Calculadora de Déficit Hídrico (Água Livre) na Hipernatremia

Déficit hídrico

Água livre (hipernatremia) + TBW

Estima o déficit de água livre (comumente usado em hipernatremia) pela fórmula: Déficit (L) = TBW × (Na/140 − 1). O TBW pode ser informado diretamente ou estimado por sexo/idade.

Dados

Estimativa de TBW usada se você não informar TBW (aprox.):
Homem: 0,6 × peso (adulto) • Mulher: 0,5 × peso (adulta).
Se idade ≥ 65: usa 0,5 (homem) e 0,45 (mulher) como aproximação.

Resultados

Déficit de água livre
L
TBW utilizado
L
Velocidade sugerida (se tempo informado)
mL/h
Divide o déficit pelo tempo (não inclui manutenção/perdas em curso).
Notas
atenção
Correção do Na⁺ deve ser gradual e monitorizada (contexto clínico).
Esta ferramenta destina-se a fins educacionais e não substitui o julgamento clínico profissional.

Calculadora de Déficit Hídrico (Água Livre) na Hipernatremia

O que é o déficit hídrico (água livre) na hipernatremia?

A calculadora de déficit hídrico estima o déficit de água livre, frequentemente usado como aproximação inicial na hipernatremia. O raciocínio é que, para um determinado estoque de sódio corporal, um aumento do Na⁺ sérico reflete redução da água corporal total (TBW, total body water) em relação ao “alvo” (tipicamente 140 mEq/L). O resultado auxilia na estimativa de volume de água necessário para retornar a um Na⁺ alvo, sempre com monitorização seriada e ajuste conforme perdas em curso.

O TBW pode ser informado (se disponível por bioimpedância/estimativas clínicas) ou estimado por sexo e idade. No seu modelo: homens 0,6×peso e mulheres 0,5×peso; em idosos (≥65 anos), homens 0,5×peso e mulheres 0,45×peso (aproximações).


Como a fórmula funciona?

A fórmula calcula o volume de água necessário para reduzir o Na⁺ do valor atual até um Na⁺ alvo. Se o Na⁺ atual estiver abaixo ou igual ao alvo, o “déficit” é ajustado para zero (não há hipernatremia em relação ao alvo escolhido).

1) TBW (Total Body Water)

O TBW representa a água corporal total. Quando não informado, a calculadora usa fatores aproximados por sexo e idade:

Homens

Estimativa TBW
Adulto\(TBW \approx 0{,}60 \times peso\)
≥ 65 anos\(TBW \approx 0{,}50 \times peso\)

Redução do TBW com envelhecimento e menor massa magra pode tornar o fator menor em idosos.

Mulheres

Estimativa TBW
Adulta\(TBW \approx 0{,}50 \times peso\)
≥ 65 anos\(TBW \approx 0{,}45 \times peso\)

Diferenças na proporção de massa magra e no envelhecimento justificam fatores médios distintos.

Se você possui um TBW medido/estimado por método específico, preferir informar o valor pode melhorar a aderência ao caso.

2) Fórmula do déficit de água livre

A equação utilizada (com Na⁺ alvo padrão de 140 mEq/L) é:

\[ Déficit\;(L) = TBW \times \left(\frac{Na^{+}_{atual}}{Na^{+}_{alvo}} - 1\right) \]

Nesta calculadora, se \(Na^{+}_{atual} \le Na^{+}_{alvo}\), o resultado é ajustado para 0 L. A fórmula estima “água livre” necessária para atingir o alvo, mas não inclui manutenção nem perdas em curso.

3) Velocidade estimada (mL/h) se tempo informado

Se você informar um tempo total para correção, a calculadora divide o déficit por esse período para fornecer uma taxa média:

\[ Velocidade\;(mL/h) \approx \frac{Déficit\;(L)\times 1000}{Tempo\;(h)} \]

A correção do Na⁺ deve ser gradual e monitorizada com eletrólitos seriados e avaliação neurológica, sobretudo em hipernatremia crônica. Protocolos variam conforme cenário (aguda vs crônica, hipovolemia, DKA/HHS, perdas renais/extrarrenais).


Interpretação dos resultados

Como interpretar o déficit calculado

O déficit (L) representa uma estimativa inicial de água livre necessária para reduzir o Na⁺ sérico do valor atual até o Na⁺ alvo. Valores maiores sugerem desidratação mais importante (ou maior discrepância entre Na⁺ atual e alvo), mas o plano real precisa considerar: estado volêmico, causa (perda de água vs ganho de sódio), perdas contínuas (diurese osmótica, diabetes insipidus, febre) e fluido escolhido.

Pontos de atenção clínicos

  • TBW é o principal “motor” do cálculo: erro em TBW muda proporcionalmente o déficit.
  • Déficit ≠ prescrição completa: não inclui manutenção, reposição de hipovolemia e perdas em curso.
  • Reavaliações seriadas: Na⁺, osmolaridade, diurese e sinais neurológicos guiam ajustes.
  • Alvo individual: 140 é comum, mas o alvo e o ritmo de correção dependem do cenário.

Em hipovolemia, muitas condutas priorizam restaurar perfusão com soluções isotônicas antes da correção de água livre. A estratégia deve seguir protocolo institucional e avaliação clínica.


Limitações importantes

  • Modelo simplificado: assume relação proporcional entre Na⁺ e TBW; distúrbios mistos podem invalidar a aproximação.
  • Não contabiliza manutenção e perdas contínuas (urina, fezes, febre, ventilação), que podem ser determinantes no balanço hídrico.
  • Fatores de TBW por sexo/idade são médias populacionais; obesidade, caquexia e edema alteram a composição corporal.
  • Não substitui avaliação de osmolalidade, status volêmico e causa base (DI, diurese osmótica, perdas extrarrenais, iatrogenia).

Referências científicas

  • Adrogué HJ, Madias NE. Hypernatremia. N Engl J Med. 2000;342:1493–1499.
  • Adrogué HJ, Madias NE. Hyponatremia. N Engl J Med. 2000;342:1581–1589.
  • Rose BD, Post TW. Clinical Physiology of Acid-Base and Electrolyte Disorders. Referências clássicas sobre distúrbios do sódio e água.
  • Sterns RH. Disorders of plasma sodium—causes, consequences, and correction. Revisões clínicas e guias práticos.

Autor:

Foto de Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

CRM-SP 254738

Sou médico residente em Medicina do Esporte e do Exercício pela Universidade de São Paulo (USP), com atuação voltada para avaliação cardiovascular do atleta, fisiologia do exercício e medicina baseada em evidência aplicada ao esporte.

Atuo profissionalmente com métodos gráficos de avaliação cardiovascular, realizando teste ergométrico, eletrocardiograma e monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) em serviços de diagnóstico como Grupo A+ e dr.consulta, além de atendimento em consultório privado.

Também sou médico da Seleção Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas, acompanhando atletas paralímpicos em treinamentos e competições.

Sou fundador da MedEsporte Papers, uma plataforma educacional dedicada à produção e divulgação de conteúdo científico em medicina do esporte, com foco na tradução da literatura científica para a prática clínica.

Meu trabalho é voltado para análise crítica da literatura científica, educação médica e aplicação prática da ciência do exercício na medicina.

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