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Perda de Peso em Esportes por Categoria de Peso

Sobre este resumo

Este texto é um resumo do ACSM Expert Consensus Statement on Weight Loss in Weight-Category Sports, publicado pelo American College of Sports Medicine (ACSM) em 2021, no periódico LACUNA.

Introdução

O documento é um consenso de especialistas do American College of Sports Medicine (ACSM) sobre perda de peso em esportes com categoria de peso e substitui o Position Stand de 1996 do ACSM sobre perda de peso em lutadores. Nesses esportes, a competição é organizada em categorias com o objetivo de criar condições equitativas e maior segurança, pareando competidores com características físicas semelhantes; a lista inclui esportes de combate (boxe, artes marciais e artes marciais mistas, wrestling), levantamento de peso, powerlifting, futebol americano sprint e remo. A exceção é a corrida de cavalos, em que a restrição de peso do jóquei funciona como handicap para o desempenho do cavalo.

A cultura predominante é competir em uma categoria inferior à massa corporal (MC) natural ou de treino diário, para obter vantagem real ou percebida sobre adversários mais leves; "fazer" ou "cortar" peso (making weight) reúne estratégias agudas e crônicas. O texto separa o manejo crônico de MC, conduzido ao longo de semanas ou meses para alterar massa gorda (MG) e massa livre de gordura (MLG), da perda rápida de peso (RWL, rapid weight loss), que manipula água corporal total, glicogênio e conteúdo do trato gastrointestinal em horas ou dias. A RWL tem impacto limitado sobre MG e MLG, mas perda de massa sólida livre de gordura pode ocorrer em apenas 4 dias. O Position Stand de 1996 já recomendava ênfase no manejo crônico, com dieta gradual e ajuste da carga de treino, e cautela com as estratégias agudas.

O documento registra renovado foco nos efeitos de saúde e desempenho dos déficits energéticos crônicos em atletas, ligado ao reconhecimento das preocupações com baixa disponibilidade energética e com as consequências descritas na Tríade do Atleta Feminina e Masculina e na Deficiência Relativa de Energia no Esporte (RED-S). Como esse tema extrapola o escopo, o documento concentra-se na RWL, reconhecendo que ela ocorre sobre um pano de fundo mais amplo de manipulação da composição corporal.

Métodos

O documento se apresenta como um resumo de fatores que devem ser considerados, sem descrever busca sistemática ou meta-análise própria; a única estratégia de busca explicitada é a da Tabela 4. O texto traz tabelas de características por modalidade (Tabela 1), de estratégias de RWL com benefícios e desvantagens (Tabela 2), de recuperação entre pesagem e evento (Tabela 3), de efeitos no desempenho (Tabela 4), de programas e mudanças de regra (Tabela 5) e de recomendações finais (Tabela 6).

A Tabela 4 foi montada a partir de buscas no PubMed que combinaram boxe, esportes de combate, judô, artes marciais mistas, taekwondo ou wrestling com desidratação, making weight, perda de peso ou redução de peso, e desempenho atlético, desempenho ou desempenho físico. A mudança de MC era requisito de inclusão, e as datas aceitáveis começaram em 1996. Os autores reconhecem que protocolos de pesagem mudam com o tempo e variam por esporte, mas consideram o resumo amplo o bastante para uma conclusão geral válida.

Resultados

Características das modalidades que moldam o corte de peso

A Tabela 1 compara as modalidades e mostra como número de categorias, frequência de pesagem e intervalo até a competição modulam as práticas. Em muitos esportes de combate há menos categorias, ou categorias diferentes, no programa olímpico do que em outras competições nacionais ou internacionais. Na corrida de cavalos, o jóquei precisa se pesar novamente após a corrida, o que praticamente elimina a janela de recuperação; no boxe profissional e nas artes marciais mistas, a janela chega a 32 horas. Nessa situação, ganhos médios de MC de até 10%, e valores individuais de 20%, já foram descritos no período de recuperação. Judô e taekwondo introduziram segunda pesagem na manhã do evento para competidores sorteados, com regra que proíbe ganho de MC >5% em relação à pesagem inicial, mas há relatos anedóticos de que a mudança apenas leva o atleta a limitar a recuperação, sem reduzir a magnitude do corte.

A vantagem de uma MC "verdadeira" maior depende do esporte: em modalidades de grappling como wrestling e judô, maior massa muscular e potência podem conferir vantagem, enquanto em modalidades de striking como taekwondo e boxe a estatura e o comprimento de membros contam e se correlacionam apenas parcialmente com a MC; em artes marciais mistas, estudos não mostraram correlação entre ganho rápido de peso (RWG, rapid weight gain) e sucesso competitivo. Remadores leves de sucesso não se encaixam "naturalmente" abaixo do peso-alvo, e os limites históricos para jóqueis no Reino Unido não acompanharam o aumento geracional da MC, sendo baixos demais para quase todos. A magnitude do RWG é usada como medida substituta da RWL, mas pode não ser um indicador acurado.

Estratégias agudas de perda de peso (Tabela 2)

A Tabela 2 organiza as estratégias de RWL em manipulação de água corporal, dos estoques energéticos e do conteúdo gastrointestinal. Restringir líquidos e/ou promover sudorese por exercício até níveis habituais de treino (redução de 2% a 3% da MC) provavelmente tem poucas desvantagens, sobretudo se houver recuperação agressiva após a pesagem; já o foco singular nessas práticas para perder mais de 3% da MC pode ter implicações negativas substanciais para saúde e desempenho.

