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Guideline

Diretriz Canadense de Concussão no Esporte

Sobre este resumo

Este texto é um resumo da Canadian Guideline on Concussion in Sport, publicada pela Parachute em julho de 2017, no periódico LACUNA.

Introdução

A Canadian Guideline on Concussion in Sport é um documento da Parachute, organização canadense de prevenção de lesões, publicado em julho de 2017 em Toronto, com financiamento da Public Health Agency of Canada. A diretriz cobre a educação pré-temporada e o reconhecimento, o diagnóstico médico e o manejo de atletas que sofrem suspeita de concussão durante atividade esportiva, com o objetivo de garantir atendimento oportuno e adequado e um manejo que permita o retorno ao esporte.

Embora desenvolvida para a concussão relacionada ao esporte, a diretriz orienta que seus princípios de manejo também sejam aplicados a crianças, adolescentes e adultos que sofrem concussão fora do ambiente esportivo e estejam retornando às atividades (escola, trabalho etc.). O público-alvo inclui todos os stakeholders que interagem com atletas dentro e fora do contexto de atividade esportiva organizada escolar e não escolar: atletas, pais, treinadores, árbitros, professores, preparadores e profissionais de saúde licenciados.

A terminologia do documento segue o International Consensus Statement on Concussion in Sport: a Estratégia de Retorno à Escola (Return-to-School Strategy) substitui o conceito de "return to learn", focando o retorno a um ambiente formal e estruturado de aprendizagem, e a Estratégia de Retorno ao Esporte (Return-to-Sport Strategy) substitui o "return to play", focando o retorno a treinos, práticas e competições no esporte organizado, e não à atividade física não estruturada do dia a dia.

A diretriz define concussão como uma forma de lesão cerebral traumática induzida por forças biomecânicas, que resulta em sinais e sintomas tipicamente resolvidos espontaneamente em 1 a 4 semanas após a lesão; atleta é qualquer jovem ou adulto participando de atividade esportiva escolar ou não escolar, em qualquer nível de competição; e jovem (youth) é o atleta com menos de 18 anos. Sintomas persistentes são definidos como sintomas de concussão que duram mais de 2 semanas após a lesão em adultos e mais de 4 semanas em jovens.

Métodos

A diretriz foi desenvolvida a partir dos resultados de uma busca sistemática de evidência e de um processo de consenso conduzido externamente ao desenvolvimento do documento. A evidência científica sobre concussão no esporte é revisada aproximadamente a cada 4 anos pelo Comitê Científico e pelo Painel de Especialistas da International Consensus Conference on Concussion in Sport; a 5ª edição dessa conferência ocorreu em 27–28 de outubro de 2016, em Berlim, com 12 questões de revisão sistemática, e gerou um novo Consensus Statement, 12 revisões sistemáticas e ferramentas atualizadas (CRT5, SCAT5, Child SCAT5), publicadas em abril de 2017 no British Journal of Sports Medicine. Três dos autores principais do Consensus Statement (Carolyn Emery, Kathryn Schneider e Charles Tator) integram o comitê de especialistas que desenvolveu esta diretriz. A seleção das áreas de recomendação e da evidência incluída foi determinada pelo Expert Committee e informada pelo framework de Russell et al. para concussão no esporte juvenil no Canadá.

Um amplo grupo de stakeholders foi consultado durante o desenvolvimento: profissionais de saúde (neurocirurgia, pediatria, medicina do esporte, fisioterapia, terapia ocupacional), pesquisadores, representantes de organizações esportivas nacionais e multiesportivas, governo e educação. A Parachute sediou um evento nacional de stakeholders em maio de 2017, e a revisão externa por representantes de saúde, esporte, governo e educação foi a etapa final.

A diretriz aborda 7 áreas na prevenção, no reconhecimento, no diagnóstico e no manejo da concussão relacionada ao esporte: educação pré-temporada, reconhecimento da lesão de cabeça, avaliação médica no local, avaliação médica, manejo da concussão, cuidado multidisciplinar e retorno ao esporte. Para cada área, indica "quem" implementa e "como" (quais ferramentas e documentos usar). O documento não gradua a força das recomendações nem o nível de evidência; todas as recomendações abaixo são, portanto, não graduadas. A diretriz declara explicitamente que não pretende substituir o julgamento clínico no diagnóstico e tratamento da concussão.

As ferramentas padronizadas incorporadas são: a Ferramenta de Reconhecimento de Concussão – 5ª Edição (Concussion Recognition Tool – 5th Edition, CRT5), para identificação de concussão suspeita em crianças, jovens e adultos, publicada em 2017 pelo Concussion in Sport Group em substituição à Pocket Concussion Recognition Tool de 2013; a Ferramenta de Avaliação de Concussão no Esporte – 5ª Edição (Sport Concussion Assessment Tool – 5th Edition, SCAT5), para indivíduos de 13 anos ou mais; e a versão infantil (Child SCAT5), para indivíduos de 5 a 12 anos. O documento inclui ainda a Carta de Avaliação Médica (Medical Assessment Letter), a Carta de Liberação Médica (Medical Clearance Letter) e a Ficha de Educação Pré-Temporada sobre Concussão.

Resultados

1. Educação pré-temporada

A otimização da prevenção e do manejo da concussão depende da educação anual de todos os stakeholders do esporte. A educação sobre concussão deve incluir: definição de concussão, possíveis mecanismos de lesão, sinais e sintomas comuns, medidas de prevenção, conduta diante de suspeita de concussão ou lesão de cabeça mais grave, medidas para assegurar avaliação médica adequada incluindo as Estratégias de Retorno à Escola e ao Esporte, e os requisitos de liberação médica para retorno ao esporte. Como exemplo operacional, sugere-se uma ficha educativa revisada e assinada por todos os stakeholders no momento da inscrição ou antes do início de cada temporada, além de sessões presenciais de orientação pré-temporada.

2. Reconhecimento da lesão de cabeça

Todos os stakeholders (atletas, pais, treinadores, árbitros, professores, preparadores e profissionais de saúde) são responsáveis por reconhecer e relatar atletas que demonstrem sinais visuais de lesão de cabeça ou relatem sintomas de concussão, o que é particularmente importante porque muitos locais de esporte e recreação não dispõem de profissional de saúde no local. Deve-se suspeitar de concussão em qualquer atleta que sofra impacto significativo na cabeça, face, pescoço ou corpo e demonstre QUALQUER sinal visual ou relate QUALQUER sintoma de concussão suspeita conforme o CRT5, inclusive quando o atleta relata sintomas a colegas, pais, professores ou treinadores, ou quando alguém testemunha sinais visuais. Sinais de lesão mais grave de cabeça ou coluna incluem convulsões, cefaleia progressiva, vômitos ou dor cervical; diante de qualquer "Red Flag" do CRT5, deve-se suspeitar de lesão mais grave e buscar Avaliação Médica de Emergência.

3. Avaliação médica no local

Se houver suspeita de lesão mais grave de cabeça ou coluna durante jogo ou treino, deve-se chamar ambulância imediatamente para transferência ao pronto-socorro mais próximo; treinadores, pais, preparadores e árbitros não devem remover equipamentos nem mover o atleta até a chegada da ambulância, e o atleta não deve ser deixado sozinho. Em jovens (menores de 18 anos), os pais ou responsáveis legais devem ser contatados imediatamente; em maiores de 18 anos, contata-se a pessoa de emergência, se fornecida.

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