Introdução
O documento atualiza as diretrizes de 2011 emitidas pelos quatro Chief Medical Officers (CMOs) da Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, cobrindo volume, duração, frequência e tipo de atividade física ao longo do ciclo de vida para alcançar benefícios à saúde. Pela primeira vez, a atualização incorpora novas evidências sobre atividade física durante a gestação, no período pós-parto e para adultos com deficiência. As diretrizes apresentam um consenso em nível nacional sobre a quantidade e o tipo de atividade física necessária para beneficiar a saúde ao longo do ciclo de vida e se aplicam a toda a população, independentemente de gênero, idade ou status socioeconômico.
Em crianças e jovens, a atividade física regular está associada a melhor aprendizado e desempenho, melhor saúde mental e aptidão cardiovascular, além de contribuir para o peso saudável. Em adultos, há forte evidência do efeito protetor sobre uma gama de doenças crônicas, como doença coronariana, obesidade, diabetes tipo 2, problemas de saúde mental e isolamento social. De modo geral, quanto mais tempo se dedica à atividade física, maiores os benefícios à saúde, e mesmo aumentos relativamente pequenos podem contribuir para melhora da saúde e qualidade de vida.
A diretriz adota uma abordagem de ciclo de vida, com capítulos separados para os grupos etários: Under-5s, Children and Young People (5-18 anos), Adults (19-64 anos) e Older Adults (65+). O público-alvo principal são profissionais, praticantes e formuladores de políticas de diversas organizações.
Um princípio central é que não há limiares absolutos: benefícios são alcançados em níveis abaixo e acima das diretrizes. Os ganhos são especialmente significativos para aqueles com os níveis mais baixos de atividade (menos de 30 minutos por semana), pois as melhorias por minuto adicional são proporcionalmente maiores. Não há quantidade mínima de atividade física necessária para obter alguns benefícios à saúde, e metas específicas abaixo dos níveis recomendados, como mirar pelo menos 10 minutos de cada vez, podem ser eficazes como meta comportamental para pessoas que partem de níveis baixos. A atividade física é definida como qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que requer gasto de energia.
A intensidade moderada e vigorosa pode ser diferenciada pelo "talk test" (teste da fala): conseguir falar mas não cantar indica intensidade moderada, enquanto ter dificuldade para falar sem pausar indica atividade vigorosa. Atividades de intensidade muito vigorosa realizadas em curtos intervalos intercalados com descanso, conhecidas como High Intensity Interval Training (HIIT), têm demonstrado benefícios à saúde, com efeitos clinicamente significativos sobre aptidão, peso corporal e resistência à insulina, podendo ser tão ou mais eficazes que MVPA.
Força muscular, saúde óssea e capacidade de equilíbrio sustentam a função física, particularmente na vida mais avançada, e atividades de fortalecimento ajudam a retardar o declínio natural da massa muscular e densidade óssea que ocorre a partir de aproximadamente 50 anos de idade. A diretriz destaca a importância de atividades regulares de força e equilíbrio, que não receberam o reconhecimento que merecem nas diretrizes de 2011.
O comportamento sedentário é definido como estar em postura sentada, reclinada ou deitada durante as horas de vigília, com pouco movimento e baixo gasto de energia. Períodos de inatividade ou comportamento sedentário são fator de risco independente para desfechos de saúde adversos e devem ser minimizados quando possível. Sentar-se por longos períodos é prejudicial, mesmo em pessoas que atingem os níveis recomendados de MVPA.
Existem desigualdades claras de saúde em relação à inatividade física, e por isso as intervenções para promover atividade física devem considerar isso. Além dos benefícios à saúde, o aumento da atividade física em uma população também traz benefícios sociais, ambientais e econômicos para comunidades e sociedade.
Métodos
Os Expert Working Groups (EWGs) utilizaram a abordagem GRADE-ADOLOPMENT (adoption and/or adaptation of an existing guideline, plus de novo development) para a elaboração das diretrizes. Cada EWG baseou-se em três tipos de evidência: revisões de evidência recentes usadas para construir ou atualizar diretrizes internacionais; as análises pooled, meta-análises e revisões sistemáticas mais recentes de pesquisas prospectivas e ensaios clínicos randomizados; e papers adicionais relevantes identificados por cada EWG. O painel de especialistas revisou evidência científica publicada de 2010 a 2018. A busca no PubMed identificou 42 publicações, das quais 14 foram elegíveis para inclusão.
Resultados
Under-5s
Para lactentes (menos de 1 ano), recomenda-se que sejam fisicamente ativos várias vezes por dia de diversas formas, incluindo atividade interativa no chão, como engatinhar. Para lactentes ainda não móveis, isso inclui pelo menos 30 minutos de "tummy time" (tempo de barriga para baixo) distribuídos ao longo do dia enquanto acordados. O "tummy time" pode ser desconhecido para os bebês no início, mas pode ser aumentado gradualmente, começando com um ou dois minutos de cada vez; bebês não devem dormir de barriga para baixo. Para toddlers (1-2 anos), recomenda-se pelo menos 180 minutos (3 horas) por dia em variedade de atividades físicas de qualquer intensidade, incluindo brincadeira ativa e ao ar livre, distribuídos ao longo do dia. Para pre-schoolers (3-4 anos), recomenda-se pelo menos 180 minutos por dia, dos quais pelo menos 60 minutos devem ser de atividade física de intensidade moderada a vigorosa.
Children and Young People (5-18 anos)
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