Suplementação Oral de Magnésio: Eficácia e Segurança para o Tratamento da Insônia em Adultos Idosos

1. Introdução e Contextualização Epidemiológica

A insônia representa uma das queixas clínicas mais prevalentes e desafiadoras na medicina geriátrica contemporânea. A literatura científica estima que aproximadamente 50% dos adultos com idade igual ou superior a 55 anos sofrem de alguma forma de distúrbio do sono, caracterizado por dificuldades em iniciar o sono, manter o sono contínuo ou despertar precocemente com incapacidade de retomar o descanso.1 Esta condição transcende o mero desconforto noturno; ela constitui um fator de risco independente e significativo para uma miríade de desfechos adversos de saúde, incluindo declínio cognitivo, comprometimento da memória, aumento do risco de quedas, fraturas e desenvolvimento de demência.1

O magnésio (Mg) emergiu como um candidato terapêutico de grande interesse no campo da Medicina Complementar e Alternativa (CAM). Frequentemente promovido como um auxiliar de sono “natural”, barato e amplamente disponível, o magnésio é consumido como um suplemento de venda livre (OTC) por uma parcela significativa da população.1 No entanto, a prática clínica baseada em evidências exige que tais intervenções sejam submetidas ao escrutínio rigoroso de ensaios controlados para validar sua eficácia real e perfil de segurança.

Este relatório técnico oferece uma análise exaustiva da revisão sistemática e meta-análise conduzida por Jasmine Mah e Tyler Pitre, publicada originalmente no BMC Complementary Medicine and Therapies em 2021 e corrigida em 2024.1 O documento disseca minuciosamente os mecanismos fisiopatológicos propostos, a metodologia da revisão, os resultados quantitativos detalhados dos ensaios clínicos randomizados (ECR) incluídos e as implicações pragmáticas para a prescrição médica.

2. Fisiopatologia: O Papel do Magnésio na Regulação do Sono e o Envelhecimento

Para compreender a racionalidade clínica da suplementação de magnésio, é importante explorar os mecanismos bioquímicos subjacentes que ligam este cátion divalente à neurobiologia do sono, bem como as alterações fisiológicas associadas ao envelhecimento que predispõem à deficiência deste mineral.

2.1. Mecanismos Neuroquímicos e Neuroendócrinos

O magnésio desempenha um papel pleiotrópico no sistema nervoso central, atuando como um regulador chave da excitabilidade neuronal. A hipótese central, ilustrada no modelo lógico da revisão, postula que o magnésio influencia a arquitetura do sono através de duas vias primárias de neurotransmissão:

  1. Antagonismo do Receptor NMDA: O magnésio atua como um bloqueador natural do canal iônico do receptor N-metil-D-aspartato (NMDA). O glutamato, principal neurotransmissor excitatório, ativa estes receptores. Ao bloquear o canal do NMDA em repouso, o magnésio previne a hiperexcitabilidade neuronal, facilitando a transição do estado de vigília para o sono e prevenindo despertares noturnos abruptos.1
  2. Agonismo do Receptor GABA: Paralelamente, o magnésio funciona como um agonista dos receptores de ácido gama-aminobutírico (GABA), o principal neurotransmissor inibitório do cérebro. A ativação GABAérgica é fundamental para a indução do sono, promoção do relaxamento muscular e redução da ansiedade, mimetizando, de forma mais suave e fisiológica, o mecanismo de ação de hipnóticos farmacológicos como os benzodiazepínicos.1

Além da neurotransmissão direta, o magnésio está intrinsecamente envolvido na regulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA) e na síntese de melatonina. Estudos sugerem que a suplementação de magnésio pode normalizar os níveis de cortisol (o “hormônio do estresse”), que em níveis elevados fragmenta o sono) e aumentar a secreção de melatonina pela glândula pineal, fortalecendo o ritmo circadiano.5 Adicionalmente, o magnésio participa da regulação da renina e da aldosterona, sugerindo um impacto sistêmico na homeostase eletrolítica que pode influenciar indiretamente o conforto noturno.5

2.2. A Vulnerabilidade do Idoso à Deficiência de Magnésio

A população geriátrica apresenta uma suscetibilidade única à hipomagnesemia subclínica ou crônica, criando um cenário fisiológico onde a suplementação pode ter um impacto terapêutico mais pronunciado do que em adultos jovens. Fatores contribuintes incluem:

