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Guideline

Questões Específicas da Atleta Feminina para o Médico de Equipe: Parecer de Consenso

Sobre este resumo

Consenso de seis sociedades médicas norte-americanas (2003) que orienta o médico de equipe sobre questões específicas da atleta: lesão do LCA, articulação patelofemoral, ombro, fraturas por estresse, osteopenia/osteoporose, distúrbios alimentares, disfunção menstrual e gravidez/contracepção, com itens classificados como essenciais ou desejáveis.

Introdução

O documento parte da definição de que atletas do sexo feminino apresentam lesões musculoesqueléticas e problemas médicos decorrentes da atividade atlética ou que a impactam, e afirma que o médico de equipe precisa compreender as implicações específicas de gênero dessas questões. O objetivo declarado é auxiliar o médico de equipe a oferecer o cuidado médico ideal à atleta.

O consenso organiza o conteúdo em blocos temáticos: lesões do ligamento cruzado anterior (LCA), articulação patelofemoral, condições do ombro, fraturas por estresse, osteopenia e osteoporose, distúrbios alimentares, disfunção menstrual e gravidez/contracepção.

Métodos

Trata-se de uma declaração de consenso desenvolvida por uma colaboração de seis associações profissionais dedicadas a questões clínicas de medicina esportiva: American Academy of Family Physicians, American Academy of Orthopaedic Surgeons, American College of Sports Medicine, American Medical Society for Sports Medicine, American Orthopaedic Society for Sports Medicine e American Osteopathic Academy of Sports Medicine.

O documento não atribui classes de recomendação nem níveis de evidência formais. As orientações aparecem em dois graus: o que é "essencial" (it is essential the team physician) e o que é "desejável" (it is desirable the team physician) que o médico de equipe compreenda ou execute. Neste resumo, esses graus são mantidos como "essencial" e "desejável"; a certeza da evidência não é graduada pelo documento.

O texto se encerra com uma lista de leituras selecionadas (selected readings) organizada por tema (LCA, articulação patelofemoral, ombro, fraturas por estresse, questões ósseas, distúrbios alimentares, disfunção menstrual e gravidez/contracepção), sem descrição de método de revisão sistemática.

Resultados

A atleta e as lesões do ligamento cruzado anterior (LCA). É essencial que o médico de equipe compreenda que a mulher tem risco aumentado de lesão do LCA em múltiplos esportes e atividades, que conheça a anatomia, a biomecânica e os mecanismos de lesão do LCA e as estratégias de tratamento, incluindo as indicações cirúrgicas (todos essenciais, certeza não graduada). É desejável que compreenda as estratégias atuais de prevenção, coordene uma rede para identificar fatores de risco e implementar tratamento e compreenda as potenciais sequelas de longo prazo da lesão do LCA.

Na epidemiologia, a taxa de lesão do LCA sem contato é de 2 a 10 vezes maior em atletas femininas do que em atletas masculinos equivalentes; exemplos de esportes de alto risco incluem basquete, hóquei em campo, lacrosse, esqui e futebol.

Na fisiopatologia, as causas das lesões sem contato podem ser multifatoriais: os riscos propostos incluem fatores ambientais, anatômicos, hormonais, biomecânicos e neuromusculares. Essas lesões ocorrem comumente durante desaceleração, aterrissagem ou mudança de direção (cutting); as posições de risco durante essas manobras incluem extensão do joelho, pé plano e posição corporal fora de equilíbrio.

Na avaliação e no tratamento, é essencial delinear o mecanismo da lesão, conduzir exame físico completo do joelho incluindo avaliação do LCA, conhecer as indicações e a utilidade dos métodos de imagem, conhecer as indicações para consideração cirúrgica e facilitar reabilitação precoce para melhorar força, flexibilidade e controle neuromuscular. É desejável revisar os resultados dos exames de imagem e compreender os princípios do manejo cirúrgico da lesão do LCA.

Na prevenção, é essencial compreender que fatores neuromusculares podem contribuir para o maior risco de lesões do LCA sem contato e podem ser passíveis de prevenção com programas específicos de condicionamento, reconhecendo que esses programas podem precisar ser específicos por gênero. É desejável identificar os fatores de risco propostos durante a avaliação pré-participação, coordenar um programa de prevenção e educar atletas, pais, treinadores e outros profissionais de saúde, incluindo informação sobre posições de risco e situações de jogo associadas à lesão do LCA.

