Calculadora de Sódio Corrigido na Hiperglicemia (Katz e Hillier)

Correção do sódio na hiperglicemia

Na⁺ corrigido (Katz / Hillier)

Em hiperglicemia, o Na⁺ medido pode parecer mais baixo por deslocamento osmótico de água. Esta calculadora estima o Na⁺ corrigido. Fatores usuais: 1,6 (Katz) ou 2,4 (Hillier) mEq/L para cada +100 mg/dL acima de 100 (equivalente em mmol/L).

Dados

Fórmula (mg/dL): Na⁺corr = Na⁺med + fator × ((Glicose − 100) / 100)
Fórmula (mmol/L): Na⁺corr = Na⁺med + fator × ((Glicose − 5,5) / 5,5)
(Se glicose estiver abaixo do “padrão” 100 mg/dL / 5,5 mmol/L, a correção fica zero.)

Resultados

Sódio corrigido
mEq/L
Acréscimo aplicado (ΔNa⁺)
+ mEq/L
Quanto o Na⁺ “sobe” ao corrigir pela hiperglicemia.
Osmolalidade efetiva (opcional)
mOsm/kg
Estimativa: 2×Na + glicose (mmol/L) ou 2×Na + glicose/18 (mg/dL).
Interpretação rápida
dica
Ajuda educacional; decisões clínicas exigem contexto e reavaliações seriadas.
Esta ferramenta destina-se a fins educacionais e não substitui o julgamento clínico profissional.

Calculadora de Sódio Corrigido na Hiperglicemia (Katz e Hillier)

O que é a correção do sódio na hiperglicemia?

A correção do sódio na hiperglicemia estima o Na⁺ corrigido quando a glicose está elevada. Em hiperglicemia, ocorre deslocamento osmótico de água do compartimento intracelular para o extracelular, o que pode reduzir o Na⁺ medido (hiponatremia “dilucional”). A calculadora ajusta o sódio medido para aproximar o valor esperado se a glicose estivesse em nível basal, ajudando na leitura de distúrbios hidroeletrolíticos.

Esta calculadora usa fatores clássicos de correção: 1,6 mEq/L (Katz) ou 2,4 mEq/L (Hillier) para cada aumento de 100 mg/dL acima de 100 mg/dL (ou equivalente em mmol/L). A escolha do fator depende do protocolo e do grau de hiperglicemia.


Como a fórmula funciona?

O cálculo considera um “basal” de glicose (100 mg/dL ou 5,5 mmol/L). A partir do excesso de glicose, aplica-se um fator de correção para estimar o aumento do sódio (“ΔNa⁺”) e obter o Na⁺ corrigido.

1) Fórmula (glicose em mg/dL)

Para glicose em mg/dL, usa-se o basal de 100 mg/dL e incremento por blocos de 100 mg/dL. Não se aplica correção negativa quando a glicose está abaixo do basal.

\[ Na^{+}_{corr} = Na^{+}_{med} + F \times \left(\frac{\max(0,\;Glicose - 100)}{100}\right) \]

Onde \(F\) é o fator de correção (1,6 ou 2,4 mEq/L por 100 mg/dL).

2) Fórmula (glicose em mmol/L)

Para mmol/L, usa-se basal de 5,5 mmol/L (aprox. 100 mg/dL).

\[ Na^{+}_{corr} = Na^{+}_{med} + F \times \left(\frac{\max(0,\;Glicose - 5{,}5)}{5{,}5}\right) \]

3) ΔNa⁺ e osmolalidade efetiva (opcional)

O termo ΔNa⁺ representa o quanto o sódio “sobe” após a correção. A calculadora também estima a osmolalidade efetiva (tonicidade), que depende principalmente de sódio e glicose (ureia não é osmólito efetivo).

\[ \Delta Na^{+} = Na^{+}_{corr} - Na^{+}_{med} \]
\[ Osm_{efetiva} \approx 2\times Na^{+} + \frac{Glicose}{18}\;(\text{mg/dL}) \qquad \text{ou} \qquad Osm_{efetiva} \approx 2\times Na^{+} + Glicose\;(\text{mmol/L}) \]

Para avaliação de tonicidade e risco neurológico, muitos serviços preferem integrar a interpretação com a evolução clínica, reposição hídrica, cetose/acidose, função renal e medições seriadas (especialmente em cetoacidose diabética e estado hiperosmolar).