  • Ingestão Dietética Reduzida: Alterações no apetite, dentição, e escolhas alimentares frequentemente levam a uma ingestão de magnésio abaixo da Recomendação Diária (RDA).1
  • Absorção Intestinal Comprometida: O envelhecimento gastrointestinal pode reduzir a eficiência da absorção passiva e ativa de magnésio.1
  • Excreção Renal Aumentada: Alterações na função tubular renal ou o uso de diuréticos (comuns no tratamento da hipertensão) podem aumentar a perda urinária de magnésio.1
  • Metabolismo Ósseo: A redução da massa óssea, o principal reservatório de magnésio do corpo, diminui a capacidade do organismo de tamponar flutuações nos níveis séricos.1

Esta “tempestade perfeita” de fatores leva a um estado de deficiência que pode se manifestar clinicamente como alterações na arquitetura do sono, especificamente uma redução no sono de ondas lentas (SWS) e aumento da latência do sono, sintomas clássicos da insônia geriátrica.1

3. Metodologia da Revisão Sistemática

A revisão de Mah e Pitre distingue-se pelo rigor metodológico aplicado na tentativa de isolar evidências de alta qualidade em um campo frequentemente saturado por dados anedóticos.

3.1. Critérios de Elegibilidade

A seleção dos estudos obedeceu a critérios estritos para garantir a homogeneidade e a validade interna da análise:

  • População: Idosos, definidos operacionalmente como uma população onde a maioria (>50%) dos participantes tinha 55 anos ou mais. O diagnóstico de insônia deveria ser confirmado por medidas padronizadas (questionários validados como ISI ou PSQI), avaliação clínica laboratorial (polissonografia/EEG) ou diários de sono autorrelatados.1 Foram excluídos estudos focados em síndrome das pernas inquietas ou cãibras noturnas, isolando a insônia primária como alvo.1
  • Intervenção: Suplementação oral de magnésio de qualquer dose, formulação (ex: óxido, citrato), frequência ou duração. Co-intervenções (ex: magnésio + melatonina + zinco) foram excluídas para evitar confundimento sobre qual agente produziu o efeito.1
  • Comparação: Placebo ou nenhum tratamento.
  • Desfechos: Qualidade do sono (subjetiva via questionários), quantidade do sono (parâmetros de tempo objetivos ou subjetivos) e eventos adversos.1

4. Análise Detalhada dos Estudos Primários Incluídos

De 152 registros iniciais, apenas três Ensaios Clínicos Randomizados (ECR) atenderam aos critérios de elegibilidade, totalizando uma amostra combinada de 151 participantes.1 A escassez de estudos ressalta a lacuna de conhecimento na área. Abaixo, detalha-se cada estudo individualmente para compreender a base da evidência.

4.1. Abbasi et al. (2012) – Irã: O Impacto Bioquímico e Clínico

Este ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo é, talvez, o mais abrangente em termos de desfechos bioquímicos e clínicos combinados.

  • População: 46 idosos (média de idade 65 anos) com insônia primária diagnosticada pelo Índice de Gravidade da Insônia (ISI).1
  • Intervenção: 500 mg de magnésio elementar diariamente, administrados na forma de Óxido de Magnésio (250 mg duas vezes ao dia) por um período de 8 semanas.1
  • Achados Bioquímicos: O estudo investigou profundamente o mecanismo neuroendócrino. Os resultados mostraram aumentos estatisticamente significativos nos níveis séricos de renina (P < 0.001) e melatonina (P = 0.007), juntamente com uma redução significativa nas concentrações de cortisol sérico (P = 0.008) no grupo magnésio comparado ao placebo.5 Estes dados validam a hipótese fisiopatológica de que o magnésio modula o eixo HPA e a secreção pineal.
  • Resultados de Sono: Clinicamente, o grupo magnésio apresentou melhorias estatisticamente significativas no tempo de sono (P = 0.002), eficiência do sono (P = 0.03), latência do início do sono (P = 0.02) e escore total do ISI (P = 0.006).5

4.2. Held et al. (2002) – Alemanha: Arquitetura do Sono e Ondas Lentas

Este estudo cruzado (crossover) focou na arquitetura eletrofisiológica do sono em idosos saudáveis, utilizando polissonografia, o padrão-ouro objetivo.

