Calculadora de 1RM (Lombardi) — Estime a Repetição Máxima com Carga e Repetições

Calculadora 1RM – Lombardi

Estime o 1RM pelo modelo de Lombardi: 1RM = Peso × (Reps0,10). Pode ser mais “conservador” em reps maiores do que Epley/Brzycki.

Entradas

Dica: para estimativas de 1RM, geralmente 1–10 repetições são a faixa mais confiável.

Resultados

1RM estimado
kg
Estimativa pelo modelo de Lombardi.
Carga do teste (~% do 1RM)
%
Quanto a carga usada representa do 1RM estimado.
Sugestão de cargas (por %)
kg
Referência rápida para montar séries (70–90%).
70% • 75% • 80% • 85% • 90%
Comparação rápida
Epley/Brz
Mostra também 1RM por Epley e Brzycki para referência.
Esta ferramenta destina-se a fins educacionais e não substitui o julgamento clínico profissional.

O que é a Calculadora de 1RM (Lombardi)?

A calculadora de 1RM (Lombardi) estima a uma repetição máxima (1RM) — a maior carga que um indivíduo provavelmente conseguiria levantar uma única vez com técnica adequada — a partir de uma série submáxima (carga em kg e número de repetições). Em prescrição de treino resistido, o 1RM estimado é usado para definir intensidades por % do 1RM, monitorar evolução de força e organizar progressões com menor necessidade de testes máximos.

O modelo de Lombardi utiliza uma relação em potência (reps0,10), o que pode produzir estimativas mais “conservadoras” quando as repetições são mais altas, em comparação com outras equações. Ainda assim, a melhor consistência prática costuma ocorrer em 1–10 repetições e com técnica padronizada.


Como a fórmula funciona?

Considere \(W\) como a carga levantada (kg) e \(r\) como o número de repetições completas (reps). A equação de Lombardi estima o 1RM multiplicando a carga por uma potência das repetições.

1) Equação de Lombardi para 1RM

\[ 1RM = W \cdot r^{0{,}10} \]

A potência \(0{,}10\) faz com que o aumento do 1RM estimado com reps mais altas seja relativamente pequeno, o que tende a reduzir extrapolações “agressivas” quando o teste foi feito com muitas repetições.

2) Carga do teste como % do 1RM

Após estimar o 1RM, a calculadora informa quanto a carga usada representa do 1RM estimado — útil para interpretar a intensidade relativa.

\[ \%1RM = \frac{W}{1RM}\times 100 \]

3) Sugestões rápidas por % do 1RM (70–90%)

Para uso prático, é comum montar séries por porcentagens do 1RM. A calculadora oferece uma referência rápida para 70–90%:

\[ W_{\text{alvo}} = 1RM \times p \qquad (p = 0{,}70,\ 0{,}75,\ 0{,}80,\ 0{,}85,\ 0{,}90) \]

Lembrete: o número de repetições possíveis em um mesmo %1RM não é fixo. Varia com exercício, grupamento muscular, experiência, velocidade de execução, amplitude e proximidade da falha.

4) Comparação rápida com Epley e Brzycki (referência)

Como diferentes equações podem divergir, a sua calculadora também mostra estimativas por Epley e Brzycki para contextualizar o resultado.

\[ 1RM_{\text{Epley}} = W\cdot\left(1+\frac{r}{30}\right) \qquad\qquad 1RM_{\text{Brzycki}}=\frac{W\times 36}{37-r} \]

Diferenças maiores entre as equações costumam aparecer quando: (a) as reps são mais altas, (b) a série foi interrompida longe da falha, (c) há variação de técnica/amplitude, ou (d) o exercício tem padrão menos “previsível” para predição (ex.: movimentos acessórios).


Interpretação dos resultados

Para tomada de decisão em treino, o 1RM estimado funciona melhor como ferramenta de prescrição e acompanhamento do que como “valor absoluto perfeito”. O ponto-chave é a padronização do teste para comparar ao longo do tempo.

Como usar o 1RM estimado

  • Prescrição: definir cargas por %1RM e ajustar progressões com segurança.
  • Monitoramento: repetir o teste (submáximo) no mesmo exercício e condições para avaliar tendência.
  • Controle de qualidade: manter amplitude, cadência aproximada e descanso semelhantes entre sessões.

Em presença de dor, lesão, reabilitação ou maior risco clínico, priorize séries submáximas, técnica rigorosa e supervisão profissional. Esta calculadora é um apoio educacional.

Faixa de repetições e confiança da estimativa

1–5 repsgeralmente mais estável
6–10 repsboa utilidade prática
>10 repserro tende a aumentar

Se a meta é comparar “antes e depois”, a consistência do protocolo costuma ter mais impacto do que escolher apenas uma equação.


Limitações importantes

  • Variação individual: a relação carga–reps muda com nível de treino, exercício, técnica e musculatura envolvida.
  • Reps altas: aumentam a influência de resistência muscular local e de ritmo/cadência, reduzindo precisão do 1RM estimado.
  • Distância da falha: se a pessoa “parou cedo”, o 1RM tende a ser subestimado em qualquer equação.
  • Padronização: amplitude, pausas, velocidade e descanso alteram reps e distorcem o cálculo.
  • Comparação entre equações: divergências são esperadas; use o contexto e a repetição do método para decisões práticas.

Para uso em prescrição, descreva o protocolo (aquecimento, descanso, cadência, proximidade da falha técnica) e repita o padrão em reavaliações. Se a decisão for clínica/alto risco, integre com avaliação funcional e triagem apropriada.


Referências científicas

  • Lombardi VP. (Modelo de predição de 1RM por relação carga–repetições; equação em potência). Referência clássica em força/resistência.
  • Brzycki M. Strength testing: predicting a one-rep max from reps-to-fatigue. JOPERD. 1993;64(1):88–90.
  • LeSuer DA, McCormick JH, Mayhew JL, Wasserstein RL, Arnold MD. The accuracy of prediction equations for estimating 1-RM performance in the bench press, squat, and deadlift. J Strength Cond Res. 1997;11(4):211–213.
  • Reynolds JM, Gordon TJ, Robergs RA. Prediction of one repetition maximum strength from multiple repetition maximum testing and anthropometry. J Strength Cond Res. 2006;20(3):584–592.
  • ACSM. Progression models in resistance training for healthy adults. Med Sci Sports Exerc. 2002;34(2):364–380.
  • ACSM. Progression models in resistance training for healthy adults (update). Med Sci Sports Exerc. 2009;41(3):687–708.

Autor:

Foto de Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

CRM-SP 254738

Sou médico residente em Medicina do Esporte e do Exercício pela Universidade de São Paulo (USP), com atuação voltada para avaliação cardiovascular do atleta, fisiologia do exercício e medicina baseada em evidência aplicada ao esporte.

Atuo profissionalmente com métodos gráficos de avaliação cardiovascular, realizando teste ergométrico, eletrocardiograma e monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) em serviços de diagnóstico como Grupo A+ e dr.consulta, além de atendimento em consultório privado.

Também sou médico da Seleção Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas, acompanhando atletas paralímpicos em treinamentos e competições.

Sou fundador da MedEsporte Papers, uma plataforma educacional dedicada à produção e divulgação de conteúdo científico em medicina do esporte, com foco na tradução da literatura científica para a prática clínica.

Meu trabalho é voltado para análise crítica da literatura científica, educação médica e aplicação prática da ciência do exercício na medicina.

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