Escore de Duke (Duke Treadmill Score)
Teste ergométricoCalcula o Escore de Duke pela fórmula: DTS = tempo (min) − 5×(desvio de ST em mm) − 4×(índice de angina). Use os dados do teste (ex.: protocolo de Bruce).
Dados do teste
Resultados
O que é o Escore de Duke (Duke Treadmill Score)?
A calculadora do Escore de Duke (também chamada de Duke Treadmill Score — DTS) estima, a partir do teste ergométrico, uma pontuação prognóstica que combina capacidade funcional (tempo de exercício), isquemia ao ECG (desvio máximo do segmento ST) e sintomas (índice de angina). É uma forma prática de estratificar risco de eventos cardiovasculares, sempre integrada ao risco clínico global e ao contexto do teste (protocolo utilizado, qualidade do traçado, medicações e probabilidade pré-teste).
O DTS foi desenvolvido principalmente em cenário de avaliação de doença arterial coronariana e é mais útil quando o teste é interpretável e o esforço é adequado. Em populações específicas (p.ex., limitações ortopédicas importantes, ECG basal não interpretável para ST), a aplicabilidade pode ser reduzida.
Como a fórmula funciona?
O cálculo usa três entradas: tempo total de exercício (min), desvio máximo do ST (mm, valor absoluto) e índice de angina (0 = sem angina; 1 = angina presente não limitante; 2 = angina limitante).
Fórmula do Duke Treadmill Score (DTS)
O escore é calculado em pontos:
- \(T\): tempo total de exercício (min).
- \(ST\): desvio máximo do segmento ST (mm), depressão ou elevação, em valor absoluto.
- \(A\): índice de angina (0, 1 ou 2).
Na prática, o tempo costuma ser o do protocolo utilizado (ex.: Bruce). Se o seu laudo reporta METs, tempo e METs não são equivalentes em todos os protocolos; esta calculadora usa especificamente o tempo em minutos, conforme o DTS clássico.
O que mais influencia o DTS?
O DTS tende a melhorar (pontuação maior) com maior tempo de exercício e piorar (pontuação menor) com maior desvio de ST e angina limitante.
Pequenas diferenças no ST (p.ex., 0,5–1,0 mm) podem mudar o escore, especialmente em tempos de exercício intermediários. Padronização da leitura do ST e qualidade do ECG são essenciais.
Interpretação dos resultados
Classificação de risco mais usada
Uma classificação prática (frequentemente utilizada em estudos e na rotina) divide o DTS em três faixas:
Baixo risco
DTS \(\ge +5\)Em geral associado a melhor prognóstico no contexto do teste. A conduta costuma priorizar manejo clínico e integração com o risco global.
Risco intermediário
DTS \(-10\) a \(+4\)Zona “cinzenta”. A necessidade de investigação adicional depende de sintomas, probabilidade pré-teste, ECG, capacidade funcional e perfil de risco.
Alto risco
- DTS \(\le -11\) (ou, em alguns textos, \(< -10\)).
- Em geral associado a maior risco e pode motivar estratificação adicional conforme o contexto clínico.
Interprete sempre junto com: sintomas limitantes, alterações hemodinâmicas, qualidade do ECG, medicações e critérios de esforço atingido. O DTS é um componente da avaliação — não substitui julgamento clínico.
Limitações importantes
- ECG basal não interpretável para ST (p.ex., BRE, marcapasso, depressão de ST importante em repouso) pode reduzir utilidade do componente de ST.
- Teste submáximo (interrupção precoce por dor/ortopedia/dispneia não cardíaca) pode distorcer o prognóstico inferido pelo tempo.
- Protocolos diferentes: o tempo em minutos depende do protocolo e do incremento de carga.
- Populações específicas (idosos muito avançados, comorbidades importantes) podem concentrar-se em risco intermediário, exigindo avaliação mais individual.
Quando indicado, ferramentas complementares (p.ex., imagem de perfusão, ecocardiograma de estresse, estratificação clínica) podem refinar a avaliação, especialmente no risco intermediário.
Referências científicas
- Mark DB, Hlatky MA, Harrell FE Jr, Lee KL, Califf RM, Pryor DB. Exercise treadmill score for predicting prognosis in coronary artery disease. Ann Intern Med. 1987;106(6):793–800. DOI: 10.7326/0003-4819-106-6-793.
- Mark DB, Hlatky MA, Harrell FE Jr, et al. Prognostic value of a treadmill exercise score in outpatients with suspected coronary artery disease. N Engl J Med. 1991;325:849–853. (Artigo de validação/uso prognóstico).
- Gibbons RJ, Balady GJ, Beasley JW, et al. ACC/AHA Guidelines for Exercise Testing. Circulation. 1997;96:345–354.
- Gibbons RJ, Balady GJ, Bricker JT, et al. ACC/AHA 2002 Guideline Update for Exercise Testing. J Am Coll Cardiol. 2002.
- Nishime EO, Cole CR, Blackstone EH, Pashkow FJ, Lauer MS. Heart Rate Recovery and Treadmill Exercise Score as predictors. JAMA. 2000. (Define cálculo do DTS e cutoffs usuais em estudos).