  • População: 12 idosos saudáveis (média de idade 69 anos).1
  • Intervenção: Um regime de dose escalonada de magnésio elementar (via óxido de magnésio efervescente) atingindo até 20 a 30 mmol (aprox. 486 a 729 mg) diariamente. O protocolo envolveu titulação: 10 mmol por 3 dias, 20 mmol por 3 dias, e 30 mmol por 14 dias.1
  • Resultados de EEG: A análise revelou que a suplementação de magnésio induziu um aumento significativo no Sono de Ondas Lentas (SWS) e na potência das ondas delta e sigma no EEG.6
  • Significância Clínica: O SWS é considerado o estágio mais restaurador do sono e tende a diminuir drasticamente com a idade. A capacidade do magnésio de reverter parcialmente essa perda relacionada à idade sugere um potencial efeito “rejuvenescedor” na arquitetura do sono. O estudo também notou uma redução no cortisol, corroborando os achados de Abbasi.5

4.3. Nielsen et al. (2010) – Estados Unidos: Qualidade de Sono Subjetiva e Limitações

Este estudo focou em adultos com má qualidade de sono subjetiva e deficiência dietética de magnésio.

  • População: 100 adultos (média de idade 59 anos) com escore no Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh (PSQI) > 5.1
  • Intervenção: 320 mg de magnésio elementar diariamente, na forma de Citrato de Magnésio, administrado por 7 semanas.1
  • Resultados: O estudo reportou uma melhoria nos escores do PSQI (P < 0.0001) em comparação com a linha de base.9 No entanto, a comparação direta com o grupo placebo não mostrou significância estatística em todas as análises primárias de qualidade de sono global, embora melhorias em sub-escores específicos tenham sido notadas.
  • Crítica Metodológica: A revisão de Mah e Pitre classificou este estudo com alto risco de viés devido ao relato seletivo (selective reporting bias). Os autores do estudo original reportaram efeitos em apenas um sub-escore do PSQI (de um total de sete) sem uma justificativa prévia clara ou plano de análise estatística robusto para essa subdivisão.1

5. Síntese Quantitativa: Resultados da Meta-Análise

A agregação estatística dos dados permitiu aos autores da revisão calcular estimativas de efeito mais precisas para parâmetros chave do sono. Os resultados, apresentados em Tabelas de Resumo de Descobertas (SoF), revelam um cenário de eficácia mista, mas com sinais positivos importantes.

5.1. Latência do Início do Sono (SOL): O Achado Mais Robusto

A Latência do Início do Sono refere-se ao tempo decorrido entre o momento em que o indivíduo se deita com a intenção de dormir e o início efetivo do sono. O prolongamento da SOL é uma queixa central na insônia.

Tabela 1: Efeito do Magnésio na Latência do Início do Sono (SOL)

ParâmetroGrupo Magnésio vs. PlaceboIntervalo de Confiança (95%)Valor PInterpretação
Diferença Média (MD)-17.36 minutos-27.27 a -7.44 minutos0.0006Estatisticamente Significativo

A meta-análise demonstrou que a suplementação de magnésio reduziu a SOL em 17,36 minutos em comparação com o placebo.1

  • Análise de Contexto: Embora 17 minutos possam parecer modestos, no contexto clínico da insônia geriátrica, essa redução é clinicamente relevante. Representa uma diminuição significativa no tempo gasto em vigília na cama, um período frequentemente associado a ansiedade ruminativa e frustração pré-sono. A significância estatística robusta (p=0.0006) sugere que este não é um achado ao acaso.

5.2. Tempo Total de Sono (TST)

O Tempo Total de Sono mede a duração absoluta do sono noturno.

Tabela 2: Efeito do Magnésio no Tempo Total de Sono (TST)

ParâmetroGrupo Magnésio vs. PlaceboIntervalo de Confiança (95%)Valor PInterpretação
Diferença Média (MD)+16.06 minutos-5.99 a +38.12 minutos0.15Não Significativo

Houve um aumento médio de 16,06 minutos no TST a favor do grupo magnésio. Contudo, este resultado não atingiu significância estatística (p=0.15), com o intervalo de confiança cruzando a linha de nulidade (zero).1

  • Interpretação: A direção do efeito é positiva, sugerindo um benefício potencial, mas a evidência atual é insuficiente para confirmar que o magnésio aumenta a duração total do sono de forma confiável na população geral estudada. A falta de significância pode ser atribuída ao tamanho amostral reduzido (imprecisão) ou à variabilidade nas respostas individuais.

