HOMA-β
Função das células βEstime o índice HOMA-β (função das células beta pancreáticas) a partir da glicose de jejum e da insulina de jejum. Selecione a unidade da glicose conforme o exame.
Dados
• Se glicose em mg/dL: HOMA-β = (360 × Insulina) ÷ (Glicose − 63)
• Se glicose em mmol/L: HOMA-β = (20 × Insulina) ÷ (Glicose − 3,5)
Resultados
Calculadora de HOMA-β – Função das Células Beta por Glicose e Insulina de Jejum
O que é o HOMA-β?
O HOMA-β (também descrito como HOMA1-%B) é um índice estimado em jejum que busca representar a função secretória das células beta pancreáticas em relação ao nível de glicose. Ele deriva do modelo HOMA original proposto por Matthews e colaboradores, que descreve a homeostase glicose–insulina como um sistema de retroalimentação em repouso. :contentReference[oaicite:1]{index=1}
Importante: o HOMA-β é um surrogate (marcador indireto) e sua interpretação depende do contexto metabólico (ex.: resistência à insulina concomitante), da padronização do jejum e do método de dosagem de insulina.
Como a fórmula funciona?
Na prática clínica e em muitos estudos, usam-se as equações aproximadas do HOMA1. Para glicose em mmol/L, a forma simplificada é: \( \text{HOMA-}\beta = \frac{20 \cdot \text{Insulina}}{\text{Glicose} - 3{,}5} \). Para glicose em mg/dL, a forma equivalente é: \( \text{HOMA-}\beta = \frac{360 \cdot \text{Insulina}}{\text{Glicose} - 63} \). Essas expressões são descritas em discussões metodológicas clássicas sobre uso do HOMA. :contentReference[oaicite:2]{index=2}
1) HOMA-β com glicose em mmol/L
Observação: a condição \(\text{Glicose} > 3{,}5\) evita denominador próximo de zero, que distorce o índice.
2) HOMA-β com glicose em mg/dL
A forma em mg/dL é amplamente utilizada em artigos e calculadoras que reportam glicose em unidade de massa. :contentReference[oaicite:3]{index=3}
3) Relação com resistência à insulina
Em estágios iniciais de resistência à insulina, pode ocorrer hiperinsulinemia compensatória e o HOMA-β pode aparecer “alto”. Em fases mais tardias (falência beta), o índice tende a reduzir. Por isso, é comum interpretar HOMA-β em conjunto com HOMA-IR e com o fenótipo clínico.
Interpretação dos resultados
O resultado é apresentado como % (percentual relativo de função beta em jejum no modelo HOMA1). Não existe um ponto de corte universal: valores “normais” podem variar por população, idade, IMC, método laboratorial e prevalência de resistência à insulina. Além disso, a concordância do HOMA-β com testes dinâmicos de secreção pode ser limitada em alguns cenários. :contentReference[oaicite:4]{index=4}
Leitura prática (orientativa)
*Faixas didáticas. Use preferencialmente referências do seu laboratório e dados da sua população-alvo (ex.: pesquisa/serviço), e valorize tendência em medidas seriadas.
Quando interpretar com cautela
- Diabetes com hiperglicemia importante: o modelo em jejum pode não refletir bem a secreção real.
- Uso de insulina exógena ou fármacos que alteram insulina/glicose.
- Doença aguda, estresse, infecção e jejum inadequado.
- Diferenças de ensaio (imunoensaios de insulina não são totalmente intercambiáveis).
O HOMA-β estima um componente de homeostase em jejum; não substitui testes dinâmicos (ex.: TOTG com curvas, clamp, IVGTT) quando a pergunta clínica exige avaliação mais detalhada.
Limitações importantes
- Marcador indireto: não mede secreção de insulina de forma dinâmica.
- Dependência do ensaio: variabilidade na insulina impacta diretamente o cálculo.
- Pressupostos do HOMA1: o HOMA2 foi desenvolvido para melhor refletir fisiologia e calibrar ensaios modernos; os resultados não são equivalentes. :contentReference[oaicite:5]{index=5}
- Denominador próximo do limite: glicose perto de 63 mg/dL (ou 3,5 mmol/L) pode gerar valores artificialmente altos.
Para fins clínicos, combine HOMA-β com história, exame físico e marcadores metabólicos (HbA1c, triglicerídeos/HDL, circunferência da cintura), além de considerar o diagnóstico de base (prediabetes, DM2, lipodistrofias, etc.).
Referências científicas
- Matthews DR, Hosker JP, Rudenski AS, et al. Homeostasis model assessment: insulin resistance and β-cell function from fasting plasma glucose and insulin concentrations in man. Diabetologia. 1985;28(7):412–419. DOI: 10.1007/BF00280883. :contentReference[oaicite:6]{index=6}
- Wallace TM, Levy JC, Matthews DR. Use and abuse of HOMA modeling. Diabetes Care. 2004;27(6):1487–1495. (equações HOMA1-IR e HOMA1-%B). :contentReference[oaicite:7]{index=7}
- Chang AM, Smith MJ, Galecki AT, et al. Limitation of the homeostasis model assessment to predict insulin resistance and β-cell function. J Clin Endocrinol Metab. 2006;91(2):629–634. :contentReference[oaicite:8]{index=8}
- Song YS, et al. Comparison of usefulness of updated HOMA models (HOMA1 vs HOMA2), incluindo HOMA2-β. 2016. :contentReference[oaicite:9]{index=9}
Este conteúdo é educacional e não substitui avaliação médica, diagnóstico ou conduta terapêutica individualizada.