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Guideline

Protocolo de Concussão da FIFA para Equipes Médicas

Sobre este resumo

Este texto é um resumo do FIFA Concussion Protocol for Medical Staff, publicado pela Fédération Internationale de Football Association (FIFA) em agosto de 2024 (periódico: LACUNA — documento institucional, sem periódico informado).

Introdução

O FIFA Concussion Protocol for Medical Staff é um documento institucional da Fédération Internationale de Football Association (FIFA), datado de agosto de 2024 e identificado pelo lema “Suspect and Protect”. Destina-se a todos os médicos que trabalham com equipes de futebol, integra a campanha de conscientização sobre concussão “Suspect and Protect – No Match Is Worth the Risk” e acompanha o protocolo homólogo voltado ao futebol de base (FIFA Concussion Protocol for Grassroots Football).

O documento define concussão como uma lesão cerebral traumática causada por impacto direto à cabeça, ao pescoço ou ao corpo, com força impulsiva transmitida ao cérebro; isso desencadeia uma cascata de neurotransmissores e metabólica, com possível lesão axonal, alteração do fluxo sanguíneo e inflamação cerebral. Sinais e sintomas podem se apresentar imediatamente ou evoluir em minutos a dias, e embora os sintomas comumente se resolvam em dias, podem ser prolongados; os desfechos variam de nenhum efeito detectável a prejuízos funcionais transitórios ou lesões estruturais potencialmente fatais.

Três características clínicas estruturam o protocolo: a concussão reflete predominantemente um distúrbio funcional, e não uma lesão estrutural — por isso nenhuma anormalidade aparece nos exames de neuroimagem estrutural padrão; nem sempre há perda de consciência; e a resolução dos achados clínicos e cognitivos segue tipicamente um curso sequencial. O princípio operacional central é taxativo: havendo qualquer suspeita de concussão, em qualquer estágio, o jogador deve ser removido da partida ou do treino e avaliado e tratado conforme o protocolo; a FIFA recomenda uma abordagem padronizada e baseada em evidências.

Como os sintomas isolados não distinguem concussão de lesão cervical/vestibular — e ambas podem coexistir —, a avaliação após trauma de encéfalo ou pescoço deve incluir sempre o exame de estruturas associadas: o pescoço (após impacto na cabeça) e o labirinto (após impacto na cabeça ou no pescoço). O material educativo da campanha lista os sinais que o público geral deve conhecer: cefaleia ou pressão, náusea ou vômito, visão distorcida, embaçada ou dupla, problemas de equilíbrio, tontura ou instabilidade, sensibilidade à luz e/ou ao ruído, problemas de memória, sensação de sonolência, confusão ou incapacidade de focar e problemas de sono.

Métodos

Trata-se de um protocolo institucional da FIFA: as recomendações são apresentadas em texto corrido e em tabelas operacionais, sem graduação formal de força ou nível de evidência (todas são, portanto, “não graduadas”). O fluxo clínico proposto para as primeiras 72 horas após um incidente potencialmente concussivo é sistematizado em etapas: observação e reconhecimento; inspeção e exame iniciais (em campo); exame fora de campo; exames pós-incidente, observação e seguimento; observação e reexame seriado até que a concussão possa ser excluída; e Programa Graduado de Retorno ao Futebol.

Os elementos do exame inicial em campo baseiam-se na versão mais recente da Sport Concussion Assessment Tool (SCAT, atualmente SCAT6) e na diretriz do UK National Institute of Health and Care Excellence (NICE); o manejo de emergências segue os princípios do FIFA Emergency Care Manual; e a tabela de sinais de vídeo de possível concussão foi adaptada de Serner, Araújo, Beasley et al. (2023). O documento encerra com uma lista de 31 referências bibliográficas, que inclui recomendações prévias para exame inicial e manejo de concussão no futebol de alto nível e a revisão em vídeo de impactos de cabeça durante a FIFA Arab Cup 2021.

