Escala MDS-UPDRS para avaliação da doença de Parkinson

A MDS-UPDRS em português é uma escala clínica utilizada para avaliar os sintomas da doença de Parkinson, suas repercussões nas atividades diárias e as complicações motoras relacionadas ao tratamento.

O nome MDS-UPDRS corresponde a Movement Disorder Society–Unified Parkinson’s Disease Rating Scale. O instrumento combina informações fornecidas pelo paciente ou cuidador com uma avaliação estruturada realizada por um profissional de saúde.

A escala não serve apenas para identificar sintomas motores. Ela também avalia alterações cognitivas, sintomas neuropsiquiátricos, sono, dor, fadiga, função urinária, constipação e outras manifestações não motoras frequentes na doença de Parkinson.

Para que serve a escala MDS-UPDRS?

A MDS-UPDRS permite quantificar diferentes manifestações da doença de Parkinson de maneira padronizada. Entre suas principais aplicações estão:

  • Avaliar sintomas motores e não motores;

  • Mensurar o impacto da doença nas atividades da vida diária;

  • Documentar os achados do exame motor;

  • Identificar discinesias e flutuações motoras;

  • Registrar a presença e a duração dos períodos OFF;

  • Acompanhar a evolução clínica ao longo do tempo;

  • Comparar avaliações realizadas antes e depois de uma intervenção;

  • Auxiliar no monitoramento da resposta ao tratamento.

A aplicação periódica pode mostrar se determinados sintomas permaneceram estáveis, melhoraram ou pioraram. Entretanto, a pontuação sempre deve ser interpretada em conjunto com a história clínica, o exame neurológico e as condições em que a avaliação foi realizada.

Como a MDS-UPDRS é dividida?

A MDS-UPDRS é composta por quatro partes, que avaliam diferentes dimensões da doença de Parkinson:

ParteDomínio avaliadoForma de avaliação
Parte IExperiências não motoras da vida diáriaEntrevista clínica e respostas do paciente ou cuidador
Parte IIExperiências motoras da vida diáriaQuestionário respondido pelo paciente, com ou sem auxílio do cuidador
Parte IIIExame motorAvaliação presencial realizada pelo examinador
Parte IVComplicações motorasEntrevista clínica associada ao julgamento do examinador

Parte I: experiências não motoras da vida diária

A Parte I avalia sintomas não motores e sua interferência na rotina do paciente. São abordados aspectos como:

  • Comprometimento cognitivo;

  • Alucinações e sintomas psicóticos;

  • Humor deprimido;

  • Ansiedade;

  • Apatia;

  • Comportamentos relacionados à desregulação dopaminérgica;

  • Problemas de sono;

  • Sonolência durante o dia;

  • Dor e outras alterações sensitivas;

  • Sintomas urinários;

  • Constipação;

  • Tontura ao se levantar;

  • Fadiga.

Essa parte contém uma seção conduzida pelo examinador e outra que pode ser respondida diretamente pelo paciente, com ou sem ajuda de um cuidador.

Parte II: experiências motoras da vida diária

A Parte II investiga como os sintomas motores interferem nas atividades cotidianas. A avaliação considera dificuldades relacionadas a:

  • Fala;

  • Salivação;

  • Mastigação e deglutição;

  • Alimentação;

  • Vestir-se;

  • Higiene pessoal;

  • Escrita;

  • Atividades de lazer;

  • Mobilidade no leito;

  • Tremor;

  • Levantar-se da cama, do carro ou de uma cadeira;

  • Caminhada e equilíbrio;

  • Congelamento da marcha.

As respostas devem representar o funcionamento habitual do paciente durante o período indicado pelo questionário.

Parte III: exame motor

A Parte III da MDS-UPDRS corresponde ao exame motor estruturado. Essa etapa deve ser realizada por um profissional treinado e inclui a avaliação de:

  • Fala;

  • Expressão facial;

  • Rigidez;

  • Movimentos repetitivos das mãos;

  • Movimentos de pronação e supinação;

  • Batidas dos dedos dos pés;

  • Agilidade das pernas;

  • Capacidade de se levantar da cadeira;

  • Marcha;

  • Congelamento da marcha;

  • Estabilidade postural;

  • Postura;

  • Bradicinesia global;

  • Tremor postural;

  • Tremor cinético;

  • Tremor de repouso.

O examinador também deve registrar se o paciente utiliza medicamentos para Parkinson, se está em estado ON ou OFF e, quando aplicável, quanto tempo se passou desde a última dose de levodopa.

Parte IV: complicações motoras

A Parte IV avalia complicações que podem surgir durante o tratamento da doença de Parkinson, especialmente em pacientes que utilizam levodopa.

São avaliados:

  • Tempo diário com discinesias;

  • Impacto funcional das discinesias;

  • Tempo diário no estado OFF;

  • Impacto funcional das flutuações motoras;

  • Previsibilidade dos períodos OFF;

  • Distonia dolorosa durante o estado OFF.

Essa etapa ajuda a identificar quanto tempo o paciente permanece com boa resposta ao tratamento e quanto tempo apresenta piora dos sintomas ou movimentos involuntários.

Como funciona a pontuação da MDS-UPDRS?

Cada item da MDS-UPDRS recebe uma pontuação de 0 a 4. O valor 0 representa ausência de alteração, enquanto os valores de 1 a 4 indicam graus progressivamente maiores de comprometimento.

Parte da escalaNúmero de pontuaçõesPontuação máxima
Parte I1352
Parte II1352
Parte III33132
Parte IV624
Total65260

Quando todos os itens podem ser avaliados, a pontuação total teórica varia de 0 a 260 pontos. Quanto maior o resultado, maior é o comprometimento identificado nos domínios avaliados.

