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Parecer de Posição da NATA: Redução de Comportamento de Contato Cabeça-Primeiro no Futebol Americano

Sobre este resumo

Declaração de posicionamento da NATA (2022) que atualiza o documento de 2004 e apresenta 14 recomendações, classificadas pela taxonomia SORT, para reduzir o comportamento de contato cabeça-primeiro no futebol americano, abrangendo educação e administração, desenvolvimento de habilidades, regras e regulamentos, e tecnologia e pesquisa científica.

Introdução

Este documento é uma declaração de posicionamento (position statement) da NATA que atualiza o posicionamento de 2004, intitulado "Head-Down Contact and Spearing in Tackle Football", cujas 24 recomendações originais visavam reduzir comportamentos de risco associados a fraturas e luxações da coluna cervical e a lesões cerebrais traumáticas. Naquele documento, o tackle com a cabeça baixa (head-down tackling) era definido como o uso do topo ou da coroa do capacete para iniciar o contato, e o spearing como o uso deliberado e intencional dessa técnica. Apesar de uma regra antiga que proíbe o spear tackle e de programas educacionais mais recentes, o comportamento de contato iniciado pela cabeça continua comum no futebol americano com tackle, o que motivou esta atualização. Neste posicionamento, comportamento de contato cabeça-primeiro (head-first contact behavior) refere-se a jogadores que iniciam o contato com a cabeça, independentemente de onde o impacto se inicia (topo ou frente do capacete) ou do que estão fazendo (tackle, bloqueio ou carregar a bola).

O objetivo é oferecer recomendações baseadas em evidência para reduzir a prevalência do comportamento de contato cabeça-primeiro em jogadores de futebol americano, com a finalidade de reduzir o risco de lesões de cabeça e pescoço. O uso da cabeça como ponto de contato é causa direta, persistente e bem documentada de lesão catastrófica de cabeça e coluna cervical, e as exposições repetidas a impactos na cabeça associadas a esse comportamento podem se relacionar a condições neurocognitivas de longo prazo, como demência, depressão e encefalopatia traumática crônica. Medições in vivo mostraram que os jogadores podem sofrer alta frequência de impactos na cabeça por temporada, com os impactos na coroa produzindo as maiores acelerações; em 2011, os primeiros dados biomecânicos in vivo de um tackle cabeça-primeiro resultaram em fratura de coluna cervical e concussão. Dados das temporadas atléticas de 2011–2012 e 2013–2014 mostraram que jogadores de futebol americano do ensino médio dos EUA tinham a maior taxa de concussão relacionada ao esporte; a maioria dos impactos que resultam em concussão nesses atletas ocorre na frente do capacete, e a maior proporção dos que envolvem perda de consciência ocorre no topo da cabeça. Entre 2010 e 2019, foram relatadas 287 lesões catastróficas de cabeça e pescoço no futebol americano escolar e universitário, com 40 fatalidades.

Métodos

Trata-se de uma declaração de posicionamento da NATA, elaborada com base na literatura científica e em consenso de especialistas, que atualiza o documento de 2004. As recomendações são classificadas com as letras A, B ou C conforme a taxonomia de força de recomendação (Strength of Recommendation Taxonomy, SORT), desenvolvida pela American Academy of Family Physicians. O objetivo foi apresentar recomendações abrangendo quatro domínios: (1) educação e administração; (2) desenvolvimento de habilidades e modificação de comportamento; (3) regras e regulamentos; e (4) tecnologia e pesquisa científica. Os autores reconhecem que poucos dados de desenhos de ensaios controlados sustentaram a efetividade das medidas para reduzir o contato cabeça-primeiro; a literatura epidemiológica e de estudos de caso, modelos de outros esportes e o consenso de especialistas embasam as recomendações que carecem de evidência de alto nível. A responsabilidade pela implementação não deve recair apenas sobre o athletic trainer (AT), que pode integrar uma equipe multidisciplinar dentro da estrutura organizacional. Todos os interessados devem se comprometer a trabalhar juntos, usando estratégias que aumentem a saúde e a segurança dos jogadores ao reduzir os impactos cabeça-primeiro e limitar o contato com a cabeça, tanto intencional quanto não intencional.

Resultados

Recomendações 1–5: Educação e Administração

1. Desenvolver e exigir educação consistente e atualizada para os jogadores sobre os perigos do contato cabeça-primeiro no futebol americano, quanto ao risco de lesão de cabeça e pescoço (força da recomendação, SOR: C). 2. Desenvolver e exigir educação documentada para treinadores em todos os níveis de jogo, incluindo o infantil, sobre os perigos de ensinar, instruir ou permitir o contato cabeça-primeiro (SOR: C). 3. Desenvolver e exigir educação para árbitros em todos os níveis sobre os mecanismos e os perigos do contato cabeça-primeiro e sua relação com a arbitragem de treinos e jogos (SOR: C). 4. Entidades organizadoras que envolvem menores devem comunicar-se regularmente com pais e responsáveis legais para descrever as estratégias de redução do contato cabeça-primeiro e seus desfechos potencialmente arriscados (SOR: C). 5. Incentivar treinadores, especialistas em força e condicionamento, administradores, ATs, médicos de equipe e diretores de liga a se reunir regularmente e trabalhar juntos para discutir, implementar e revisar estratégias que reduzam o comportamento (SOR: C).

Recomendações 6 e 7: Desenvolvimento de habilidades e modificação de comportamento

6. Introduzir técnicas progressivas baseadas em evidência para evitar o contato cabeça-primeiro durante a corrida com a bola, o tackle e o bloqueio antes da primeira exposição ao futebol americano com tackle (primeiros participantes, pré-temporada) (SOR: B). 7. Ensinar até que a maestria seja alcançada e reforçar a manutenção de habilidades apropriadas de tackle e bloqueio que dissuadam explicitamente o comportamento de contato cabeça-primeiro, em todos os níveis de jogo (SOR: B).

Recomendações 8–10: Regras e Regulamentos

8. Como sessões de treino com contato pleno (tackle ao vivo, derrubar o oponente ao chão) aumentam as oportunidades de comportamento cabeça-primeiro, regular o tempo dedicado a essas sessões por semana para assegurar foco suficiente em instrução apropriada à idade, manutenção e maestria de habilidades adequadas (SOR: B). 9. Adaptar a estrutura do treino eliminando ou modificando drills que não reforcem comportamentos ou técnicas adequados e seguros de tackle e bloqueio (SOR: B). 10. Aplicar consistentemente penalidades ou multas (ou ambas) para contato cabeça-primeiro, spearing ou targeting em todos os níveis de jogo e para todas as posições (SOR: C).

Recomendações 11–14: Tecnologia e Pesquisa Científica

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