Calculadora de HOMA-IR – Resistência à Insulina por Glicose e Insulina de Jejum

HOMA-IR

Homeostatic Model Assessment

Estime o índice HOMA-IR para resistência à insulina a partir da glicemia de jejum e da insulina de jejum. Escolha a unidade da glicose conforme seu exame.

Dados

Fórmulas:
• Se glicose em mg/dL: HOMA-IR = (Glicose × Insulina) ÷ 405
• Se glicose em mmol/L: HOMA-IR = (Glicose × Insulina) ÷ 22,5

Resultados

HOMA-IR
Índice
Interpretação geral
Referência
Resumo
Entradas
Esta ferramenta destina-se a fins educacionais e não substitui o julgamento clínico profissional.

Calculadora de HOMA-IR – Resistência à Insulina por Glicose e Insulina de Jejum

O que é o HOMA-IR?

O HOMA-IR (Homeostatic Model Assessment for Insulin Resistance) é um índice indireto de resistência à insulina estimado a partir de glicose de jejum e insulina de jejum. Ele deriva do modelo HOMA proposto por Matthews e colaboradores, com a ideia de que, em jejum, existe um “equilíbrio” entre secreção de insulina e glicemia. Use o HOMA-IR como marcador de triagem/estratificação (especialmente em pesquisa e acompanhamento), e não como diagnóstico isolado.

O índice é sensível a variáveis pré-analíticas e à metodologia do ensaio de insulina; por isso, pontos de corte variam entre populações, idades e laboratórios.


Como a fórmula funciona?

A calculadora aplica as fórmulas do HOMA-IR em duas convenções de unidade para glicose. Se a glicose estiver em mmol/L, usa-se o denominador 22,5; se estiver em mg/dL, usa-se 405 (que corresponde a \(22{,}5 \times 18\), onde 18 é o fator de conversão aproximado entre mg/dL e mmol/L).

1) HOMA-IR com glicose em mmol/L

\[ \text{HOMA-IR} = \frac{\text{Glicose}_{(\mathrm{mmol/L})}\cdot \text{Insulina}_{(\mu U/mL)}}{22{,}5} \]

Útil quando o laboratório reporta glicose em mmol/L (mais comum em alguns países).

2) HOMA-IR com glicose em mg/dL

\[ \text{HOMA-IR} = \frac{\text{Glicose}_{(\mathrm{mg/dL})}\cdot \text{Insulina}_{(\mu U/mL)}}{405} \]

É a forma mais usada na prática clínica no Brasil, pois glicose costuma vir em mg/dL.

3) Conversão (se precisar)

Se você precisar converter a glicose antes do cálculo:

\[ \text{Glicose}_{(\mathrm{mmol/L})}\approx \frac{\text{Glicose}_{(\mathrm{mg/dL})}}{18} \]

Interpretação dos resultados

O HOMA-IR é um índice contínuo: valores maiores tendem a indicar maior resistência à insulina, mas não existe um ponto de corte universal. A interpretação deve considerar idade, IMC, composição corporal, presença de síndrome metabólica, uso de medicamentos e o método laboratorial de insulina.

Leitura prática (orientativa)

< 2,0em geral, menor IR*
~2,0–2,9zona intermediária*
≥ 3,0IR mais provável*

*Faixas apenas didáticas: o “normal” pode variar bastante por população. Em avaliações seriadas, a tendência (subindo/descendo) costuma ser mais informativa do que um número único.

Em pessoas com diabetes estabelecido, hiperglicemia importante, uso de insulina exógena, doenças agudas ou gestação, o HOMA-IR pode perder validade como estimador de resistência à insulina.

Exemplos de pontos de corte (literatura)

Alguns estudos definem “IR” por percentis em amostras saudáveis ou por acurácia para síndrome metabólica. Por isso, os números mudam por país, idade e IMC.

População / critério Exemplo de cutoff Como foi definido
Adultos não diabéticos (Brasil – BRAMS) HOMA1-IR > 2,7 90º percentil do grupo “saudável”
MetS (diversos estudos) variável (ex.: ~1,7 a >3) ROC / melhor sensibilidade-especificidade

Use o cutoff mais adequado ao seu cenário (idade, IMC, etnia e objetivo: IR vs síndrome metabólica).


Limitações importantes

  • Ensaio de insulina: variações entre métodos/laboratórios impactam o índice.
  • Condição de jejum: jejum inadequado e estresse/doença aguda podem alterar glicose/insulina.
  • Não substitui métodos-referência: não é equivalente a clamp euglicêmico-hiperinsulinêmico.
  • Pontos de corte não universais: valores “normais” mudam por idade, IMC, etnia e população.
  • Aplicabilidade clínica: deve ser interpretado junto com cintura, TG/HDL, PA, HbA1c e contexto.

Quando o objetivo é diagnóstico de diabetes/prediabetes, use critérios formais (glicemia, HbA1c, TOTG) e diretrizes vigentes. O HOMA-IR pode ajudar na estratificação metabólica, mas não substitui esses critérios.


Referências científicas

  • Matthews DR, Hosker JP, Rudenski AS, et al. Homeostasis model assessment: insulin resistance and beta-cell function from fasting plasma glucose and insulin concentrations in man. Diabetologia. 1985;28(7):412–419. DOI: 10.1007/BF00280883.
  • Geloneze B, Vasques ACJ, Stabe CFC, et al. HOMA1-IR and HOMA2-IR indexes in identifying insulin resistance and metabolic syndrome: Brazilian Metabolic Syndrome Study (BRAMS). Arq Bras Endocrinol Metab. 2009. (cutoff IR: HOMA1-IR > 2,7; HOMA2-IR > 1,8).
  • Gayoso-Diz P, Otero-González A, Rodriguez-Alvarez MX, et al. Insulin resistance (HOMA-IR) cut-off values and the metabolic syndrome in a general adult population. BMC Endocr Disord. 2013. (exemplo de variação por idade/sexo).
  • Diniz MFHS, Beleigoli AMR, Ribeiro ALP, et al. Homeostasis model assessment of insulin resistance: uma revisão e pontos de corte variáveis por população/IMC. Cad Saúde Pública. 2020.

Este conteúdo é educacional e não substitui avaliação médica, diagnóstico ou conduta terapêutica individualizada.

Autor:

Foto de Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

CRM-SP 254738

Sou médico residente em Medicina do Esporte e do Exercício pela Universidade de São Paulo (USP), com atuação voltada para avaliação cardiovascular do atleta, fisiologia do exercício e medicina baseada em evidência aplicada ao esporte.

Atuo profissionalmente com métodos gráficos de avaliação cardiovascular, realizando teste ergométrico, eletrocardiograma e monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) em serviços de diagnóstico como Grupo A+ e dr.consulta, além de atendimento em consultório privado.

Também sou médico da Seleção Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas, acompanhando atletas paralímpicos em treinamentos e competições.

Sou fundador da MedEsporte Papers, uma plataforma educacional dedicada à produção e divulgação de conteúdo científico em medicina do esporte, com foco na tradução da literatura científica para a prática clínica.

Meu trabalho é voltado para análise crítica da literatura científica, educação médica e aplicação prática da ciência do exercício na medicina.

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