Entretanto, o valor total não deve ser interpretado isoladamente. Dois pacientes podem apresentar a mesma pontuação final, mas ter perfis completamente diferentes. Um deles pode acumular mais pontos por alterações motoras, enquanto outro pode apresentar maior impacto de sintomas não motores ou complicações do tratamento.

Por isso, a interpretação mais adequada considera:

  • A pontuação de cada parte;

  • Os itens responsáveis pelo aumento do resultado;

  • O estado ON ou OFF durante o exame;

  • O horário da última dose de levodopa;

  • As doenças associadas;

  • As limitações funcionais do paciente;

  • A comparação com avaliações anteriores.

Como aplicar o questionário MDS-UPDRS em português?

Para obter resultados confiáveis, a aplicação deve respeitar as instruções específicas de cada parte da escala.

As Partes I, II e IV avaliam principalmente as experiências do paciente durante o período determinado pelo instrumento. A Parte III registra o desempenho observado durante o exame motor.

Sempre que possível, as avaliações de acompanhamento devem ser realizadas em condições semelhantes, especialmente em relação ao estado ON ou OFF e ao intervalo desde a última dose de levodopa. Isso reduz a influência de variações momentâneas e facilita a comparação entre os resultados.

O paciente e o cuidador podem contribuir com informações importantes, mas a MDS-UPDRS completa não deve ser utilizada como um simples teste de autoavaliação. A Parte III exige exame motor, e outras seções dependem de entrevista, observação e julgamento clínico.

Qual é a diferença entre UPDRS e MDS-UPDRS?

A MDS-UPDRS é uma revisão da UPDRS original patrocinada pela International Parkinson and Movement Disorder Society.

A versão revisada manteve a divisão geral em quatro partes, mas aprimorou as instruções de aplicação, tornou os critérios de pontuação mais claros e ampliou a avaliação dos sintomas não motores e de seu impacto na vida diária.

Por esse motivo, a MDS-UPDRS é amplamente utilizada na assistência clínica e em pesquisas envolvendo pessoas com doença de Parkinson.

A MDS-UPDRS diagnostica a doença de Parkinson?

Não. A MDS-UPDRS não confirma nem exclui o diagnóstico da doença de Parkinson.

A escala foi desenvolvida para mensurar manifestações clínicas, limitações funcionais e complicações motoras. O diagnóstico da doença de Parkinson permanece clínico e depende da história do paciente, do exame neurológico, da evolução dos sintomas, da resposta ao tratamento e da exclusão de diagnósticos alternativos.

MDS-UPDRS e Hoehn & Yahr são a mesma coisa?

Não. A MDS-UPDRS avalia detalhadamente sintomas motores, sintomas não motores, atividades da vida diária e complicações relacionadas ao tratamento.

A classificação de Hoehn & Yahr descreve estágios globais da doença, considerando principalmente o comprometimento bilateral, o equilíbrio e a independência funcional.

As duas ferramentas podem ser utilizadas de maneira complementar, mas suas pontuações não são equivalentes.

Quem pode aplicar a MDS-UPDRS?

A aplicação completa deve ser realizada ou supervisionada por um profissional de saúde treinado.

O paciente pode responder diretamente determinadas seções, especialmente as Partes IB e II. No entanto, a Parte IA exige avaliação do examinador, a Parte III depende de exame motor presencial e a Parte IV combina as informações do paciente com o julgamento clínico profissional.

Como interpretar uma pontuação alta na MDS-UPDRS?

Uma pontuação mais alta indica maior comprometimento nos itens avaliados, mas não define isoladamente o estágio, o prognóstico ou a gravidade global da doença.

É necessário verificar em quais partes ocorreu o aumento da pontuação e quais sintomas foram responsáveis pelo resultado. Mudanças ao longo do tempo também devem ser analisadas considerando o tratamento, o estado motor e as condições da avaliação.

Aviso importante

A MDS-UPDRS é uma ferramenta de avaliação clínica e não substitui consulta médica, exame neurológico ou julgamento profissional. A pontuação não deve ser utilizada isoladamente para estabelecer diagnóstico, definir prognóstico ou modificar medicamentos.

A escala é de propriedade da International Parkinson and Movement Disorder Society, e sua reprodução ou disponibilização eletrônica deve respeitar as condições de autorização e licenciamento estabelecidas pela instituição.

Referência científica

Goetz CG, Tilley BC, Shaftman SR, et al. Movement Disorder Society-sponsored revision of the Unified Parkinson’s Disease Rating Scale (MDS-UPDRS): scale presentation and clinimetric testing results. Movement Disorders. 2008;23(15):2129-2170. DOI: 10.1002/mds.22340.

Autor:

Foto de Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

CRM-SP 254738

Sou médico residente em Medicina do Esporte e do Exercício pela Universidade de São Paulo (USP), com atuação voltada para avaliação cardiovascular do atleta, fisiologia do exercício e medicina baseada em evidência aplicada ao esporte.

Atuo profissionalmente com métodos gráficos de avaliação cardiovascular, realizando teste ergométrico, eletrocardiograma e monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) em serviços de diagnóstico como Grupo A+ e dr.consulta, além de atendimento em consultório privado.

Também sou médico da Seleção Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas, acompanhando atletas paralímpicos em treinamentos e competições.

Sou fundador da MedEsporte Papers, uma plataforma educacional dedicada à produção e divulgação de conteúdo científico em medicina do esporte, com foco na tradução da literatura científica para a prática clínica.

Meu trabalho é voltado para análise crítica da literatura científica, educação médica e aplicação prática da ciência do exercício na medicina.

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