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Parecer de Posição da NATA: Lesão Dental e Oral Relacionada ao Esporte

Sobre este resumo

Este texto é um resumo do National Athletic Trainers' Association Position Statement: Preventing and Managing Sport-Related Dental and Oral Injuries, publicado pela National Athletic Trainers' Association (NATA) em 2016, no periódico Journal of Athletic Training.

Introdução

O documento é um position statement da NATA, assinado por Gould, Piland, Caswell, Ranalli, Mills, Ferrara e Courson, publicado no Journal of Athletic Training em 2016 (volume 51, número 10, páginas 821–839), com o objetivo de oferecer a athletic trainers e demais profissionais responsáveis pelo cuidado de atletas recomendações clínicas para prevenir e manejar lesões dentais e orais relacionadas ao esporte.

O problema é numericamente relevante: estudos citados pelo documento estimaram que as lesões orofaciais representam de aproximadamente 3% a 38% de todas as lesões esporte-específicas em modalidades sem obrigatoriedade de protetor bucal, como beisebol, basquete e futebol — nos Estados Unidos, a NFHS exige protetor bucal em apenas 5 esportes (hóquei em campo, futebol americano, hóquei no gelo, lacrosse e luta, esta última apenas se o atleta usa aparelho ortodôntico) e a NCAA em apenas 4 (hóquei em campo, futebol americano, hóquei no gelo e lacrosse). Na época da redação, a participação no esporte competitivo somava cerca de 7,2 milhões de atletas no nível interescolar e aproximadamente 500 mil no nível intercolegial, o que tende a aumentar a exposição e a ocorrência dessas lesões.

Embora representem parcela pequena do total de lesões esportivas, o custo de certas lesões dentais — como a avulsão dentária — pode exceder US$ 15.000 ao longo da vida adulta, o que torna o manejo eficaz decisivo para os desfechos financeiros, físicos e emocionais de longo prazo.

O documento usa como base as diretrizes da International Association of Dental Traumatology (IADT), abrangentes porém dirigidas a dentistas em ambiente clínico; o propósito do statement é traduzi-las em recomendações que o athletic trainer possa aplicar no manejo agudo e nas decisões de retorno ao jogo.

Métodos

As recomendações foram apresentadas por meio de uma revisão baseada em evidência que adota a escala Taxonomia de Força de Recomendação (Strength of Recommendation Taxonomy — SORT), proposta pela American Academy of Family Physicians.

Na SORT, cada recomendação recebe grau A, B ou C conforme os desfechos orientados ao paciente ou à doença: categoria A, recomendação baseada em evidência consistente e de boa qualidade orientada ao paciente; categoria B, recomendação baseada em evidência orientada ao paciente inconsistente ou de qualidade limitada; categoria C, recomendação baseada em consenso, prática usual, opinião, evidência orientada à doença ou séries de casos.

Os autores alertam que a pesquisa de boa qualidade sobre protetores bucais é limitada por restrições éticas — não seria aceitável um desenho experimental que impedisse um grupo de risco de usar protetor bucal, sobretudo quando ele é obrigatório na modalidade — e pedem que o leitor considere essa limitação ao avaliar as recomendações.

Resultados

Planejamento e educação (recomendações 1–9)

Todo athletic trainer e demais profissionais responsáveis pelo cuidado de atletas devem conhecer o position statement da NATA "Emergency planning in athletics" e, quando apropriado, integrar as recomendações de manejo dentário aos planos de emergência escritos — força de recomendação: C. O clínico deve identificar um especialista em saúde bucal (de preferência com formação adicional em odontologia do esporte) para encaminhamento direto, que auxilie a montar a equipe de referência — endodontista, ortodontista e cirurgião bucomaxilofacial — e um serviço odontológico de emergência — força de recomendação: C. Quem atende à beira do campo deve carregar um kit de trauma dental junto ao kit de medicina esportiva; a Tabela 2 lista os itens sugeridos, do cartão de trauma da Academy for Sports Dentistry ao meio de cultura dentária (tooth culture medium), passando por gaze, luvas, espelho bucal e lanterna de bolso, com itens adicionais específicos para o dentista da equipe — força de recomendação: C. No texto de apoio, o documento recomenda que o kit de emergência dentária seja mantido separado dos demais itens de primeiros socorros — por exemplo, em caixa plástica utilitária — e que as diretrizes de manejo sejam ensaiadas como parte da revisão anual do plano de ação de emergência.

Na educação, o documento recomenda que o clínico tenha conhecimento adequado da estrutura e função do complexo dento-mandibular (força: C) e saiba reconhecer sinais, sintomas e classificações da lesão dentária aguda (força: C). Dada a sobreposição entre os mecanismos de lesão dentária e de concussão, uma avaliação completa de concussão deve acompanhar o exame orofacial (força: C). Profissionais, atletas, pais e treinadores devem ser educados sobre a importância de usar um protetor bucal corretamente ajustado (força: C), sobre os sistemas de classificação de protetores (força: C) e sobre as regras dos órgãos reguladores internacionais, nacionais e estaduais quanto ao uso de protetor em cada esporte (força: C). A Tabela 3 apresenta três sistemas de classificação de protetores bucais — ASTM, ANSI/ADA e Standards Australia/Australian Dental Association — com categorias como termoplástico formado a vácuo ou pela boca, termofixo, personalizado e stock (pré-fabricado); no texto de suporte, que adota apenas o sistema ASTM, os protetores stock (tipo III) e os moldados à boca (tipo I, classe 2) são descritos como os aparelhos mais comuns, pelo baixo custo e a ampla disponibilidade.

Fraturas coronárias e radiculares (recomendações 10–16)

Infrações coronárias não são emergência dentária; o encaminhamento pode ser postergado e o atleta retorna imediatamente ao jogo com protetor bucal in situ — força: C. O mesmo vale para fraturas restritas ao esmalte: o atleta que sente aspereza na borda incisal pode voltar a jogar de imediato, com protetor, e o encaminhamento ao dentista serve para documentação e restauração — força: C. Nas fraturas esmalte-dentina, o atleta retorna conforme a dor permite, com protetor in situ, mas deve ser encaminhado e manejado definitivamente em até 24 horas — força: C; se o fragmento for localizado, deve ser colocado em líquido (água, soro fisiológico ou leite) e enviado com o atleta ao dentista — força: C. No texto de apoio, o documento acrescenta que, se houver kit de emergência dentária disponível e pessoal com conhecimento e experiência suficientes, uma camada fina de pasta de hidróxido de cálcio ou uma mistura de óxido de zinco com eugenol pode ser colocada temporariamente sobre a dentina exposta, para reduzir a sensibilidade e proteger a polpa.

Nas fraturas esmalte-dentina-polpa, o atleta pode retornar conforme a dor permite, com protetor, e deve ser tratado em até 24 horas; se a polpa estiver vital — hemorragem focal visível na camada amarela de dentina e provável queixa de dor aguda — o encaminhamento a um dentista preparado para trauma deve ser imediato — força: C.

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