Questionário IdFAI: Identificação da Instabilidade Funcional de Tornozelo

IdFAI – Instabilidade Funcional do Tornozelo

Versão Brasileira (Martinez et al., 2017)

Qual tornozelo você está avaliando?
1) Até hoje, quantas vezes você já torceu este tornozelo?
2) Quando foi a última vez que você torceu este tornozelo?
3) Se você já procurou um profissional de saúde, como ele classificou sua pior entorse?
4) Se você usou muletas ou dispositivo após uma entorse, por quanto tempo utilizou?
5) Quando foi a última vez que você sentiu “falseio” neste tornozelo?
6) Com que frequência a sensação de “falseio” ocorre?
7) Tipicamente, quando sente que seu tornozelo irá torcer, você consegue evitar?
8) Após um incidente típico de torção, quanto tempo o tornozelo leva para voltar ao 'normal'?
9) Durante atividades de vida diária, com que frequência este tornozelo parece INSTÁVEL?
10) Durante atividades esportivas ou recreativas, com que frequência este tornozelo parece INSTÁVEL?
Resultado da avaliação
Pontuação total: 0 / 37

O questionário IdFAI (Identification of Functional Ankle Instability) é um instrumento clínico padronizado que quantifica, por meio de um questionário validado, a presença de instabilidade funcional do tornozelo (FAI). A ferramenta é especialmente útil para fisioterapeutas, médicos do esporte, ortopedistas e pesquisadores que necessitam identificar sintomas de “falseio”, recorrência de entorses e déficits funcionais associados à instabilidade crônica. A versão brasileira do IdFAI foi traduzida, adaptada culturalmente e teve suas propriedades de medida confirmadas, tornando o escore aplicável na prática clínica e em estudos científicos.

Como a fórmula funciona

O IdFAI é composto por 10 itens distribuídos em três domínios fundamentais da fisiopatologia da instabilidade funcional do tornozelo:

  1. Histórico de instabilidade (itens 5, 6, 7 e 10)

  2. Informações sobre a entorse inicial (itens 1, 2, 3 e 4)

  3. Instabilidade durante atividades de vida diária (itens 8 e 9)

Cada alternativa possui um valor numérico pré-definido (0–5), refletindo a gravidade ou frequência dos sintomas. A soma total resulta em um escore de 0 a 37 pontos.

O método foi originalmente desenvolvido a partir da combinação dos instrumentos CAIT e AII, considerados os mais consistentes para identificar FAI. A análise fatorial exploratória demonstrou que os 10 itens explicam 77,4% da variância do construto, garantindo estrutura robusta do instrumento .

A versão brasileira apresentou excelente reprodutibilidade, com ICC entre 0,92 e 0,99, alta consistência interna (α=0,87) e ausência de efeitos de piso ou teto, confirmando sua confiabilidade clínica e científica.

Interpretação dos resultados

A interpretação do escore é direta e segue o ponto de corte estabelecido pelos autores:

≤ 10 pontos — Baixa probabilidade de FAI

Indivíduos com escore igual ou inferior a 10 tendem a apresentar estabilidade funcional preservada, sem recorrência significativa de falseios ou limitações funcionais relevantes.

≥ 11 pontos — Provável instabilidade funcional do tornozelo

Escore igual ou superior a 11 indica instabilidade funcional, caracterizada por episódios recorrentes de falseio, déficits neuromusculares e potencial impacto em atividades esportivas e de vida diária.

Nesses casos, recomenda-se avaliação clínica detalhada, incluindo:

  • Testes proprioceptivos

  • Avaliação biomecânica

  • Testes funcionais específicos

  • Investigação de instabilidade mecânica associada

O IdFAI não substitui o diagnóstico clínico, mas fornece um marcador objetivo padronizado, útil para triagem, acompanhamento de reabilitação e seleção de participantes em pesquisas.

Referências científicas

  • Simon J, Donahue M, Docherty C. Development of the Identification of Functional Ankle Instability (IdFAI). Foot & Ankle International. 2012;33(9):755–763. DOI: 10.3113/FAI.2012.0755

  • Martinez BR et al. Translation, cross-cultural adaptation, and measurement properties of the Brazilian version of the IdFAI questionnaire. Physical Therapy in Sport. 2017. DOI: 10.1016/j.ptsp.2017.09.004

  • Donahue M, Simon J, Docherty C. Reliability and validity of a new questionnaire created to establish the presence of functional ankle instability: The IdFAI. Athletic Training & Sports Health Care. 2013.

  • Gribble PA et al. Selection criteria for patients with chronic ankle instability. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy. 2013.

Autor:

Foto de Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

CRM-SP 254738

Sou médico residente em Medicina do Esporte e do Exercício pela Universidade de São Paulo (USP), com atuação voltada para avaliação cardiovascular do atleta, fisiologia do exercício e medicina baseada em evidência aplicada ao esporte.

Atuo profissionalmente com métodos gráficos de avaliação cardiovascular, realizando teste ergométrico, eletrocardiograma e monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) em serviços de diagnóstico como Grupo A+ e dr.consulta, além de atendimento em consultório privado.

Também sou médico da Seleção Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas, acompanhando atletas paralímpicos em treinamentos e competições.

Sou fundador da MedEsporte Papers, uma plataforma educacional dedicada à produção e divulgação de conteúdo científico em medicina do esporte, com foco na tradução da literatura científica para a prática clínica.

Meu trabalho é voltado para análise crítica da literatura científica, educação médica e aplicação prática da ciência do exercício na medicina.

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