COMPASS-31

COMPASS-31 – Questionário de Sintomas Autonômicos

O COMPASS-31 (Composite Autonomic Symptom Score-31) é um questionário clínico validado para avaliação de sintomas relacionados à disfunção do sistema nervoso autonômico. Desenvolvido a partir do Autonomic Symptom Profile, ele permite quantificar a gravidade e a distribuição dos sintomas autonômicos em diferentes sistemas orgânicos, sendo amplamente utilizado em neurologia, cardiologia, medicina interna e pesquisa clínica.

Esse instrumento padronizado avalia manifestações comuns da disautonomia, incluindo sintomas ortostáticos, vasomotores, sudomotores, gastrointestinais, vesicais e pupilares. O resultado final gera um escore ponderado que reflete a carga global de sintomas autonômicos, auxiliando na triagem clínica, no acompanhamento de pacientes e em estudos científicos.

O COMPASS-31 tem sido aplicado em diversas condições associadas à disfunção autonômica, como neuropatia autonômica diabética, síndrome de taquicardia postural ortostática (POTS), doença de Parkinson, atrofia de múltiplos sistemas e síndromes pós-virais, incluindo formas de disautonomia relacionadas à COVID-19.

O que é o COMPASS-31?

O COMPASS-31 é um instrumento de avaliação de sintomas autonômicos composto por 31 perguntas estruturadas, organizadas em seis domínios fisiológicos do sistema nervoso autonômico.

Esses domínios representam diferentes funções reguladas pelo sistema autonômico:

  • Ortostático – sintomas relacionados à hipotensão ortostática e intolerância postural

  • Vasomotor – alterações de coloração ou perfusão em extremidades

  • Sudomotor/Secretomotor – alterações na sudorese, boca seca ou olhos secos

  • Gastrointestinal – sintomas digestivos relacionados à motilidade autonômica

  • Vesical – disfunções urinárias autonômicas

  • Pupilar – alterações na adaptação à luz e ao escuro

Cada domínio recebe uma pontuação ponderada, refletindo sua relevância fisiológica e clínica na avaliação da disautonomia.

O escore total do COMPASS-31 varia de 0 a 100 pontos, sendo valores maiores indicativos de maior carga de sintomas autonômicos.

Para que serve o questionário COMPASS-31?

O principal objetivo do COMPASS-31 é quantificar sintomas autonômicos de forma padronizada e reprodutível.

Na prática clínica, o questionário pode ser utilizado para:

  • Triagem de disfunção autonômica

  • Avaliação inicial de pacientes com suspeita de disautonomia

  • Monitoramento longitudinal de sintomas

  • Avaliação de resposta ao tratamento

  • Estratificação de pacientes em estudos clínicos

Por ser um instrumento simples e autoaplicável, o COMPASS-31 também é frequentemente utilizado em pesquisas epidemiológicas e ensaios clínicos envolvendo doenças autonômicas.

Como o escore COMPASS-31 é calculado?

Cada pergunta do questionário recebe uma pontuação baseada na frequência, intensidade ou presença do sintoma.

Essas pontuações são inicialmente somadas dentro de cada domínio e posteriormente multiplicadas por fatores de ponderação específicos, definidos durante o processo de validação do instrumento.

Os pesos de cada domínio são:

  • Ortostático: peso 4,0

  • Vasomotor: peso 0,833

  • Sudomotor/Secretomotor: peso 2,143

  • Gastrointestinal: peso 0,893

  • Vesical: peso 1,111

  • Pupilar: peso 0,333

Após a aplicação desses fatores, os resultados são somados para gerar o escore total do COMPASS-31, que varia de 0 a 100 pontos.

Essa estrutura permite que o questionário reflita não apenas a presença de sintomas, mas também sua relevância clínica dentro do espectro da disautonomia.

Interpretação do escore COMPASS-31

Embora o COMPASS-31 não seja um exame diagnóstico isolado, o escore pode ajudar na avaliação da gravidade dos sintomas autonômicos.

