Introdução
O documento é o quarto oriundo do Safety in College Football Summit de 2016 e trata da prevenção de lesões catastróficas, incluindo morte traumática e não traumática, em atletas universitários. O segundo Safety in College Football Summit já havia gerado recomendações de consenso interassociações para três questões de segurança: cuidado médico independente para atletas universitários, diagnóstico e manejo da concussão relacionada ao esporte e contato em treinos de futebol americano ao longo do ano. As melhores práticas para prevenir lesão catastrófica e morte no esporte universitário estão organizadas em seis áreas-chave: espírito esportivo (sportsmanship), equipamento de proteção, aclimatação e condicionamento, plano de ação de emergência, responsabilidades do pessoal do atletismo e educação e treinamento.
A vigilância de lesões catastróficas no esporte começou de forma mais formal em 1931, com a criação do Annual Survey of Football Injury Research pela American Football Coaches Association; desde 1982, o National Center for Catastrophic Sport Injury Research (NCCSIR), na University of North Carolina, Chapel Hill, é a principal fonte do país sobre lesão catastrófica e morte em esportes organizados em todos os níveis de competição. Para ampliar a vigilância nacional, o NCCSIR se associou ao Consortium for Catastrophic Injury Monitoring in Sport, que inclui a divisão de lesão traumática do Matthew Gfeller Sport-Related Traumatic Brain Injury Research Center da University of North Carolina, Chapel Hill, a divisão de lesão por esforço do Korey Stringer Institute da University of Connecticut e a divisão de lesão cardíaca no esporte da University of Washington. Os pesquisadores identificam dois mecanismos: as lesões catastróficas traumáticas (diretas), causadas diretamente pela participação na atividade esportiva, cujas três principais causas de morte são lesões cerebrais traumáticas, lesões de medula espinal e lesões de órgãos internos; e as não traumáticas (indiretas ou por esforço), resultado do esforço durante a atividade esportiva ou de complicação secundária a uma lesão não fatal, cujas duas principais causas de morte são a morte cardíaca súbita e as lesões por esforço.
Desde 1982, primeiro ano com dados de todas as modalidades universitárias, ocorreram 487 lesões ou doenças catastróficas: 297 (61%) traumáticas e 190 (39%) não traumáticas; em 2016-17, último ano com dados completos, houve 19 eventos catastróficos, cinco deles fatais. O futebol americano tem o maior número de lesões catastróficas traumáticas e não traumáticas entre os esportes universitários: desde 1931 foram 94 mortes traumáticas e 127 não traumáticas, e desde 1960, 51 traumáticas e 99 não traumáticas; ajustando pelo número de participantes, as maiores taxas de lesão traumática catastrófica incluem também ginástica masculina, esqui feminino, hóquei no gelo masculino e ginástica feminina. Entre 2001 e 2017, a razão de mortes não traumáticas para traumáticas no futebol americano universitário foi de 5:1 — 35 mortes não traumáticas contra sete traumáticas.
Métodos
Trata-se de um documento de consenso interassociações: após apresentações e discussões no summit de 2016, representantes das organizações endossantes concordaram com 18 declarações fundamentais preliminares que se tornaram a base do texto, posteriormente revisado por stakeholders e organizações endossantes; este é o documento final endossado. O texto se divide em background, recomendações interassociações, uma checklist para as instituições-membro, referências e apêndices com agenda, participantes do summit e organizações endossantes. O documento não gradua as recomendações por classe ou nível de evidência: elas aparecem como diretrizes em linguagem de "should" (deve), sem força ou certeza formalmente atribuídas — todas figuram neste resumo como não graduadas. Entre as organizações endossantes estão a American Association of Neurological Surgeons, a American Medical Society for Sports Medicine, a National Athletic Trainers' Association, a National Strength and Conditioning Association e a Korey Stringer Institute, entre outras; a American Academy of Neurology afirmou o valor do documento.
