REDs CAT 2

IOC REDs CAT2

Estratificação de gravidade e risco

Calculadora baseada nos indicadores e na matriz de cores do instrumento oficial. O resultado auxilia a avaliação clínica, mas não estabelece o diagnóstico de REDs.

Etapa 1 0%

Cada indicador exige investigação de diagnósticos diferenciais não mediados por baixa disponibilidade energética. Resultados hormonais e laboratoriais devem ser interpretados conforme idade, sexo e intervalo de referência do laboratório.

O estado menstrual e os hormônios sexuais não são avaliados adequadamente durante o uso de medicamentos que os alterem; o mesmo se aplica à função tireoidiana durante tratamento tireoidiano.

Fonte: Stellingwerff et al., BJSM, 2023 .

A calculadora REDs CAT2 organiza os indicadores primários e secundários propostos pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e aplica a matriz de estratificação de gravidade e risco do instrumento. Ao final, o atleta é classificado em uma das quatro categorias do sistema de semáforo: verde, amarelo, laranja ou vermelho.

O resultado, entretanto, não confirma nem exclui o diagnóstico de Deficiência Energética Relativa no Esporte (REDs). Ele corresponde a uma etapa da avaliação clínica e deve ser interpretado por uma equipe de saúde e performance liderada por médico, após a investigação de diagnósticos diferenciais.

O que é REDs?

REDs é a sigla em inglês para Relative Energy Deficiency in Sport, ou Deficiência Energética Relativa no Esporte. Segundo o consenso do COI, trata-se de uma síndrome de alterações fisiológicas e/ou psicológicas atribuídas à exposição a uma baixa disponibilidade energética problemática — suficientemente prolongada ou intensa para comprometer funções do organismo.

Baixa disponibilidade energética significa que, após descontar o gasto energético do exercício, a energia restante seria insuficiente para sustentar adequadamente os demais processos fisiológicos. Na prática, porém, ingestão alimentar, gasto do exercício e massa livre de gordura são difíceis de medir com precisão fora do laboratório. Por isso, o cálculo isolado da disponibilidade energética não deve ser usado como teste diagnóstico de REDs.

Também é fundamental distinguir uma baixa disponibilidade energética transitória e adaptável de uma exposição problemática. Nem todo déficit energético, emagrecimento ou período de treinamento intenso representa REDs.

O que é o IOC REDs CAT2?

O IOC REDs CAT2 é a segunda versão do instrumento clínico desenvolvido pelo COI para auxiliar profissionais na avaliação de atletas com suspeita de REDs. O modelo publicado em 2023 propõe três etapas:

  1. Triagem inicial com questionários apropriados para a população e/ou entrevista clínica.

  2. Avaliação de indicadores clínicos, estratificação de gravidade e risco e orientação sobre participação esportiva.

  3. Integração dos dados, exclusão de outras causas, diagnóstico médico e elaboração do plano terapêutico.

Esta calculadora auxilia especificamente na organização da pontuação e na classificação por cores da segunda etapa. Ela não substitui a triagem, a anamnese, o exame físico, a avaliação de estabilidade clínica nem a terceira etapa do protocolo.

Como usar a calculadora REDs CAT2

Selecione primeiro o sexo biológico, pois o instrumento utiliza indicadores reprodutivos diferentes para atletas do sexo feminino e masculino. Em seguida, responda “Sim”, “Não” ou “Não avaliado” para cada item apresentado.

As perguntas incluem, conforme o sexo e o contexto clínico:

  • função menstrual ou concentração de testosterona;

  • T3 total ou livre;

  • histórico de lesões ósseas por estresse;

  • densidade mineral óssea avaliada por DXA;

  • trajetória de crescimento em crianças e adolescentes;

  • EDE-Q elevado ou transtorno alimentar diagnosticado;

  • colesterol total ou LDL;

  • diagnóstico clínico de depressão e/ou ansiedade.

Os indicadores primários recebem maior peso na matriz. Um indicador primário grave vale dois pontos, enquanto os demais indicadores primários e secundários pontuados valem um ponto. Combinações mutuamente excludentes — como amenorreia grave e amenorreia de menor duração — não devem ser somadas simultaneamente.