De forma geral:

  • Escore baixo: poucos sintomas autonômicos relatados

  • Escore intermediário: possível envolvimento autonômico leve a moderado

  • Escore elevado: maior probabilidade de disfunção autonômica clinicamente relevante

A interpretação deve sempre ser realizada no contexto clínico do paciente, considerando histórico médico, exame físico e outros testes autonômicos, como:

  • teste de inclinação (Tilt Table Test)

  • variabilidade da frequência cardíaca

  • testes sudomotores

  • avaliação da pressão arterial ortostática

Assim, o COMPASS-31 funciona principalmente como instrumento de triagem e quantificação de sintomas, e não como diagnóstico definitivo.

Em quais doenças o COMPASS-31 pode ser útil?

O questionário é frequentemente utilizado na avaliação de pacientes com condições associadas à disfunção autonômica, incluindo:

  • Neuropatia autonômica diabética

  • Síndrome de taquicardia postural ortostática (POTS)

  • Atrofia de múltiplos sistemas

  • Doença de Parkinson

  • Síndrome de fadiga crônica

  • Disautonomia pós-viral

  • Síndrome pós-COVID

  • Neuropatias autonômicas autoimunes

Em muitos desses cenários, o COMPASS-31 auxilia na quantificação objetiva da carga de sintomas, permitindo acompanhar a evolução clínica ao longo do tempo.

Vantagens do COMPASS-31

Entre os principais pontos fortes desse questionário estão:

  • Instrumento validado internacionalmente

  • Aplicação rápida (geralmente menos de 10 minutos)

  • Avaliação multidimensional da função autonômica

  • Escala quantitativa padronizada

  • Utilização ampla em pesquisa clínica

Por essas características, o COMPASS-31 se tornou um dos questionários mais utilizados para avaliação de sintomas autonômicos na literatura científica.

Limitações do questionário

Apesar de sua utilidade, o COMPASS-31 apresenta algumas limitações importantes.

O instrumento é baseado em autorrelato de sintomas, o que pode introduzir variações individuais na percepção e descrição das manifestações clínicas.

Além disso, o questionário não substitui testes autonômicos objetivos, sendo recomendado utilizá-lo como parte de uma avaliação clínica mais ampla.

Conclusão

O COMPASS-31 é um questionário clínico robusto e amplamente validado para avaliação de sintomas de disfunção autonômica. Ao integrar múltiplos domínios fisiológicos em um escore padronizado, ele permite quantificar a carga global de sintomas autonômicos de forma prática e reprodutível.

Sua utilização é particularmente útil em contextos de triagem clínica, acompanhamento de pacientes com disautonomia e pesquisa científica, tornando-se uma ferramenta importante na investigação de condições que afetam o sistema nervoso autonômico.

Referências científicas

Sletten DM, Suarez GA, Low PA, Mandrekar J, Singer W. COMPASS 31: A refined and abbreviated Composite Autonomic Symptom Score. Mayo Clinic Proceedings. 2012. DOI: 10.1016/j.mayocp.2012.10.013.

Low PA, Benrud-Larson LM, Sletten DM, et al. Autonomic symptom profile: a new instrument to assess autonomic symptoms. Neurology. 1993.

Freeman R. Autonomic peripheral neuropathy. Lancet. 2005. DOI: 10.1016/S0140-6736(05)17928-7. 

 
 

Autor:

Foto de Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

CRM-SP 254738

Sou médico residente em Medicina do Esporte e do Exercício pela Universidade de São Paulo (USP), com atuação voltada para avaliação cardiovascular do atleta, fisiologia do exercício e medicina baseada em evidência aplicada ao esporte.

Atuo profissionalmente com métodos gráficos de avaliação cardiovascular, realizando teste ergométrico, eletrocardiograma e monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) em serviços de diagnóstico como Grupo A+ e dr.consulta, além de atendimento em consultório privado.

Também sou médico da Seleção Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas, acompanhando atletas paralímpicos em treinamentos e competições.

Sou fundador da MedEsporte Papers, uma plataforma educacional dedicada à produção e divulgação de conteúdo científico em medicina do esporte, com foco na tradução da literatura científica para a prática clínica.

Meu trabalho é voltado para análise crítica da literatura científica, educação médica e aplicação prática da ciência do exercício na medicina.