5.3. Eficiência do Sono e Outros Parâmetros

  • Eficiência do Sono (SE): A eficiência do sono é a razão entre o tempo total de sono e o tempo total na cama. O estudo de Abbasi (2012) relatou um aumento estatisticamente significativo na eficiência do sono (P = 0.03).5 No entanto, a meta-análise global considerou a evidência para este desfecho como de baixa certeza.
  • Despertar Matinal Precoce (EMA): Um estudo indicou melhoria nos sintomas de despertar precoce, reduzindo o tempo acordado antes do levante desejado.1
  • Sono de Ondas Lentas (SWS): Como mencionado anteriormente, o estudo de Held et al. (2002) forneceu evidência polissonográfica de aumento no SWS, sugerindo uma melhoria qualitativa na profundidade do sono.6

5.4. Qualidade Subjetiva do Sono (Questionários)

A avaliação através de instrumentos psicométricos validados como o ISI e o PSQI apresentou resultados conflitantes, classificados como “evidência indeterminada de direção de efeito”.3

  • ISI (Índice de Gravidade da Insônia): Abbasi (2012) mostrou uma redução significativa (melhoria) no escore.3
  • PSQI (Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh): Nielsen (2010) reportou melhorias no escore global em ambos os grupos (magnésio e placebo), sem diferença estatística intergrupos clara para o escore total, sugerindo um forte componente placebo na percepção subjetiva da qualidade do sono.3

6. Perfil de Segurança e Tolerabilidade

A segurança é um critério primordial na prescrição para idosos. A revisão sistemática avaliou explicitamente a ocorrência de eventos adversos.

  • Eventos Adversos Graves: Nenhum evento adverso grave foi relatado em qualquer um dos três estudos incluídos.1
  • Efeitos Gastrointestinais: O estudo de Held et al. (2002) reportou que todos os participantes experimentaram fezes amolecidas (soft stools).2 Este efeito é farmacologicamente previsível, dado que o magnésio não absorvido no intestino exerce um efeito osmótico, retendo água no lúmen intestinal.
  • Implicação Clínica: Em idosos, que frequentemente sofrem de constipação crônica devido a sedentarismo, baixa ingestão de fibras ou uso de opioides/anticolinérgicos, este efeito colateral pode ser paradoxalmente benéfico e terapêutico. No entanto, doses excessivas podem levar a diarreia, desidratação e desequilíbrio eletrolítico, exigindo monitoramento cuidadoso.
  • Segurança Renal: Embora não explicitamente detalhado como evento adverso nos estudos, a revisão nota que doses superiores a 1g ou o uso em pacientes com insuficiência renal exigem cautela extrema devido ao risco de hipermagnesemia. As doses usadas nos estudos (320-729 mg) mostraram-se seguras em idosos saudáveis ou com função renal preservada.

7. Análise Crítica da Qualidade da Evidência

A revisão de Mah e Pitre adota uma postura crítica e conservadora em relação aos seus próprios achados, enfatizando as limitações metodológicas dos estudos primários.

7.1. Risco de Viés (RoB 2.0) e GRADE

Todos os três estudos foram classificados como tendo risco de viés moderado a alto.1

  • Processo de Randomização: Nenhum dos estudos descreveu adequadamente como a sequência de randomização foi gerada ou como a alocação foi ocultada (allocation concealment).8 A falha em ocultar a alocação pode permitir que os pesquisadores influenciem, consciente ou inconscientemente, quais participantes recebem o tratamento ativo, introduzindo viés de seleção.
  • Viés de Relato: O estudo de Nielsen (2010) foi penalizado por relato seletivo de desfechos, focando em sub-escores positivos em detrimento do escore global neutro.10
  • Imprecisão e Inconsistência: O tamanho amostral total (N=151) é pequeno para padrões epidemiológicos, resultando em intervalos de confiança amplos (imprecisão). A heterogeneidade nas ferramentas de medição (EEG vs. Diário vs. Questionários) impede uma síntese mais robusta (inconsistência).

Consequentemente, a certeza da evidência (GRADE) para todos os desfechos foi classificada como Baixa a Muito Baixa.1 Isso significa que os autores têm pouca confiança de que a estimativa de efeito encontrada reflete o verdadeiro efeito terapêutico na população geral.

8. Conclusão e Recomendações Clínicas Pragmáticas

A revisão sistemática de Mah e Pitre (2021/2024) conclui que a qualidade da literatura atual é tecnicamente “subpadrão” para permitir que médicos façam recomendações definitivas e baseadas em evidência de alta certeza sobre o uso de magnésio para insônia.1 Não existe evidência suficiente para elevar o magnésio ao status de tratamento de primeira linha em diretrizes clínicas formais.

