Calculadora do Teste de Léger (Beep Test) para VO₂máx

Calculadora do Teste de Léger (Beep Test)

20 m shuttle run

Informe o nível e o shuttle (ida e volta de 20 m) em que o participante parou. A calculadora estima V (velocidade do último estágio), distância total (aprox.) e o VO₂máx pela equação clássica com velocidade final: VO₂máx (mL/kg/min) = 3,46×V + 12,2, onde V está em km/h. (Obs.: existem variações de protocolo/versões; aqui usamos o modelo mais comum baseado em V final.)

Dados

Normalmente começa no nível 1.
Se não souber, deixe em branco para usar apenas o nível completo.
Ajuste caso seu áudio/protocolo use outra velocidade inicial.
Importante: o número de shuttles por nível varia entre versões/áudios. A distância total aqui é uma aproximação (pelo número de shuttles informado).

Resultados

VO₂máx estimado
mL/kg/min
Velocidade final (V)
km/h
Distância total (aprox.)
m
Classificação (educacional)
geral
Se idade/sexo não forem informados, usamos uma faixa geral por VO₂.
Esta ferramenta destina-se a fins educacionais e não substitui o julgamento clínico profissional.

O que é a Calculadora do Teste de Léger (Beep Test)?

A calculadora do Teste de Léger (Beep Test) estima o VO₂máx com base no desempenho no 20 m shuttle run (corridas de ida e volta de 20 metros sincronizadas por “beeps”). O participante progride por níveis (levels) com aumento incremental de velocidade, até a interrupção voluntária ou incapacidade de manter o ritmo do áudio. A partir do último nível (e shuttle, quando disponível), a ferramenta calcula a velocidade final (V), a distância total aproximada e o VO₂máx por uma equação clássica baseada em \(V\).

Existem diferentes áudios/versões do Beep Test (velocidade inicial e número de shuttles por nível variam). Por isso, a distância total apresentada aqui deve ser interpretada como aproximação, e a escolha da versão (8,5 ou 8,0 km/h no nível 1) deve acompanhar o seu protocolo.


Como a fórmula funciona?

O modelo usado nesta calculadora segue três passos: (1) estimar a velocidade final a partir do nível, (2) estimar o VO₂máx a partir de \(V\) e (3) estimar a distância total de forma aproximada, quando o shuttle do nível final é informado.

1) Velocidade final (V) por nível

Em versões comuns, a velocidade cresce 0,5 km/h por nível. Se a velocidade inicial do nível 1 é \(V_1\), então:

\[ V = V_1 + 0{,}5\cdot(\text{nível}-1) \qquad (\text{km/h}) \]

Na prática, alguns protocolos começam em 8,0 km/h e outros em 8,5 km/h. Por isso a calculadora oferece as duas opções.

2) VO₂máx estimado pela velocidade final

Uma forma simples e difundida de estimar VO₂máx no Léger/Beep Test é usar uma equação linear baseada na velocidade final:

\[ VO_{2\max}(\text{mL/kg/min}) = 3{,}46\cdot V + 12{,}2 \]

Como todo teste de campo, o VO₂máx calculado é uma estimativa indireta e pode variar conforme idade, experiência com mudanças de direção, economia de corrida e motivação.

3) Distância total (aproximação)

Cada shuttle equivale a 20 m. Se você informa o shuttle do nível final, a calculadora estima a distância do nível final como:

\[ d_{\text{final}} \approx 20 \cdot (\text{shuttles no nível final}) \quad (\text{m}) \]

O número de shuttles por nível e a duração do nível variam entre áudios. Assim, o total dos níveis anteriores é tratado como estimativa educacional e deve ser usado com cautela.


Interpretação dos resultados

VO₂máx (mL/kg/min)

O VO₂máx estimado expressa a aptidão cardiorrespiratória. Em contextos esportivos, pode ajudar a monitorar evolução aeróbia ao longo de uma temporada. Em saúde, é um marcador importante de capacidade funcional, mas a interpretação deve considerar idade, sexo, modalidade e contexto clínico.

Velocidade final (V)

A velocidade final é útil porque é o “insumo” direto da equação. Em avaliações seriadas, manter o mesmo áudio/protocolo (mesma velocidade inicial e progressão) é essencial para comparabilidade.

A “classificação” exibida na calculadora é educacional e simplificada. Tabelas normativas do Beep Test variam por idade, sexo, país e versão do protocolo. Para uso escolar/militar, prefira referências específicas do seu sistema.


Limitações importantes

  • Variações do protocolo: velocidade inicial e shuttles por nível mudam entre versões/áudios.
  • Mudanças de direção: eficiência de desaceleração/aceleração influencia mais do que em testes contínuos.
  • Motivação e familiaridade: falta de prática com o teste pode subestimar desempenho e VO₂.
  • Populações especiais: crianças, idosos, atletas de elite e pacientes podem ter viés na equação usada.

Para estimar VO₂ com maior precisão ou investigar limitação clínica, o CPET segue sendo o método de referência.


Referências científicas

  • Léger LA, Mercier D, Gadoury C, Lambert J. The multistage 20 metre shuttle run test for aerobic fitness. J Sports Sci. 1988.
  • Tomkinson GR, Lang JJ, Blanchard J, et al. (referências e discussões sobre testes de shuttle run e aptidão cardiorrespiratória em jovens).
  • American College of Sports Medicine (ACSM). Guidelines for Exercise Testing and Prescription. (princípios de testes de campo e interpretação).
  • Wasserman K, Hansen JE, Sue DY, et al. Principles of Exercise Testing and Interpretation. (contexto de VO₂ e capacidade funcional).

Autor:

Foto de Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

CRM-SP 254738

Sou médico residente em Medicina do Esporte e do Exercício pela Universidade de São Paulo (USP), com atuação voltada para avaliação cardiovascular do atleta, fisiologia do exercício e medicina baseada em evidência aplicada ao esporte.

Atuo profissionalmente com métodos gráficos de avaliação cardiovascular, realizando teste ergométrico, eletrocardiograma e monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) em serviços de diagnóstico como Grupo A+ e dr.consulta, além de atendimento em consultório privado.

Também sou médico da Seleção Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas, acompanhando atletas paralímpicos em treinamentos e competições.

Sou fundador da MedEsporte Papers, uma plataforma educacional dedicada à produção e divulgação de conteúdo científico em medicina do esporte, com foco na tradução da literatura científica para a prática clínica.

Meu trabalho é voltado para análise crítica da literatura científica, educação médica e aplicação prática da ciência do exercício na medicina.

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