Calculadora de 1RM (Brzycki) — Estime a Repetição Máxima e % do 1RM

Calculadora 1RM – Brzycki

Estime o 1RM (uma repetição máxima) pela equação de Brzycki: 1RM = Peso × 36 / (37 − Reps). Recomenda-se usar 1–10 repetições.

Entradas

Dica: para repetições altas, a estimativa tende a ficar menos confiável e pode superestimar/ subestimar dependendo do exercício.

Resultados

1RM estimado
kg
Estimativa pelo modelo de Brzycki.
Carga do teste (~% do 1RM)
%
Quanto a carga usada representa do 1RM estimado.
Sugestão de cargas (por %)
kg
Referência rápida para montar séries (70–90%).
70% • 75% • 80% • 85% • 90%
Comparação rápida
Epley
Mostra também o 1RM por Epley para referência.
Esta ferramenta destina-se a fins educacionais e não substitui o julgamento clínico profissional.

O que é a Calculadora de 1RM (Brzycki)?

A calculadora de 1RM (Brzycki) estima a uma repetição máxima (1RM) a partir de uma série submáxima — ou seja, você informa a carga (kg) e o número de repetições (reps) realizadas com boa técnica e obtém uma projeção do 1RM. Na prática, isso permite prescrever treinamento por % do 1RM e monitorar força sem a necessidade de testar 1RM “real” com cargas máximas em todas as fases.

A equação de Brzycki é um dos modelos clássicos de predição de 1RM. A interpretação clínica/esportiva é mais robusta quando o teste é padronizado e realizado em faixas de repetições baixas a moderadas (frequentemente 1–10).


Como a fórmula funciona?

O modelo relaciona a carga utilizada e o número de repetições para extrapolar a carga teórica de 1 repetição. Nesta calculadora, considere \(W\) como a carga (kg) e \(r\) como o número de repetições completas.

1) Equação de Brzycki para 1RM

\[ 1RM = \frac{W \times 36}{37 - r} \]

Como há um termo no denominador \((37-r)\), repetições muito altas tornam o resultado mais instável (e, na prática, menos confiável para prescrição fina). Por isso, modelos de predição costumam ser mais úteis em séries com reps mais baixas e execução bem padronizada.

2) Carga do teste como % do 1RM

A calculadora também informa quanto a carga usada representa do 1RM estimado, o que ajuda a entender a intensidade relativa do esforço:

\[ \%1RM = \frac{W}{1RM}\times 100 \]

3) Sugestões rápidas por % do 1RM (70–90%)

Para prescrição prática, é comum usar percentuais do 1RM para definir cargas-alvo. A calculadora mostra uma referência de 70–90%:

\[ W_{\text{alvo}} = 1RM \times p \qquad (p = 0{,}70,\ 0{,}75,\ 0{,}80,\ 0{,}85,\ 0{,}90) \]

Importante: a quantidade de repetições que alguém consegue em um mesmo %1RM varia por indivíduo, exercício, técnica, cadência e proximidade da falha. Use como guia inicial e ajuste pela resposta do atleta/paciente.

4) Comparação rápida com Epley (referência)

Sua calculadora também exibe o 1RM por Epley como comparação, útil porque diferentes equações podem divergir conforme reps e exercício.

\[ 1RM_{\text{Epley}} = W \cdot \left(1 + \frac{r}{30}\right) \]

Se Brzycki e Epley estiverem muito discrepantes, isso pode indicar: reps mais altas, série longe da falha, técnica inconsistente, ou exercício menos “previsível” para estimativas (ex.: movimentos acessórios).


Interpretação dos resultados

A melhor forma de usar 1RM estimado é como ferramenta de prescrição e monitoramento sob condições padronizadas. Em reavaliações, mantenha o mesmo exercício, amplitude, cadência aproximada, descanso e critério de esforço (idealmente perto da falha técnica).

Como usar o 1RM estimado

  • Prescrição: definir cargas por %1RM (ex.: 70–90%) para organizar intensidade.
  • Monitoramento: comparar o 1RM estimado ao longo do tempo no mesmo exercício e protocolo.
  • Planejamento: ajustar progressões quando o 1RM estimado aumenta ou quando o mesmo treino fica “mais leve”.

Em reabilitação, dor, limitações articulares ou maior risco clínico, priorize testes submáximos e supervisão profissional. Esta calculadora é educacional e deve ser integrada ao julgamento clínico.

Faixa de repetições e confiança da estimativa

1–5 repsgeralmente mais consistente
6–10 repsboa utilidade prática
>10 repserro tende a aumentar

Se o objetivo é acompanhar tendência (subiu/ desceu), a consistência do protocolo costuma importar mais do que “a equação perfeita”.


Limitações importantes

  • Modelos populacionais: a relação carga–reps varia por indivíduo, exercício e nível de treinamento.
  • Reps altas: a estimativa pode superestimar ou subestimar, sobretudo fora da faixa 1–10.
  • Série longe da falha: se a pessoa poderia fazer mais reps, o 1RM estimado tende a ser subestimado.
  • Fadiga e técnica: amplitude, cadência, dor, pausas e compensações alteram reps e distorcem o cálculo.
  • Denominador (37 − reps): valores muito altos de reps tornam o resultado numericamente mais sensível.

Para uso em performance, descreva o protocolo (ex.: aquecimento, descanso, cadência, proximidade da falha) e repita o mesmo padrão em reavaliações. Para maior segurança, evite testar cargas máximas sem supervisão quando houver fatores de risco.


Referências científicas

  • Brzycki M. Strength testing: predicting a one-rep max from reps-to-fatigue. JOPERD. 1993;64(1):88–90.
  • LeSuer DA, McCormick JH, Mayhew JL, Wasserstein RL, Arnold MD. The accuracy of prediction equations for estimating 1-RM performance in the bench press, squat, and deadlift. J Strength Cond Res. 1997;11(4):211–213.
  • Reynolds JM, Gordon TJ, Robergs RA. Prediction of one repetition maximum strength from multiple repetition maximum testing and anthropometry. J Strength Cond Res. 2006;20(3):584–592.
  • ACSM. Progression models in resistance training for healthy adults. Med Sci Sports Exerc. 2002;34(2):364–380.
  • ACSM. Progression models in resistance training for healthy adults (update). Med Sci Sports Exerc. 2009;41(3):687–708.

Autor:

Foto de Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

CRM-SP 254738

Sou médico residente em Medicina do Esporte e do Exercício pela Universidade de São Paulo (USP), com atuação voltada para avaliação cardiovascular do atleta, fisiologia do exercício e medicina baseada em evidência aplicada ao esporte.

Atuo profissionalmente com métodos gráficos de avaliação cardiovascular, realizando teste ergométrico, eletrocardiograma e monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) em serviços de diagnóstico como Grupo A+ e dr.consulta, além de atendimento em consultório privado.

Também sou médico da Seleção Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas, acompanhando atletas paralímpicos em treinamentos e competições.

Sou fundador da MedEsporte Papers, uma plataforma educacional dedicada à produção e divulgação de conteúdo científico em medicina do esporte, com foco na tradução da literatura científica para a prática clínica.

Meu trabalho é voltado para análise crítica da literatura científica, educação médica e aplicação prática da ciência do exercício na medicina.