No entanto, a ausência de evidência de alta qualidade não é evidência de ausência de efeito. Os autores oferecem uma perspectiva pragmática baseada no equilíbrio risco-benefício e custo-efetividade. Considerando que o magnésio oral é:

  1. Econômico: Muito barato em comparação com hipnóticos farmacêuticos.1
  2. Acessível: Amplamente disponível como suplemento OTC.1
  3. Seguro: Apresenta um perfil de segurança benigno em doses moderadas (< 1g/dia), sem os riscos de dependência, tolerância ou sedação residual (“ressaca”) associados aos benzodiazepínicos e drogas Z.1

8.1. Recomendação Condicional: “Vale a Pena Tentar”

A evidência dos ECRs disponíveis, com destaque para a redução significativa na latência do sono e melhoria nos biomarcadores de estresse (cortisol/renina), pode apoiar o uso de suplementos de magnésio como uma terapia adjuvante ou tentativa inicial para sintomas de insônia em idosos.1

8.2. Protocolo de Dosagem Sugerido

Baseado nos regimes utilizados nos estudos incluídos, uma abordagem conservadora e potencialmente eficaz envolveria:

  • Dose: Menos de 1 g (1000 mg) de magnésio elementar por dia. Uma faixa terapêutica comum nos estudos foi entre 320 mg e 500 mg diários.1
  • Frequência: Doses fracionadas (duas a três vezes ao dia) são preferíveis à dose única, pois melhoram a absorção e reduzem o risco de efeitos gastrointestinais agudos (diarreia).1
  • Formulação: O Óxido de Magnésio foi utilizado com sucesso em dois dos três estudos (Abbasi e Held) e é recomendado explicitamente na revisão.11 O Citrato de Magnésio também foi utilizado (Nielsen) e é conhecido por ter maior biodisponibilidade, embora possa ter efeito laxativo mais potente.
  • Momento da Ingestão: Embora os estudos variem, a administração próxima ao horário de dormir ou dividida ao longo do dia parece alinhar-se com o objetivo de relaxamento noturno.

Em suma, embora a “bala de prata” para a insônia geriátrica permaneça elusiva, o magnésio oral representa uma ferramenta terapêutica válida, segura e acessível que merece consideração no arsenal clínico, especialmente quando prescrito com expectativas realistas e monitoramento adequado.

Referências citadas

  1. Mah J, Pitre T. Oral magnesium supplementation for insomnia in older adults: a Systematic Review & Meta-Analysis. BMC Complement Med Ther. 2021;21(1):125.
  2. Mah J, Pitre T. Correction: Oral magnesium supplementation for insomnia in older adults: a Systematic Review & Meta-Analysis. BMC Complement Med Ther. 2024;24(1):418.
  3. Abbasi B, Kimiagar M, Sadeghniiat K, Shirazi MM, Hedayati M, Rashidkhani B. The effect of magnesium supplementation on primary insomnia in elderly: A double-blind placebo-controlled clinical trial. J Res Med Sci. 2012;17(12):1161-9.
  4. Held K, Antonijevic IA, Künzel H, Uhr M, Wetter TC, Golly IC, et al. Oral Mg(2+) supplementation reverses age-related neuroendocrine and sleep EEG changes in humans. Pharmacopsychiatry. 2002;35(4):135-43.
  5. Nielsen FH, Johnson LK, Zeng H. Magnesium supplementation improves indicators of low magnesium status and inflammatory stress in adults older than 51 years with poor quality sleep. Magnes Res. 2010;23(4):158-68.
  6. Fusi J, Scarfò G, Di Silvestro R, Franzoni F. Improving Sleep Quality to Enhance Athletic Activity—The Role of Nutrition and Supplementation: A Mini-Short Review. Nutrients. 2025;17(11):1779.
  7. Costello RB, Rosanoff A, et al. Perspective: Call for Re-evaluation of the Tolerable Upper Intake Level for Magnesium Supplementation in Adults. Adv Nutr. 2023;14(5):973-82.
  8. U.S. Department of Veterans Affairs [Internet]. Recharge: Sleep & Refresh. Whole Health Library; [citado em 25 de nov de 2025]. Disponível em: https://www.va.gov/WHOLEHEALTHLIBRARY/overviews/recharge.asp
  9. Elicit [Internet]. Magnesium’s Role in Sleep and Stress – Report. Scribd; [citado em 25 de nov de 2025]. Disponível em: https://www.scribd.com/document/900101083/Elicit-Magnesium-s-Role-in-Sleep-and-Stress-Report

Autor: Lucas Reis Silva Fernandes

Revisor: Dr. João Diniz | CRM-SP 255.027

Autor

  • Lucas Reis

    Me chamo Lucas, tenho 25 anos e sou acadêmico de medicina no 8° período.
    Entusiasta de fisiculturismo e alta performance esportiva.
    Pesquisa cientifica e produção de conteúdo como hobby.

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