Na manipulação hídrica, a sudorese passiva (sauna, banho quente, roupas de suor) é relativamente simples e promove altas taxas de sudorese e perda de peso, mas perde preferencialmente volume plasmático e o ambiente termicamente estressante agrava o risco de hipertermia. A sudorese ativa pode ser incorporada ao treino e preserva melhor o volume plasmático que a passiva, porém o exercício adicional pode causar fadiga e dor muscular e reduz ainda mais o glicogênio muscular, exigindo recuperação mais agressiva. A restrição de líquidos pode causar menos distúrbios fisiológicos que outras formas de desidratação, ao custo de sede aumentada e perda mais lenta que a promoção de sudorese. O water loading, grandes volumes de líquido por dias seguidos de restrição súbita na véspera, é simples e passivo, pode favorecer saciedade apesar da baixa ingestão energética, mas ainda é experimental, tende a produzir perda líquida menor que outras técnicas e traz pequeno risco de hiponatremia. Diuréticos são proibidos na maioria dos esportes, reduzem principalmente o volume plasmático e trazem desequilíbrio eletrolítico e risco de cãibras musculares. A retirada de sangue antes da pesagem, com reinfusão depois, é provavelmente proibida na maioria dos esportes e exige condições estéreis para mitigar o risco de infecção.

Nos estoques energéticos, o exercício pode ser integrado ao treino, mas exige reposição de glicogênio para o desempenho em muitas provas, e o exercício adicional e excessivo pode causar fadiga e dor muscular. Restringir a energia da dieta causa fome, perda de energia percebida e redução do glicogênio muscular. Reduzir especificamente o carboidrato permite manter a ingestão de alimentos, sem fome, enquanto se reduz glicogênio e água, mas associa-se a fadiga, sobretudo durante o exercício. No trato gastrointestinal, a restrição de fibras tem impacto mínimo no estado nutricional agudo e pequeno efeito sobre a MC; a restrição de alimentos é de fácil execução, ao custo de fome, perda de energia percebida e redução do glicogênio muscular; laxantes e preparo intestinal são de fácil execução, mas proibidos em alguns esportes e associados a perda de água com prejuízo cardiovascular e a desequilíbrios eletrolíticos.

Vômito, diuréticos proibidos e comprimidos para emagrecer têm baixa prevalência nas pesquisas, mas o uso de ambientes termicamente estressantes, como saunas, permanece comum, e parece haver interesse crescente por water loading. Atletas apontam colegas e treinadores como principais influenciadores das próprias práticas, e os pais influenciam mais os jovens.

Recuperação entre a pesagem e o evento (Tabela 3)

A janela entre pesagem e prova permite corrigir metas nutricionais, mas o que é possível depende do tipo e da magnitude da RWL e do tempo disponível. A Tabela 3 prioriza a restauração de fluidos e de glicogênio muscular, notando que recomendações específicas devem ser aplicadas com cautela e considerações práticas. Quando não há tempo para recuperação completa, o atleta deve priorizar o que é mais importante para a prova e evitar que a alimentação de recuperação interfira no desempenho ou em nova pesagem.

Para reidratação, recomenda-se volume de fluido igual a ~150% do déficit, para cobrir perdas urinárias e sudorese continuada; repor eletrólitos, sobretudo sódio, favorece o reequilíbrio rápido dos compartimentos e reduz perdas urinárias, por exemplo com soluções de reidratação oral ou ~50-60 mmol de sódio. A reposição de eletrólitos importa mais quando a desidratação foi obtida por sudorese do que por restrição hídrica, e a adição de proteína à bebida ou a alimentos consumidos no mesmo momento pode melhorar a retenção de líquido. Um bolus inicial grande (por exemplo, 10 mL/kg) imediatamente após a pesagem, seguido de volumes menores em intervalos regulares, mantém alta taxa de esvaziamento gástrico e pode reduzir a necessidade de beber pouco antes da prova; a relação entre esvaziamento gástrico, que aumenta com volumes maiores, e retenção, maior com ingestão mais lenta e frequente, deve ser considerada. Se houver mais pesagens, em competição de vários dias, o atleta deve reidratar para a primeira luta conforme a importância da hidratação e repetir o protocolo nos dias seguintes; se houver limite de reganho na pesagem de mesa, deve ser cauteloso para que o corte inicial não tenha sido tão severo que impeça a preparação adequada com o reganho permitido.

Para glicogênio, a maior oportunidade está nas até 4 horas após o exercício, quando os estoques estão mais depletados. Recomenda-se ingestão precoce de carboidrato em ~1 g/kg de MC por hora, em refeições pequenas e frequentes, com alimentos ricos em carboidrato de índice glicêmico moderado a alto. A proteína deve ser adicionada às refeições ricas em carboidrato para promover o armazenamento quando a ingestão de CHO é subótima, sobretudo nas primeiras horas, e ~20–25 g de proteína de alta qualidade parecem otimizar esse efeito. A meta diária depende da carga: 5–7 g/kg de MC por dia em carga moderada e 6–10 g/kg de MC por dia em carga intensa até supercompensação, mas as diretrizes são sugestões que precisam ser ajustadas às metas dietéticas e ao retorno do treino de cada atleta. As escolhas alimentares devem considerar as metas de CHO, outras metas nutricionais e o conforto gastrointestinal; opções compactas e à base de líquidos podem ser mais adequadas, com moderação de gordura e fibra. Se o intervalo pós-pesagem for breve (1–2 horas) e a RWL tiver envolvido restrição severa de carboidrato e/ou exercício, pode não haver tempo para reabastecer adequadamente.

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