Quando um dado não estiver disponível, selecione “Não avaliado”. A calculadora apresentará uma classificação provisória, mas a confiabilidade do resultado diminui quando faltam indicadores relevantes. Ausência de exame não equivale a resultado normal.

Como interpretar o resultado

Verde — gravidade e risco baixos

A combinação de indicadores pontuados é compatível com a faixa de menor gravidade e risco da matriz. Isso não elimina a necessidade de investigar sintomas, alterações recentes ou diagnósticos alternativos quando houver suspeita clínica.

Amarelo — gravidade e risco leves

Há um ou mais achados que justificam avaliação clínica, acompanhamento e correção de fatores potencialmente envolvidos. A cor amarela não constitui, sozinha, diagnóstico de REDs.

Laranja — gravidade e risco moderados a altos

A combinação de indicadores sugere maior gravidade ou risco. É necessária avaliação médica mais abrangente, discussão multiprofissional e definição individualizada da conduta e da participação esportiva.

Vermelho — gravidade e risco muito altos

A pontuação indica a faixa mais elevada da matriz. O caso exige avaliação médica prioritária, investigação de estabilidade clínica e decisão individualizada sobre treinamento e competição. A cor vermelha não deve ser interpretada automaticamente como diagnóstico etiológico: ainda é necessário verificar se os achados decorrem de baixa disponibilidade energética problemática ou de outra condição.

Atenção aos indicadores médicos graves

O CAT2 completo também descreve indicadores médicos graves relacionados a REDs e/ou transtornos alimentares que podem exigir atenção imediata, possível hospitalização e afastamento do treinamento e da competição. Entre eles estão alterações importantes de frequência cardíaca e pressão arterial, instabilidade ortostática, distúrbios eletrolíticos, alterações eletrocardiográficas e outros sinais de instabilidade médica.

Essas situações não devem aguardar o resultado da calculadora. Diante de síncope, dor torácica, dispneia, confusão, desidratação importante, bradicardia extrema, hipotensão relevante, suspeita de transtorno alimentar grave ou risco de autoagressão, é necessária avaliação médica imediata.

Por que a calculadora não diagnostica REDs?

Amenorreia, testosterona baixa, T3 reduzido, baixa densidade mineral óssea, lesão por estresse, dislipidemia, ansiedade e depressão não são alterações exclusivas de REDs. Cada uma possui diferentes diagnósticos possíveis.

Antes de atribuir esses achados à baixa disponibilidade energética, o médico pode precisar investigar, conforme o caso, gestação, síndrome dos ovários policísticos, hiperprolactinemia, doenças da tireoide, hipogonadismo primário ou central, uso de medicamentos, deficiência de vitamina D, baixa ingestão de cálcio, alterações biomecânicas, carga de treinamento, distúrbios do sono, overreaching, overtraining e transtornos psiquiátricos.

Portanto, sintomas genéricos somados a uma estimativa de baixa disponibilidade energética não são suficientes para diagnosticar REDs. O diagnóstico exige coerência temporal, plausibilidade causal, exclusão de outras etiologias e integração dos achados por profissional qualificado.

Quais são as limitações do IOC REDs CAT2?

O CAT2 representa um avanço na padronização da avaliação, mas não é um teste diagnóstico definitivo. A própria publicação original afirma que não existe um método único e validado capaz de diagnosticar REDs isoladamente.

A base científica também não é uniforme para todos os indicadores e grupos. Grande parte dos dados foi produzida em atletas adultos, com menor sustentação para indivíduos antes ou durante a puberdade, atletas menopausadas, adultos mais velhos e para-atletas.

Um estudo publicado posteriormente aplicou o CAT2, com pequenas modificações, a 213 atletas de elite e encontrou associação entre categorias mais graves e alguns marcadores clínicos, além de maior ocorrência futura autorreferida de lesão óssea por estresse na categoria laranja em comparação com a verde. Embora esses dados apoiem a utilidade da estratificação, o número de eventos em algumas análises foi pequeno e os intervalos de confiança foram amplos. A ferramenta deve, portanto, apoiar — e não substituir — o raciocínio clínico.

O que fazer após o resultado?

