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Guideline

Registro de Lesões e Doenças no Esporte Paralímpico

Sobre este resumo

Este texto é um resumo do Para sport translation of the IOC consensus on recording and reporting of data for injury and illness in sport, elaborado por autores vinculados ao Comitê Médico do International Paralympic Committee (IPC) e a centros de pesquisa do International Olympic Committee (IOC), em formato de manuscrito; data de publicação e periódico não identificados no PDF (LACUNA).

Introdução

Em 2020, o International Olympic Committee (IOC) propôs uma metodologia universal para o registro e o reporte de dados de lesão e doença no esporte. Como o Para esporte é praticado por indivíduos com deficiência (impairment), que apresentam um conjunto próprio de considerações não capturado por aquelas recomendações, este documento foi elaborado como um adendo ao consenso do IOC, com o objetivo de guiar o pesquisador de Para esporte pelas complexidades e nuances da coleta, do registro, do reporte e da interpretação de dados de saúde do Para atleta.

Com o crescimento do Para esporte nas últimas décadas, aumentou significativamente o número de publicações sobre lesão e doença nessa população, e os dados disponíveis indicam que, em muitos cenários esportivos, as taxas de lesão e doença são maiores em atletas Paralímpicos do que em seus pares Olímpicos, o que torna os programas de prevenção especialmente importantes. A coleta e o reporte de dados de saúde acurados constituem o primeiro passo desse processo e foram identificados como alvo de melhoria no contexto do Para esporte. Para ganhar consistência nas definições e no reporte, o IOC produziu um consenso no início de 2020, seguido de traduções específicas por modalidade (tênis e golfe); esta tradução para o Para esporte orienta o pesquisador na descrição dos tipos de deficiência, das classificações e dos problemas de saúde associados à participação esportiva.

O documento fixa terminologia essencial: Para athlete é o termo do International Paralympic Committee (IPC) para o esportista com deficiência que participa de esportes reconhecidos pelo IPC, diferente de Paralympian ou Paralympic athlete, que se refere especificamente ao Para atleta que já competiu em Jogos Paralímpicos; Para sport designa apenas esportes reconhecidos pelo IPC e inclui competidores afetados por um ou mais dos 10 tipos elegíveis de deficiência. Pela Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (ICF) da Organização Mundial da Saúde, impairment é “qualquer perda ou anormalidade de estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica”, e disability é um termo guarda-chuva para impairments, limitações de atividade e restrições de participação; o termo wheelchair athlete, historicamente associado à lesão medular, hoje é considerado pouco útil na pesquisa, e devem-se usar terminologia específica do esporte e da deficiência.

Métodos

A tradução foi desenvolvida após a publicação do consenso do IOC, por iniciativa de WD, que atuou como chairperson. O grupo inicial foi selecionado no comitê médico do IPC e na equipe de gestão do IPC e ampliado com autores do consenso do IOC e outros pesquisadores experientes em epidemiologia do Para esporte. Conduziu-se um processo formal de desenvolvimento de consenso, modificado para formato exclusivamente on-line por causa das restrições de viagem da pandemia de COVID-19. Segundo a seção de métodos, o processo ocorreu em 9 fases — incluindo discussões iniciais, sete grupos de trabalho temáticos, circulação de minuta, reunião de consenso de dois dias em 29-30 de junho de 2020, reunião final em 4 de agosto de 2020 e revisão e aprovação da minuta final por todos os autores — e, em todas as instâncias, o consenso foi alcançado por unanimidade. O documento foi escrito especificamente para ser lido em paralelo com o consenso do IOC e, salvo indicação em contrário, está de acordo com as recomendações dele; a ordem das seções difere porque definir a população de Para atletas é considerado de importância crítica desde o início de qualquer trabalho de vigilância. Nenhum autor declarou conflito de interesse e não houve financiamento.

Resultados

Características da população em estudo

O tipo de deficiência do atleta e o diagnóstico/condição médica subjacente devem fazer parte da informação demográfica mínima coletada na vigilância de lesões e doenças no Para esporte, pois o diagnóstico de base está frequentemente relacionado ao risco de lesão e doença e é mal registrado ou ausente — por exemplo, o atleta com lesão medular completa que usa cadeira de rodas diariamente tem risco aumentado de lesão de ombro, e o atleta amputado tem risco aumentado de lesão ou doença de pele na interface coto-prótese. O documento distingue três conceitos frequentemente confundidos: para ser elegível, o atleta precisa de um diagnóstico capaz de gerar um impairment, que deve ser um dos 10 tipos elegíveis do código de classificação do IPC (força muscular diminuída; amplitude passiva de movimento diminuída; deficiência de membro; diferença de comprimento de pernas; baixa estatura; hipertonia; ataxia; atetose; deficiência visual; deficiência intelectual); os atletas são então agrupados em classes funcionais segundo as regras da federação, alinhadas ao código do IPC, com base no grau de limitação de atividade; e, para determinar risco de lesão e doença, é preciso identificar o diagnóstico ou processo fisiopatológico subjacente ao impairment elegível (ex.: paralisia cerebral causando atetose). Sempre que possível, o diagnóstico deve ser obtido por avaliação de clínico licenciado/registrado ou por prontuário médico clinicamente verificado, em preferência ao autorrelato do atleta ou da equipe.