Resultados
Padrões de lesão catastrófica
As mortes traumáticas no futebol americano caíram a cada década entre 1960 e 1994, declínio associado a modificações de regras baseadas em pesquisa, melhora do cuidado médico e educação; desde 1994, o número de lesões traumáticas variou, mantendo-se em nível geralmente inferior ao das décadas de 1970 e 1980. Já as mortes não traumáticas permaneceram relativamente estáveis por mais de cinco décadas e ocorrem sobretudo em treinos fora de temporada ou de pré-temporada: das nove mortes não traumáticas de jogadores de futebol americano em todos os níveis em 2017, seis ocorreram em sessões de condicionamento e uma em sessão de fortalecimento; no ano letivo de 2015-16, seis (15%) das 40 lesões catastróficas não traumáticas em todos os esportes ocorreram em sessões de força e condicionamento — ou seja, nos demais esportes, os eventos não traumáticos ocorrem em treinos conduzidos pelos técnicos da modalidade. Enquanto o spearing é frequentemente o mecanismo da lesão traumática catastrófica fatal no futebol, a morte não traumática por esforço está diretamente relacionada à condução e estrutura dos treinos: esforço intenso e sustentado, não específico do esporte, sem razões trabalho-descanso adequadas — a frase original segue com "coupled with modifications for individual risk and precautions" (combinação com modificações para risco individual e precauções), redação internamente ambígua que provavelmente omite um "lack of" (ver Limitações). A era atual, de 2000 em diante, destaca-se pelo treinamento de futebol americano ao longo de todo o ano combinado com a maior incidência de mortes não traumáticas em treino já registrada.
Atletas de futebol americano da NCAA Division I com traço falciforme (sickle cell trait) têm risco maior de eventos catastróficos não traumáticos, incluindo morte; em 2007 a National Athletic Trainers' Association publicou declaração de consenso sobre o tema e, até 2013, as três divisões da NCAA adotaram legislação exigindo a confirmação do status de traço falciforme de todos os atletas antes da participação — política que, junto com precauções dirigidas no local, resultou em queda estatisticamente significativa das mortes por colapso por esforço associado ao traço falciforme (ECAST). Outras medidas legislativas: em 2003 a NCAA implantou legislação de aclimatação de pré-temporada para o futebol e, no mesmo ano, a Division I aprovou um bylaw específico para o futebol das subdivisões Football Bowl Subdivision (FBS) e Football Championship Subdivision (FCS), exigindo que profissionais de força e condicionamento que conduzem atividades voluntárias de offseason sejam certificados em primeiros socorros e RCP e acompanhados por membro da equipe de medicina esportiva com autoridade inquestionável para cancelar ou modificar o treino por razões de saúde e segurança; a Division II aprovou legislação semelhante um ano depois; na Division I o componente de autoridade inquestionável foi estendido a todos os demais esportes além do futebol quando há membro da equipe médica presente; em 2012 a NATA publicou melhores práticas interassociações para prevenção de morte súbita em sessões de força e condicionamento; e, desde 2016, as três divisões exigem certificação de programa de força e condicionamento nacionalmente reconhecido ou acreditado para esses profissionais.
Recomendação 1 — Espírito esportivo (Sportsmanship)
O princípio do espírito esportivo cria um arcabouço moral e ético que rejeita qualquer esforço intencional de usar partes do corpo, uniforme ou equipamento de proteção como arma para lesionar outro atleta ou a si mesmo; o código exige que cabeça e capacete não sejam usados como arma e que esforços antidesportivos de lesionar deliberadamente um adversário estão fora dos limites do jogo justo e legal — o ato não precisa ser proposital para ser considerado infração. As recomendações sobre lesão deliberada, a considerar em todos os esportes, são: (1) o jogador deve ser ejetado imediatamente da competição (além da penalidade específica) já na primeira infração; (2) o replay de vídeo, quando disponível após a competição, pode verificar faltas não marcadas e levar à suspensão da competição seguinte — os conferences têm papel crucial e devem se comprometer com essa responsabilidade; (3) os oficiais que deixarem de marcar essas infrações devem ser educados e/ou disciplinados apropriadamente; e (4) nos esportes com capacete, as regras devem ser ainda desenvolvidas para proibir e penalizar a iniciação de contato com a cabeça/capacete e aplicadas uniformemente.
Recomendação 2 — Equipamento de proteção
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