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Registro de Lesões e Doenças nos Esportes de Neve

Sobre este resumo

Este texto é um resumo da Snow sports-specific extension of the IOC consensus statement: methods for recording and reporting epidemiological data on injury and illness in sports, extensão da declaração de consenso do International Olympic Committee (IOC) encomendada pela Athlete Health Unit (AHU) da Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS) e publicada em 2024, no periódico British Journal of Sports Medicine.

Introdução

Em outubro de 2020, o International Olympic Committee (IOC) publicou uma declaração de consenso com recomendações atualizadas sobre métodos de registro e relato de dados epidemiológicos de lesões e doenças no esporte, aplicáveis a diferentes esportes e contextos. Como os autores da declaração reconheceram que aspectos adicionais precisam ser considerados em esportes específicos, já haviam sido publicadas extensões para tênis, ciclismo, golfe, artes circenses e futebol, além de três suplementos sobre saúde da atleta feminina, saúde mental e esporte paralímpico.

A Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS) governa seis disciplinas olímpicas (esqui alpino, esqui cross-country, salto de esqui, combinado nórdico, esqui freestyle e snowboard) e também administra as disciplinas Para Alpine, Para Cross-Country e Para Snowboard, sendo reconhecida pelo Comitê Paralímpico Internacional; biatlo e esqui de montanha são regidos por outras federações (IBU e ISMF, respectivamente).

O objetivo do documento foi desenvolver uma extensão específica para esportes de neve (snow sports) da declaração do IOC, promovendo a harmonização dos métodos de registro de lesões e doenças entre atletas de todos os níveis e categorias nas disciplinas governadas pela FIS. Embora não tratados diretamente, espera-se que a extensão seja ao menos parcialmente aplicável a esportes de neve relacionados, como biatlo, esqui de montanha e paraesportes de neve.

A definição ampla de problema de saúde adotada justifica-se pelas taxas notavelmente altas de lesões leves de início súbito e de início gradual em algumas disciplinas de neve e pela ocorrência frequente de infecções respiratórias leves e de doenças respiratórias não infecciosas, como disfunção de vias aéreas inferiores, no esqui cross-country. Os autores destacam que isso é especialmente importante porque as lesões graves de início súbito têm sido o foco principal dos programas de vigilância de associações nacionais e internacionais de esqui alpino e snowboard.

Métodos

Trata-se de uma declaração de consenso. A Athlete Health Unit (AHU) da FIS encarregou o primeiro autor de conduzir a padronização internacional dos métodos de registro de lesões e doenças e de presidir o processo; o último autor (membro central da declaração do IOC e coautor de duas extensões esporte-específicas e de seu suplemento de saúde da atleta feminina) atuou como investigador sênior e supervisor do projeto. Foi selecionado um painel de consenso de 28 membros, composto por pesquisadores, funcionários de associações nacionais de esqui/snowboard, médicos e fisioterapeutas de equipe e ex-atletas de elite com experiência em vigilância de lesões e doenças na neve.

O painel foi descrito como equilibrado em sexo (12 mulheres e 15 homens), formação e nacionalidades líderes em esportes de neve. Os autores reconhecem que pessoas da Europa Central e Oriental, da Ásia, da Commonwealth e de países da América do Sul podem estar sub-representadas, mas atribuem isso à ausência desses países dos esportes de neve em geral, e não a viés de seleção do painel; entre as nações asiáticas líderes, Japão e China não foram representados, e não havia treinadores ativos no painel.

Para envolver a perspectiva do atleta, uma ex-atleta de nível mundial e representante da Comissão de Atletas do IOC, hoje médica, integrou o painel.

A revisão de evidências baseou-se na declaração do IOC, nas extensões esporte-específicas publicadas até então e nos três suplementos (saúde da atleta feminina, saúde mental e esporte paralímpico), além de revisões de literatura e publicações originais dos últimos 5 anos identificadas por busca no PubMed em 18 de agosto de 2022, com os termos alpine ski, cross-country ski, ski jump, freestyle ski e snowboard*, restritas a estudos do contexto esportivo competitivo. Seis referências adicionais foram fornecidas durante o processo (busca de 12 de julho de 2023) e outras quatro na etapa final (busca de 16 de maio de 2024). Dado o pequeno número de artigos relevantes, os autores decidiram não resumir sistematicamente a evidência.

