis dietéticos intactos são absorvidos no estômago e intestino delgado. O mecanismo ergogênico primário é o antagonismo dos receptores de adenosina A1 e A2A pela cafeína, com aumento de liberação de neurotransmissores e de disparo de unidades motoras, supressão de dor e redução de fadiga; em meta-análise citada, 33% da melhora de desempenho foi atribuída à redução da percepção de esforço (RPE). Não há diferença aparente de epinefrina entre veículos (cápsula, café descafeinado+cafeína ou café regular a 4,45 mg/kg); a hipótese clássica de poupa de glicogênio muscular não foi confirmada na reanálise agrupada (5 ou 9 mg/kg a 75–85% VO2max) nem em ciclismo de 30 min comparando cafeína anidra, café, descafeinado e placebo. Mecanismos musculares (cálcio sarcoplasmático, inibição de fosfodiesterase) exigiriam ~1000 μM, inatingível: duas a três xícaras geram 20–50 μM plasmáticos, enquanto >200 μM se associa a toxicidade e >500 μM a envenenamento fatal; sugere-se ainda dose mínima >6 mg/kg para resistência à fadiga via bomba Na+/K+. Sobre hidratação, não há dados conclusivos de que o café, com ou sem cafeína, seja inadequado para hidratação; a ingestão de cafeína antes do exercício não leva à desidratação e o exercício negou o efeito diurético menor da cafeína — reforçado pelo fato de o café ser tipicamente só 1–2% cafeína e majoritariamente água.

Variabilidade do produto

Uma análise de 20 espressos encontrou cafeína variando de 51 mg/porção (Starbucks) a 322 mg/porção (Pattiserie Francoise) e ácido clorogênico de 24 a 422 mg/porção; os CGA podem antagonizar a ligação da cafeína ao receptor de adenosina in vitro, mas as baixas concentrações in vivo não parecem prejudicar seus mecanismos. O tempo de torra tem relação inversa forte com o teor de CGA.

Tempo de reação e cognição

Café cafeinado em dose baixa (65 mg de cafeína) melhorou o tempo de reação simples e a velocidade de codificação de novas informações em 128 participantes. Extrato de cereja de café integral (100 mg, apenas 1,8 mg de cafeína) reduziu o tempo de reação e aumentou o BDNF em idosos de 55–65 anos com comprometimento cognitivo subjetivo. Café verde descafeinado rico em CGA (521 mg CGA, 11 mg cafeína) reduziu fadiga e aumentou alerta frente ao descafeinado comum, mas 530 mg de CGA isolados não produziram benefício — sugerindo "efeito comitiva" (entourage effect) de outros componentes da matriz, possivelmente quinídeos da torra; esses dados vieram de participantes mais velhos e podem não se aplicar a atletas jovens. Em coorte de 14.563 trabalhadores (35–74 anos), o consumo habitual de café associou-se a mais palavras evocadas e maior fluência verbal (Tabela 2); em idosos, o blend de café verde descafeinado aumentou atenção sustentada e alerta e reduziu o tempo de decisão, sem efeito do CGA isolado na cognição.

Desempenho balístico breve e potência anaeróbica

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