Introdução
A Clinical Oncology Society of Australia (COSA) é o principal órgão nacional que representa profissionais de saúde multidisciplinares cujo trabalho abrange o controle e o cuidado do câncer. O termo "atividade física" se aplica a qualquer movimento produzido por músculos esqueléticos que exige que o corpo dispenda energia; "exercício" é atividade física estruturada com o propósito de condicionar o corpo para melhorar a saúde e a aptidão. Ser fisicamente ativo e exercitar-se regularmente são importantes para a saúde, a função, a qualidade de vida e, potencialmente, a sobrevida de pessoas com câncer. A pesquisa clínica estabeleceu o exercício como uma intervenção segura e eficaz para contrapor os efeitos físicos e psicológicos adversos do câncer e seu tratamento. Até o momento, a evidência mais forte existe para a melhora da função física (incluindo aptidão aeróbia, força muscular e capacidade funcional), a atenuação da fadiga relacionada ao câncer, o alívio do sofrimento psicológico e a melhora da qualidade de vida em múltiplos domínios de saúde geral e específicos do câncer. Evidências emergentes destacam que o exercício regular antes, durante e após o tratamento do câncer diminui a gravidade de outros efeitos colaterais adversos e está associado a redução do risco de desenvolver novos cânceres e condições comórbidas, como doenças cardiovasculares, diabetes e osteoporose. Pesquisas epidemiológicas sugerem que a atividade física regular oferece efeito protetor contra recidiva de câncer, mortalidade específica para câncer e mortalidade por todas as causas para alguns tipos de câncer, com foco predominante em câncer de mama, colorretal e de próstata; esses achados motivaram uma série de ensaios clínicos, atualmente em andamento, para avaliar rigorosamente os efeitos do exercício na sobrevida do câncer.
O conjunto convincente de evidências epidemiológicas e de ensaios clínicos sobre os benefícios do exercício levou ao endosso de diretrizes de exercício para pessoas com câncer por grandes organizações internacionais, diretrizes que em grande parte espelham as diretrizes para a população geral. Apesar da ampla disseminação dessas recomendações, a maioria dos australianos com câncer não atinge os alvos recomendados. Relatos indicam que 60 a 70% das pessoas com câncer não atingem as diretrizes de exercício aeróbio e estima-se que 80 a 90% não atingem as diretrizes de exercício de resistência. Embora muitas pessoas com câncer tenham indicado desejo de participar de programas de exercício adequadamente desenhados e supervisionados, apenas uma minoria está engajada em níveis suficientes de exercício. Para maximizar o potencial terapêutico do exercício, os princípios bem estabelecidos de treinamento (incluindo especificidade, progressão, sobrecarga e individualização) devem ser aplicados e operacionalizados usando a fórmula FITT: frequência (número de sessões de exercício), intensidade (quão difícil por sessão), tempo (duração da sessão) e tipo (modalidade de exercício).
Métodos
O position statement da COSA sobre exercício no cuidado do câncer é um documento autônomo, cujo conteúdo não é influenciado por nenhuma outra autoridade. O documento é endossado pela Australian Physiotherapy Association, Cancer Council Australia, Exercise and Sports Science Australia e Medical Oncology Group of Australia. O desenvolvimento do position statement foi iniciado pelo COSA Exercise and Cancer Group, com uma proposta submetida ao COSA Council para desenvolver o documento com base na evidência científica disponível e consenso de especialistas. O position statement foi preparado após uma revisão aprofundada da literatura por um grupo multidisciplinar de membros do COSA Exercise and Cancer Group; o grupo de autoria reuniu especialistas dos campos de fisiologia do exercício, fisioterapia, oncologia médica, enfermagem oncológica e saúde pública. O rascunho do position statement passou por revisão com o COSA Exercise and Cancer Group ampliado, que reúne mais de 200 profissionais com interesse em exercício para pessoas com câncer. Realizou-se então consulta plena com todos os membros da COSA e partes interessadas relevantes, com respostas e ações detalhadas e revisões incorporadas; após nova revisão, a versão final foi apresentada ao COSA Council para aprovação.
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