Para fins de vigilância, os diagnósticos devem ser agrupados de forma pragmática, específicos o bastante para avaliação de risco e prevenção, mas sem subcategorias tão detalhadas que reduzam o poder estatístico ou comprometam a confidencialidade de indivíduos com diagnóstico único (ex.: condições genéticas raras). A Figura 1 é um esquema de categorização diagnóstica e de relação com os impairments elegíveis do IPC, e sua legenda lista os tipos elegíveis — força muscular diminuída, amplitude passiva de movimento diminuída, deficiência de membro, diferença de comprimento de pernas, baixa estatura, hipertonia/ataxia/atetose, deficiência visual e deficiência intelectual; a recomendação literal da nota da figura é que, no mínimo, os grandes grupos diagnósticos ou de impairment indicados nos quadros de contorno duplo sejam registrados. O movimento Paralímpico, iniciado em 1948 com uma pequena competição de atletas com lesão medular, expandiu-se para incluir atletas com muitos diagnósticos subjacentes diferentes.

Sobre equipamentos adaptados, a interface íntima atleta-equipamento pode impactar carga e biomecânica e, portanto, o risco de lesão ou doença, devendo ser considerada na vigilância; a Figura 2 traz o padrão mínimo de categorias de equipamento adaptado e, se o atleta usa mais de um tipo no dia a dia (ex.: cadeira de rodas manual e muletas), deve-se reportar o usado com mais frequência. Equipamentos esporte-específicos (ex.: prótese esportiva, mono ski, trenó de hóquei) não entram no esquema, mas devem ser considerados em análises detalhadas; em atletas com deficiência visual, a eventual participação do guia na causa da lesão deve ser registrada. As categorias recomendadas nas Figuras 1 e 2 estão reproduzidas no formulário de reporte de lesão e doença do Apêndice 2.

Definição e classificação de problemas de saúde

Um problema de saúde atlético é definido como qualquer condição que reduza o estado normal de plena saúde do atleta, independentemente das consequências para a participação ou o desempenho esportivo ou de ter buscado atenção médica; como o Para atleta, por definição e pelos critérios mínimos de elegibilidade, tem um estado basal de saúde alterado, o problema de saúde deve ser registrado quando o atleta passa de qualquer estado de saúde para um estado “menos saudável”. Comorbidades associadas ao próprio impairment podem se manifestar no ambiente esportivo sem ser consequência direta da participação esportiva — informação valiosa para planejamento assistencial, mas que deve ser tratada como fator de confusão na atribuição epidemiológica; por isso, o grupo de consenso recomenda fortemente o uso da avaliação pré-participação (PPE), da avaliação periódica de saúde (PHE) e da coleta longitudinal de dados. A Tabela 1 exemplifica comorbidades associadas a diagnósticos, como infecção urinária na lesão medular, diminuição da força muscular e/ou da função cardíaca em doença neuromuscular, dor fantasma em amputado bilateral acima do joelho e doença do colágeno afetando tecidos moles em deficiência visual.

O consenso concorda com as definições de lesão e doença do IOC, com a consideração adicional de como se relacionam ao impairment existente, em contexto esportivo ou não; os problemas de saúde podem resultar direta, indiretamente ou sem relação com a participação esportiva — a Tabela 2 traz exemplos, como fratura de membro inferior em esqui alpino por atleta com deficiência visual (direta), infecção urinária após viagem de longa distância em atleta com lesão medular (indireta) e disreflexia autonômica por infecção urinária (sem relação com o esporte). Quanto ao modo de início, deve-se considerar se o problema decorre de mecanismo agudo claro, mecanismo repetitivo claro ou misto — a Tabela A do Apêndice 3 exemplifica com queda e fratura de tíbia em snowboard (aguda súbita), ruptura de tendão de Aquiles sobre tendinopatia prévia em amputada unilateral, no lado do membro não afetado (repetitiva súbita), e tendinopatia do manguito rotador em jogador de vôlei sentado (repetitiva gradual). O consenso observa que vários estudos no Para esporte focaram lesões agudas em competições curtas (3–23 dias), faltando estudos longitudinais sobre lesões de início gradual e doenças ao longo do tempo.

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