Use a função “Copiar para o prontuário” para registrar a pontuação, os indicadores presentes e os itens não avaliados. Em seguida:

  1. Confirme a qualidade e a atualidade dos dados inseridos.

  2. Avalie sinais de instabilidade médica e indicadores graves.

  3. Investigue diagnósticos diferenciais para cada alteração.

  4. Analise a evolução do peso, alimentação, carga de treinamento, recuperação, saúde mental, função reprodutiva, lesões e desempenho.

  5. Quando houver suspeita consistente, conduza o caso com equipe multiprofissional, idealmente envolvendo medicina do esporte, nutrição esportiva e saúde mental.

  6. Individualize qualquer restrição de treino ou competição conforme a condição clínica, o esporte, o risco da modalidade e a possibilidade de monitoramento.

Perguntas frequentes

A calculadora REDs CAT2 confirma o diagnóstico de REDs?

Não. Ela organiza indicadores e estima a categoria de gravidade e risco prevista na matriz. O diagnóstico é médico e depende da avaliação clínica, da exclusão de outras causas e da integração dos dados.

É necessário calcular a disponibilidade energética antes de usar o CAT2?

Não. A medida direta da disponibilidade energética não faz parte da pontuação desta calculadora. Estimativas de ingestão e gasto podem contribuir para a avaliação nutricional, mas apresentam erro relevante e não devem ser usadas isoladamente para confirmar ou excluir REDs.

Um resultado amarelo significa que o atleta tem REDs?

Não necessariamente. A cor amarela indica a presença de uma combinação de indicadores que merece avaliação. O mesmo achado pode ter outras causas.

Um resultado verde exclui REDs?

Não de forma absoluta, especialmente quando há dados ausentes, alterações recentes ainda não refletidas nos exames ou sintomas relevantes não contemplados na pontuação. O resultado deve ser confrontado com a história clínica.

A ferramenta pode ser usada pelo próprio atleta?

O atleta pode conhecer os itens avaliados, mas o CAT2 foi desenvolvido para aplicação por equipes de saúde e performance lideradas por médico. Resultados laboratoriais, hormonais, menstruais, ósseos e psiquiátricos exigem interpretação profissional.

Referências

  1. Stellingwerff T, Mountjoy M, McCluskey WTP, et al. Review of the scientific rationale, development and validation of the International Olympic Committee Relative Energy Deficiency in Sport Clinical Assessment Tool: V.2 (IOC REDs CAT2). British Journal of Sports Medicine. 2023;57:1109-1118. DOI: 10.1136/bjsports-2023-106914.

  2. Mountjoy M, Ackerman KE, Bailey DM, et al. 2023 International Olympic Committee’s consensus statement on Relative Energy Deficiency in Sport (REDs). British Journal of Sports Medicine. 2023;57:1073-1097. DOI: 10.1136/bjsports-2023-106994.

  3. Heikura IA, McCluskey WTP, Tsai MC, et al. Application of the IOC Relative Energy Deficiency in Sport (REDs) Clinical Assessment Tool version 2 (CAT2) across 200+ elite athletes. British Journal of Sports Medicine. 2025;59:24-35. DOI: 10.1136/bjsports-2024-108121.

Autor:

Foto de Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

Dr. Guilherme Alfonso Vieira Adami

CRM-SP 254738

Sou médico residente em Medicina do Esporte e do Exercício pela Universidade de São Paulo (USP), com atuação voltada para avaliação cardiovascular do atleta, fisiologia do exercício e medicina baseada em evidência aplicada ao esporte.

Atuo profissionalmente com métodos gráficos de avaliação cardiovascular, realizando teste ergométrico, eletrocardiograma e monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) em serviços de diagnóstico como Grupo A+ e dr.consulta, além de atendimento em consultório privado.

Também sou médico da Seleção Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas, acompanhando atletas paralímpicos em treinamentos e competições.

Sou fundador da MedEsporte Papers, uma plataforma educacional dedicada à produção e divulgação de conteúdo científico em medicina do esporte, com foco na tradução da literatura científica para a prática clínica.

Meu trabalho é voltado para análise crítica da literatura científica, educação médica e aplicação prática da ciência do exercício na medicina.

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