O processo de consenso envolveu subgrupos temáticos (especificidades de contexto de aplicação, S-ACS; de nível, S-LS; tópicos abrangentes, S-OT; especificidades de disciplina, S-SDS; e de sexo, S-SS), que se reuniram em workshops virtuais. Após a síntese das contribuições, não houve mudanças substanciais no conteúdo das recomendações previamente acordadas; três rodadas de revisão (revisão dos líderes de subgrupo, revisão do painel 1 e revisão do painel 2) consistiram principalmente de feedback sobre a apresentação do conteúdo e a ilustração dos exemplos, além de correções formais, até que todos os autores aprovassem a versão final, aceita em 5 de outubro de 2024.

Resultados

Definição e classificação dos problemas de saúde

Para definir e classificar lesões e doenças, os autores consideram a declaração do IOC e seus suplementos de atleta feminina, saúde mental e esporte paralímpico integralmente aplicáveis ao contexto dos esportes de neve. Problema de saúde é qualquer condição que reduza o estado normal de saúde plena do atleta, independentemente de consequências para a participação ou o desempenho esportivo ou de busca por atendimento médico. Para as áreas de relação com a atividade esportiva, “múltiplos eventos e problemas de saúde” e “problemas subsequentes, recorrentes ou exacerbados”, não há necessidade de recomendações específicas para esportes de neve.

A vigilância deve abandonar a dicotomia simples agudo versus overuse e adotar um sistema mais refinado que descreva a apresentação (início súbito ou gradual) e o mecanismo subjacente (agudo ou repetitivo). A Tabela 2 traz exemplos por disciplina: lesão aguda de início súbito (ruptura do LCA em esquiador alpino após a borda do esqui prender na neve), lesão por mecanismo repetitivo com início súbito (fratura por estresse de fíbula em saltador; “shin-bang” em esquiador alpino) e início gradual repetitivo (dor lombar progressiva com alterações degenerativas em atleta de aerials; joelho do saltador; síndrome compartimental crônica por esforço em esquiador cross-country jovem). Entre as doenças, os exemplos são problemas gastrointestinais agudos (vômitos e diarreia após refeição em restaurante com higiene inadequada), broncoconstrição induzida por exercício em atleta de combinado nórdico e alergia a pólen conhecida, com olhos irritados, coriza e espirros episódicos de instalação gradual.

Para descrever a ocorrência da lesão, a Tabela 3 propõe descritores padronizados por disciplina (esqui alpino/snowboard e cross, freestyle, cross-country e salto de esqui), organizados em: gatilho inicial presumido (erros técnicos/táticos, condições de neve, equipamento, dificuldade do percurso, clima, velocidade, fadiga), dados gerais do acidente (data/local, condições ambientais, treino ou competição, subdisciplina, terreno, seção do percurso, número de dias consecutivos e de descidas no dia), situação de esqui/condução, comportamento do atleta (em equilíbrio, desequilibrado, queda, colisão), liberação adequada de fixação/airbag, uso de capacete/protetor e mecanismo classificado como contato direto, contato indireto ou sem contato. Essas sugestões representam uma compilação de “melhores práticas” para um cenário ideal.

Dados autorrelatados pelo atleta e coletados pela equipe devem ser capturados separadamente e combinados para maximizar a qualidade. Quando o objetivo for análise etiológica dos mecanismos de lesão, recomenda-se compilar dados complementares (gravações em vídeo, dados de sensores vestíveis e depoimentos de atletas/treinadores) para análises post hoc por especialistas. Em contextos de recursos limitados (categorias de base, recreação), deve-se ao menos indicar se o mecanismo foi contato direto, indireto ou sem contato.

Classificação dos diagnósticos

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