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Introdução
O aumento global da obesidade e do sedentarismo tem impulsionado o interesse por estratégias de exercício mais eficientes para redução de gordura corporal e melhora da aptidão cardiorrespiratória (CRF). Tradicionalmente, o treinamento contínuo de intensidade moderada (MICT) é amplamente recomendado, mas exige alto volume semanal, o que limita a adesão, especialmente em adultos jovens e de meia-idade.
Nesse contexto, o treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT) surge como uma alternativa potencialmente mais eficiente em termos de tempo, com possíveis benefícios semelhantes ou superiores sobre a composição corporal e o VO₂peak. Entretanto, ainda havia incerteza quanto à real superioridade do HIIT nessa população específica.
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Objetivo do estudo
Comparar os efeitos do HIIT versus MICT sobre:
- Composição corporal (massa corporal, IMC, circunferência da cintura, percentual de gordura, massa gorda e massa livre de gordura)
- Aptidão cardiorrespiratória (VO₂peak)
- Pressão arterial sistólica e diastólica
em adultos jovens e de meia-idade (18–60 anos).
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Desenho do estudo
- Tipo: Revisão sistemática com meta-análise
- Registro: PROSPERO (CRD42022330406)
- Diretrizes: PRISMA
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Métodos
Estratégia de busca
Foram pesquisadas 7 bases de dados (PubMed, Embase, Cochrane, Web of Science, CNKI, CBM e Wanfang) desde a origem até outubro de 2022.
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Critérios de inclusão
- Ensaios clínicos randomizados (ECRs)
- Adultos entre 18 e 60 anos
- Comparação direta entre HIIT isolado vs MICT isolado
- Duração mínima de 4 semanas
- Desfechos relacionados à composição corporal e/ou CRF
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Características da intervenção
- HIIT: ≥80–100% HRmax ou VO₂peak, ou esforço máximo
- MICT: 40–80% HRmax ou VO₂peak
- Frequência: 1 a >5 sessões/semana
- Modalidades: ciclismo, corrida, HIIT corporal, boxe
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Amostra
- 29 estudos incluídos
- 807 participantes
- HIIT: 404
- MICT: 403
- HIIT: 404
- Idade média: 33,8 ± 11,6 anos
- Predomínio de indivíduos com obesidade e sedentarismo
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Resultados
Análise intragrupo (antes vs. depois)
Tanto o HIIT quanto o MICT promoveram melhoras significativas em:
- Massa corporal
- IMC
- Circunferência da cintura
- Percentual de gordura corporal
- Massa gorda
- VO₂peak
- Pressão arterial sistólica e diastólica
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⚠️ Nenhuma das modalidades aumentou significativamente a massa livre de gordura (FFM).
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Análise intergrupos (HIIT vs. MICT)
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Desfechos em que o HIIT foi superior ao MICT:
- Circunferência da cintura:
- MD = −0,96 cm (p = 0,036)
- MD = −0,96 cm (p = 0,036)
- Percentual de gordura corporal:
- MD = −0,48% (p = 0,013)
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- MD = −0,48% (p = 0,013)
- VO₂peak:
- SMD = +0,19 (p = 0,021)
- SMD = +0,19 (p = 0,021)
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Desfechos sem diferença significativa:
- Massa corporal
- IMC
- Massa gorda
- Massa livre de gordura
- Pressão arterial sistólica e diastólica
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👉 Em termos práticos: HIIT não emagrece mais no peso total, mas promove maior redução de gordura abdominal e melhora cardiorrespiratória.
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Análises de subgrupos
Quem mais se beneficia do HIIT?
- Adultos jovens (18–45 anos)
- Pessoas com obesidade (IMC ≥ 30 kg/m²)
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Características do HIIT associadas a melhores resultados:
- Duração > 6 semanas → maior redução de percentual de gordura
- Frequência ≤ 3x/semana → melhor ganho de VO₂peak
- Intervalos ≥ 3 minutos → maior impacto no percentual de gordura
- Intervalos de 1–3 minutos → melhor resposta cardiorrespiratória
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Discussão clínica
Embora ambos os métodos sejam eficazes, o HIIT apresentou vantagens específicas, especialmente na redução de adiposidade central e na melhora do VO₂peak, fatores diretamente associados a menor risco cardiometabólico e mortalidade.
Contudo, os autores destacam que:
- As diferenças absolutas são pequenas, com relevância clínica limitada
- O HIIT não promove ganho de massa magra
- A maior intensidade exige cautela clínica, sobretudo em indivíduos sedentários ou com comorbidades
O principal diferencial do HIIT é a economia de tempo, aliada a maior prazer e adesão, fatores cruciais na prática clínica e esportiva.
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Limitações
- Amostras pequenas na maioria dos estudos
- Predomínio de indivíduos obesos, reduzindo generalização
- Pouco controle dietético
- Intervenções majoritariamente de curto prazo (<6 meses)
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Conclusão
O HIIT é tão eficaz quanto o MICT para melhorar a composição corporal global, mas oferece vantagens modestas na redução da gordura abdominal e na melhora do VO₂peak em adultos jovens e de meia-idade.
Apesar da superioridade estatística em alguns desfechos, o maior valor clínico do HIIT reside em ser uma estratégia mais eficiente em termos de tempo, com maior potencial de adesão.
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Referências
- Guo, Z.; Li, M.; Cai, J.; Gong, W.; Liu, Y.; Liu, Z. Effect of High-Intensity Interval Training vs. Moderate-Intensity Continuous Training on Fat Loss and Cardiorespiratory Fitness in the Young and Middle-Aged a Systematic Review and Meta-Analysis. Int. J. Environ. Res. Public Health 2023, 20, 4741. https://doi.org/10.3390/ijerph20064741
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por Luiz Guilherme Assumpção | @luizassump.med
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