Capacidade funcional em METs
DASI → VO₂ → METsMarque as atividades que a pessoa consegue realizar. O escore DASI estima o VO₂pico e os METs. Fórmulas: VO₂ = 0,43×DASI + 9,6 (mL/kg/min) e METs = VO₂/3,5.
Questionário (DASI)
Resultados
O que é a Calculadora DASI (Duke Activity Status Index) para METs?
A calculadora DASI (Duke Activity Status Index) estima a capacidade funcional a partir de um questionário de 12 itens baseado em atividades de vida diária e recreacionais. Cada resposta “sim” soma um peso e gera um escore total (0 a 58,2), que pode ser convertido em VO\(_2\)pico estimado (mL/kg/min) e, em seguida, em METs (\(1\ \text{MET} \approx 3{,}5\ \text{mL/kg/min}\)). É uma ferramenta útil para triagem e comunicação clínica em cardiologia, reabilitação e avaliação pré-operatória.
O DASI é auto-relatado. Ele ajuda a estimar capacidade funcional quando não há teste cardiopulmonar (CPET), mas não substitui avaliação clínica, exame físico e, quando indicado, métodos objetivos (ex.: teste ergométrico/CPET).
Como a fórmula funciona?
O cálculo segue três passos: (1) escore DASI, (2) VO\(_2\)pico estimado e (3) conversão para METs.
1) Escore DASI
O escore é a soma dos pesos das atividades que a pessoa afirma conseguir realizar. O total varia de 0 a 58,2 pontos.
Em termos práticos, \(I_i=1\) quando o item é marcado como “Sim” e \(w_i\) é o peso específico do item (derivado de equivalentes metabólicos das atividades).
2) VO\(_2\)pico estimado (mL/kg/min)
O VO\(_2\)pico estimado é calculado por uma regressão linear que relaciona o escore DASI com consumo de oxigênio de pico.
Quanto maior o DASI, maior tende a ser o VO\(_2\)pico estimado, refletindo melhor capacidade de realizar esforços sustentados.
3) Conversão para METs
Após estimar o VO\(_2\), convertemos para METs usando a equivalência de repouso.
Esta conversão padroniza a capacidade funcional em uma métrica amplamente usada na prática clínica e em diretrizes perioperatórias.
Interpretação dos resultados
Como interpretar os METs estimados
Os METs estimados devem ser interpretados no contexto clínico (idade, comorbidades, sintomas, medicações e objetivo da avaliação). Em ambiente perioperatório, é comum usar 4 METs como ponto de corte prático para baixa capacidade funcional. Ainda assim, trata-se de uma estimativa baseada em autorrelato, e incertezas são esperadas.
Faixas práticas (exemplo clínico)
As faixas acima são úteis para comunicação e tomada de decisão inicial, mas não substituem avaliação funcional objetiva quando necessária.
O corte de 4 METs é amplamente usado em avaliação perioperatória como limiar de “capacidade funcional pobre”. Contudo, o risco cirúrgico depende também do tipo de cirurgia, condições cardiovasculares ativas, biomarcadores e outros fatores.
Leitura do DASI e do VO\(_2\)
- DASI mais alto tende a indicar maior autonomia e maior capacidade para tarefas diárias.
- VO\(_2\) estimado é uma aproximação do condicionamento cardiorrespiratório, com variabilidade individual.
- Se houver dispneia, dor torácica, síncope ou limitação desproporcional, priorize avaliação médica e investigação formal.
Em acompanhamento, é mais útil observar tendência (melhora/piora) do que pequenas variações isoladas.
Limitações importantes
- Autorrelato: memória, percepção de esforço e fatores emocionais podem alterar respostas.
- Estimativa, não medida direta: VO\(_2\) e METs aqui são derivados de equações; CPET é o padrão para medida objetiva.
- Populações específicas: em extremos de capacidade funcional, limitações musculoesqueléticas ou condições neurológicas, pode haver viés.
- Contexto perioperatório: METs isoladamente não define risco; integre com diretrizes, achados clínicos e natureza do procedimento.
Use esta calculadora como apoio: ela melhora a padronização da conversa clínica, mas não substitui raciocínio médico, exame físico e estratificação completa.
Referências científicas
- Hlatky MA, et al. A brief self-administered questionnaire to determine functional capacity (the Duke Activity Status Index). Am J Cardiol. 1989;64(10):651–654. DOI: 10.1016/0002-9149(89)90496-7.
- Coutinho-Myrrha MA, et al. Duke Activity Status Index for cardiovascular diseases: validation of the Portuguese translation. Arq Bras Cardiol. 2014;102(4):383–390. DOI: 10.5935/abc.20140031.
- Tavares LA, et al. Cross-cultural adaptation and assessment of the reproducibility of the Duke Activity Status Index for COPD patients in Brazil. J Bras Pneumol. 2012;38(6):684–691. DOI: 10.1590/S1806-37132012000600002.
- Thompson A, et al. 2024 AHA/ACC/ACS/ASNC/HRS/SCA/SCCT/SCMR/SVM Guideline. Circulation. 2024. (Diretriz: 4 METs como limiar tradicional de baixa capacidade funcional).
- Silvapulle E, et al. Subjective methods for preoperative assessment of functional capacity. (Discussão prática de faixas por METs, incluindo <4 METs).
- Riedel B, et al. A simplified (modified) Duke Activity Status Index (M-DASI). Br J Anaesth. 2021;126(1):181–190. (Revisões perioperatórias e modelos alternativos do DASI).