Interpretação dos resultados

O que muda ao corrigir o Na⁺?

O Na⁺ corrigido ajuda a diferenciar hiponatremia “aparente” por hiperglicemia de hiponatremia verdadeira. Se o Na⁺ corrigido sobe para uma faixa mais alta, parte da queda do Na⁺ medido pode ser explicada por diluição osmótica. Ainda assim, a conduta deve considerar o contexto (volemia, perdas, uso de diuréticos, insuficiência renal e acidose/cetose).

Leitura prática

educacional
ΔNa⁺ pequenocorreção discreta
ΔNa⁺ moderadorevisar volemia
ΔNa⁺ altohiperglicemia importante

Em hiperglicemia intensa, o fator 2,4 (Hillier) pode gerar correções maiores do que 1,6 (Katz), o que altera a interpretação do distúrbio de sódio.

Osmolalidade efetiva

apoio
  • Osm efetiva elevada sugere maior tonicidade e risco de sintomas neurológicos.
  • Em DKA/HHS, a evolução do Na⁺ e da osmolalidade ao tratar a glicose ajuda a guiar reposição hídrica (sempre com protocolo local).

A osmolalidade “total” inclui ureia; aqui usamos a forma efetiva por ser mais relevante para tonicidade.

Pontos de atenção clínicos

  • Unidade da glicose: confirmar mg/dL vs mmol/L (erro de unidade muda o resultado).
  • Escolha do fator: 1,6 (Katz) é o mais usado; 2,4 (Hillier) pode ser mais adequado em hiperglicemia muito alta, conforme protocolo.
  • Volemia e perdas: vômitos, diurese osmótica e diuréticos podem coexistir com hiponatremia/hipernatremia verdadeira.
  • Monitorização seriada: Na⁺, glicose e osmolalidade devem ser acompanhados durante a correção metabólica.

A calculadora é um suporte educacional. Em emergências (DKA/HHS), utilize protocolos institucionais e reavalie eletrólitos e estado clínico de forma seriada.


Limitações importantes

  • As fórmulas são aproximações; o efeito osmótico real varia com duração da hiperglicemia, volemia e terapia em curso.
  • O fator de correção não é universal — diferenças metodológicas e de população explicam variações entre 1,6 e 2,4.
  • Em distúrbios mistos (hipernatremia/hiponatremia verdadeira + hiperglicemia), a interpretação exige integração clínica.
  • Osmolalidade efetiva aqui é estimada e não substitui medida laboratorial quando necessária.

Referências científicas

  • Katz MA. Hyperglycemia-induced hyponatremia—calculation of expected serum sodium depression. N Engl J Med. 1973;289:843–844.
  • Hillier TA, Abbott RD, Barrett EJ. Hyponatremia: evaluating the correction factor for hyperglycemia. Am J Med. 1999;106(4):399–403. DOI: 10.1016/S0002-9343(99)00055-8.
  • Adrogué HJ, Madias NE. Hyponatremia. N Engl J Med. 2000;342:1581–1589.
  • Kitabchi AE, et al. Hyperglycemic crises in adult patients with diabetes (DKA/HHS). Diretrizes e revisões clínicas (consultar protocolo local).

Autor:

Foto de Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

CRM-SP 254738

Sou médico residente em Medicina do Esporte e do Exercício pela Universidade de São Paulo (USP), com atuação voltada para avaliação cardiovascular do atleta, fisiologia do exercício e medicina baseada em evidência aplicada ao esporte.

Atuo profissionalmente com métodos gráficos de avaliação cardiovascular, realizando teste ergométrico, eletrocardiograma e monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) em serviços de diagnóstico como Grupo A+ e dr.consulta, além de atendimento em consultório privado.

Também sou médico da Seleção Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas, acompanhando atletas paralímpicos em treinamentos e competições.

Sou fundador da MedEsporte Papers, uma plataforma educacional dedicada à produção e divulgação de conteúdo científico em medicina do esporte, com foco na tradução da literatura científica para a prática clínica.

Meu trabalho é voltado para análise crítica da literatura científica, educação médica e aplicação prática da ciência do exercício na medicina.