Resultados

Planejamento pré-jogo e exame de base

O protocolo recomenda planejamento adequado para incidentes de concussão (com processo de avaliação padronizado), realização de exames de base e um plano estruturado de manejo pós-concussão. Para isso, a FIFA propôs o FIFA Pre-Match Emergency Action Plan, protocolo padronizado no qual as equipes médicas se organizam com papéis predeterminados para oferecer cuidado prioritário em emergências, afastando-se da dinâmica reativa tradicional em direção a um modelo proativo de preparação.

No pôster do plano de ação, a prioridade inicial da equipe é sempre avaliar potencial parada cardíaca súbita: o atleta colapsado e irresponsivo deve ser tratado como parada cardíaca até prova em contrário. Sem sinais de vida, inicia-se compressão torácica contínua com chamado para aplicação do desfibrilador externo automático (DEA), com rodízio das compressões após 2 minutos; o manejo de vias aéreas inclui imobilização da coluna cervical, manobras de abertura, jaw thrust e inserção de máscara laríngea (i-Gel ou similar), com ventilação por bolsa-válvula a cada 10 compressões; o oxigênio é aplicado em máscara de trauma a 15 l.

O exame de base é a avaliação feita em momento em que o jogador não teve concussão recente (por exemplo, pré-temporada), e serve para comparar sinais e sintomas após uma concussão e apoiar a decisão de retorno. A FIFA recomenda usar a versão mais recente do SCAT (atualmente a versão 6) nos exames de base; o instrumento mede consciência, orientação, função neurocognitiva, sintomas autorrelatados e estabilidade postural, além de incluir avaliação aguda com sinais de alerta, Escala de Coma de Glasgow, função da coluna cervical e triagem neurológica.

O documento detalha os limites de uso do instrumento: o SCAT discrimina melhor atletas com e sem concussão até sete dias pós-lesão, com utilidade clínica decrescente após 72 horas; para avaliações após sete dias, deve-se considerar a Sport Concussion Office Assessment Tool 6 (SCOAT6). O SCAT6 destina-se a adolescentes (>12 anos) e adultos; para crianças de 8 a 12 anos usa-se o Child SCAT6. Ele não é ferramenta diagnóstica isolada nem deve ser usado sozinho em decisões de retorno ao jogo.

Observação e reconhecimento (Tabela 1)

Os médicos devem observar a partida ou o treino atentos a mecanismos que possam causar concussão — particularmente prevalentes em disputas aéreas —, e o mecanismo de lesão e o comportamento do jogador são mais bem reconhecidos por observação direta, apoiada, se possível, por revisão imediata de vídeo. A Tabela 1 lista sinais de vídeo de possível concussão em duas categorias. Sinais de alerta vermelhos (red flags): convulsão de impacto, postura tônica, ausência de ação protetora/flacidez, incoordenação motora, vômito e sinais visíveis após retorno ao jogo após avaliação médica — conduta: recomendar substituição e avaliação clínica. Sinais de alerta amarelos (yellow flags): jogador imóvel no solo (com alta ou baixa suspeita de inconsciência), olhar vazio/vago, desorientação, mecanismo de impacto preocupante (impacto de alta força, duplo impacto na cabeça), sangramento facial ou no couro cabeludo e sinais visíveis após retorno ao jogo sem avaliação médica — conduta: recomendar revisão de vídeo.

Onde permitido pelas competições, recomenda-se o uso de observadores de concussão (concussion spotters), que fornecem informação sobre mecanismo e sinais iniciais; um programa desse tipo já é padrão em todas as competições da FIFA.

Avaliação inicial em campo e diagnósticos diferenciais de emergência

O objetivo da avaliação em campo é identificar sinais ou sintomas de concussão — ou suspeitá-la mesmo na ausência deles —; qualquer suspeita de achado anormal deve deflagrar exame apropriado, dada a potencial gravidade neurológica. A inspeção concentra-se em sinais visíveis (perda de consciência, vômito, mecanismo de lesão) e o exame avalia sinais nucleares de comprometimento neurológico de diferentes áreas cerebrais e de lesão da coluna cervical ou intra-raquidiana; qualquer perda de consciência ou escore <15 na Escala de Coma de Glasgow indica lesão cerebral. A equipe pode ser auxiliada por replays de vídeo ou relatos de testemunhas, com procedimentos e linhas de comunicação acordados antes da partida/treino no plano de ação de emergência.

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