Questionário CAIT: Cumberland Ankle Instability Tool para Avaliação da Instabilidade Crônica do Tornozelo

Questionário CAIT

1. Tenho dores no tornozelo
2. Sinto o tornozelo INSTÁVEL
3. Quando faço mudanças bruscas de direção, sinto o tornozelo instável
4. Quando desço escadas, sinto o tornozelo instável
5. Sinto o tornozelo instável quando me apoio numa só perna
6. Sinto o tornozelo instável quando salto
7. Sinto o tornozelo instável quando estou em superfícies irregulares
8. NORMALMENTE, quando o tornozelo começa a rodar (“torcer”), consigo parar essa rotação
9. Após uma situação típica de torcer o tornozelo, ele “recupera” em quanto tempo?

Resultado

A Calculadora CAIT (Cumberland Ankle Instability Tool) é um instrumento validado internacionalmente para quantificar a instabilidade crônica do tornozelo (Chronic Ankle Instability – CAI). Composta por 9 itens, permite avaliar sintomas como episódios de “falseio”, dor, instabilidade funcional e dificuldade em tarefas dinâmicas. É amplamente utilizada em Medicina Esportiva, Fisioterapia Esportiva, Ortopedia e pesquisas clínicas para triagem, diagnóstico funcional, estratificação de risco e monitoramento da reabilitação.

Como a fórmula funciona (base científica e aplicação clínica)

O CAIT é um questionário com escore de 0 a 30 pontos, no qual valores menores indicam maior instabilidade funcional do tornozelo.

A ferramenta foi desenvolvida por Hiller et al. (2006), que demonstraram forte validade concorrente, confiabilidade interna e excelente reprodutibilidade (ICC = 0,96) . A análise de Rasch confirmou que os 9 itens representam de maneira coerente o construto de instabilidade funcional, avaliando diferentes dimensões: dor, instabilidade percebida, mudanças de direção, descida de escadas, apoio unipodal, saltos, corrida e recuperação após falseio.

O escore original utilizava ≤27 como ponto de corte para indicar instabilidade funcional. Entretanto, estudos subsequentes mostraram que esse valor superestimava a prevalência de CAI, classificando como instáveis indivíduos com histórico de entorse, mas sem sintomas – os chamados copers.

Um grande estudo de recalibração realizado por Wright et al. (2014) identificou que o ponto de corte ideal para discriminar CAI vs. não-CAI é ≤25, apresentando:

  • Sensibilidade: 96,6%

  • Especificidade: 86,6%

  • LR+: 7,318

  • LR–: 0,039

Esse valor otimiza o diagnóstico clínico e melhora a acurácia em populações esportivas.

Limitações

  • Não substitui exames clínicos estruturados.

  • Pode superestimar falsos positivos em copers, recomendando-se análise complementar.

  • Deve ser aplicado separadamente para cada tornozelo.

Interpretação dos resultados

Faixas de escore

Escore CAITInterpretação Clínica
28–30Estabilidade normal; improvável presença de CAI
25–27Zona cinzenta; investigar sintomas, histórico e testes funcionais
≤25Alta probabilidade de instabilidade crônica do tornozelo
≤23Valor mais conservador para populações com alta incidência de copers

Como interpretar na prática clínica

  • ≤25 → provável CAI; recomenda investigação funcional (propriocepção, força e controle neuromuscular).

  • 25–27 → considerar histórico: número de entorses, episódios de giving-way, limitação funcional.

  • >27 → estabilidade adequada, especialmente se não houver dor ou queixas durante atividades esportivas.

O estudo de recalibração demonstra que utilizar o cutoff ≤25 reduz falsos positivos e melhora a classificação correta quando comparado ao valor original (≤27).

Referências científicas

  1. Wright CJ, Arnold BL, Ross SE, Linens SW.
    Recalibration and validation of the Cumberland Ankle Instability Tool cutoff score for individuals with Chronic Ankle Instability.
    Arch Phys Med Rehabil. 2014.

  2. Hiller CE, Refshauge KM, Bundy AC, Herbert RD, Kilbreath SL.
    The Cumberland Ankle Instability Tool: A report of validity and reliability testing.
    Arch Phys Med Rehabil. 2006;87:1235–1241.

  3. Instrumento Oficial – Versão Brasileira (CAIT).
    Tradução e adaptação transcultural.

 

Autor:

Foto de Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

CRM-SP 254738

Sou médico residente em Medicina do Esporte e do Exercício pela Universidade de São Paulo (USP), com atuação voltada para avaliação cardiovascular do atleta, fisiologia do exercício e medicina baseada em evidência aplicada ao esporte.

Atuo profissionalmente com métodos gráficos de avaliação cardiovascular, realizando teste ergométrico, eletrocardiograma e monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) em serviços de diagnóstico como Grupo A+ e dr.consulta, além de atendimento em consultório privado.

Também sou médico da Seleção Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas, acompanhando atletas paralímpicos em treinamentos e competições.

Sou fundador da MedEsporte Papers, uma plataforma educacional dedicada à produção e divulgação de conteúdo científico em medicina do esporte, com foco na tradução da literatura científica para a prática clínica.

Meu trabalho é voltado para análise crítica da literatura científica, educação médica e aplicação prática da ciência do exercício na medicina.