A atleta e a articulação patelofemoral. É essencial compreender a anatomia e a biomecânica da articulação patelofemoral e os mecanismos de dor e disfunção patelofemoral; é desejável coordenar a avaliação e o tratamento das atletas com problemas patelofemorais e compreender as potenciais sequelas de longo prazo.

Problemas patelofemorais ocorrem frequentemente em atletas femininas e resultam de macrotrauma e microtrauma. A mecânica patelofemoral normal envolve equilíbrio entre alinhamento ósseo, cartilagem articular, tecidos moles (ligamentos, músculos, tendões, fáscia) e ativação neuromuscular coordenada. A dor e a disfunção patelofemoral são multifatoriais (mau alinhamento, lesões de cartilagem articular, instabilidade, fatores de tecidos moles e questões psicossociais), e a dor patelofemoral pode ocorrer em um joelho aparentemente normal. Os fatores de risco incluem mau alinhamento estático e/ou dinâmico de pelve, quadril, joelho, tornozelo e pé; fraqueza e/ou desequilíbrio muscular e inflexibilidade; posição e/ou morfologia patelar alterada; e trauma, sobrecarga e/ou erros de treinamento.

Na avaliação e no tratamento, é essencial delinear os pontos-chave da história do problema patelofemoral, conduzir exame específico, conhecer indicações e utilidade da imagem e compreender o manejo não operatório, que inclui educação da paciente, modificação de atividade, reabilitação, imobilizações (bracing), órteses (orthoses) e medicamentos. É desejável revisar os resultados da imagem e compreender princípios e indicações do manejo cirúrgico.

Na prevenção, é essencial conhecer os fatores de risco dos problemas patelofemorais; é desejável identificar fatores de risco na avaliação pré-participação, implementar um programa de rastreamento de fatores de risco e educar atletas, pais, treinadores, administradores e profissionais de saúde.

A atleta e as condições do ombro. É essencial compreender a anatomia e a biomecânica do ombro e os mecanismos de lesão e disfunção; é desejável reconhecer que condições do ombro podem resultar de desequilíbrios de força e flexibilidade ou de lesões em outras partes do corpo, identificar os fatores de risco associados e coordenar a avaliação e o tratamento.

Exemplos de esportes de alto risco para o ombro incluem mergulho, ginástica, natação, tênis, esportes de arremesso e voleibol; as condições do ombro resultam de macrotrauma e microtrauma. A função do ombro depende da integração de ativação neuromuscular coordenada, rigidez capsular/ligamentar e posicionamento glenoumeral e escapulotorácico. O ombro da atleta corre risco de lesão pelo aumento da carga biomecânica, associado a fatores de risco específicos: maior frouxidão articular (translação), maior flexibilidade muscular e articular (amplitude de movimento), menor força da parte superior do corpo e postura inadequada e déficits adquiridos de rotação interna.

Na avaliação e no tratamento, é essencial delinear os pontos-chave da história, conduzir exame completo da condição do ombro (incluindo amplitude de movimento, instabilidade, patologia do manguito rotador e disfunção escapular), conhecer as indicações e a utilidade da imagem e compreender os princípios da reabilitação do ombro. É desejável avaliar desequilíbrios de força e flexibilidade ou lesões em outras partes do corpo que possam contribuir, revisar a imagem e compreender princípios e indicações do manejo cirúrgico.

Na prevenção, é essencial conhecer os fatores de risco das condições do ombro; é desejável identificá-los na avaliação pré-participação, implementar rastreamento e educar atletas, pais, treinadores, administradores e profissionais de saúde.

A atleta e as fraturas por estresse. É essencial compreender que uma fratura por estresse na atleta pode ser lesão isolada ou indicar problemas médicos e psicossociais subjacentes, de modo que avaliação e tratamento devem levar em conta a etiologia, e que certas fraturas por estresse têm alto risco de complicações e sequelas de longo prazo. É desejável coordenar, quando necessário, avaliação e tratamento multidisciplinares.

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