Monitor contínuo de glicose em atletas sem diabetes: vale a pena usar para melhorar a performance?

O monitor contínuo de glicose (CGM) ganhou espaço no esporte de endurance. Corredores, ciclistas e triatletas passaram a utilizar sensores para acompanhar a glicose durante os treinos, observar a resposta aos alimentos e tentar identificar o momento ideal para consumir carboidratos.

A proposta é interessante. Afinal, se conseguimos acompanhar a glicose em tempo real, não seria possível ajustar a alimentação com maior precisão e evitar quedas de rendimento?

A questão é que a fisiologia do exercício não funciona de maneira tão simples.

A glicose intersticial não representa toda a disponibilidade de energia do atleta. E, embora o CGM forneça informações sobre o comportamento dessa variável, ainda faltam evidências de que utilizar esses dados para orientar a alimentação melhore o desempenho de pessoas sem diabetes.

Uma revisão publicada por Helleputte, Podlogar e Gonzalez (2025) discutiu justamente as possibilidades e limitações dessa tecnologia no esporte de endurance. Os autores destacam problemas de precisão, interpretações fisiológicas equivocadas e a ausência de comprovação de benefício para várias das aplicações propostas.

O CGM merece ser estudado. Mas seu uso precisa ser analisado com o mesmo rigor exigido de qualquer intervenção destinada a melhorar a performance.

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O que o monitor contínuo de glicose realmente mede?

O CGM utiliza um pequeno sensor inserido no tecido subcutâneo para estimar a concentração de glicose no líquido intersticial.

Isso significa que ele não mede diretamente a glicose presente no sangue.

A diferença é relevante porque a glicose precisa passar do compartimento vascular para o intersticial. Durante mudanças rápidas da glicemia, os valores apresentados pelo sensor podem apresentar atraso em relação à concentração sanguínea.

No exercício, a interpretação se torna ainda mais complexa. A captação muscular de glicose aumenta, a produção hepática se modifica e alterações hormonais e circulatórias interferem na dinâmica entre os compartimentos.

A precisão também depende do dispositivo e das condições de utilização.

Por isso, uma queda registrada pelo sensor durante uma corrida não significa, obrigatoriamente, que o atleta esteja apresentando hipoglicemia sanguínea ou precise ingerir carboidratos imediatamente.

Pérola Clínica 1 — O sensor não substitui a avaliação clínica

Uma leitura baixa de glicose intersticial, especialmente quando não há sintomas, não estabelece o diagnóstico de hipoglicemia. Artefatos de compressão, atraso entre os compartimentos e limitações de precisão precisam ser considerados. Quando existe suspeita clínica, a investigação deve utilizar métodos apropriados de confirmação.

Glicose normal não significa glicogênio muscular preservado

Esse é provavelmente o ponto mais importante para compreender as limitações do CGM no esporte.

Durante o exercício, o músculo utiliza diferentes fontes de energia. Entre elas estão o glicogênio muscular, a glicose circulante, os ácidos graxos e, especialmente nos esforços breves e intensos, o sistema da fosfocreatina.

A participação de cada substrato depende da intensidade, duração, disponibilidade nutricional e estado de treinamento.

Em uma sessão prolongada de endurance, os estoques de glicogênio muscular podem diminuir progressivamente enquanto a glicemia permanece relativamente estável.

Isso acontece porque o fígado continua disponibilizando glicose por meio da glicogenólise e da gliconeogênese, sob influência de diferentes mecanismos hormonais.

Na prática, podemos encontrar um corredor com glicemia normal e estoques musculares de glicogênio bastante reduzidos.

O sensor não consegue identificar essa situação.

O CGM também não mede diretamente a taxa de oxidação de carboidratos, a utilização de gorduras ou a disponibilidade energética total.

Portanto, uma curva glicêmica estável não comprova que o atleta esteja adequadamente abastecido para sustentar o exercício.

Essa distinção tem implicações importantes para a prescrição nutricional. A depleção de glicogênio pode comprometer o desempenho mesmo quando a glicemia permanece dentro da faixa fisiológica.

Como a glicose se comporta durante o exercício?

A resposta glicêmica varia conforme o tipo de esforço. Interpretar todos os treinos com o mesmo critério pode levar a conclusões equivocadas.

Exercício aeróbico moderado

Durante o exercício aeróbico, a contração muscular estimula a translocação de transportadores GLUT4, favorecendo a captação de glicose independentemente da ação exclusiva da insulina.

Ao mesmo tempo, o fígado aumenta sua produção de glicose para atender à demanda dos tecidos.

Quando esses processos estão equilibrados, a glicemia pode permanecer relativamente estável, mesmo com consumo significativo de carboidratos pelo músculo.

Exercício de alta intensidade

Em treinos intervalados intensos, a ativação simpática e a liberação de catecolaminas estimulam a produção hepática de glicose.

Em determinadas circunstâncias, essa produção supera temporariamente a captação periférica, provocando elevação da glicemia.

Um pico glicêmico após uma sessão intensa de tiros, portanto, pode representar uma resposta fisiológica ao exercício, e não necessariamente uma alteração metabólica.

Exercício prolongado

Em atividades de longa duração, principalmente quando a ingestão de carboidratos é insuficiente, a glicemia pode diminuir.

Entretanto, essa queda não ocorre em todos os atletas e não mantém uma relação direta e universal com a fadiga.

O rendimento depende de outros fatores, como disponibilidade de glicogênio, capacidade cardiovascular, temperatura corporal, função neuromuscular e percepção de esforço.

O CGM acompanha apenas uma parte desse processo.

O CGM pode indicar quanto carboidrato o atleta precisa consumir?

Uma das principais propostas comerciais dos sensores é utilizar a curva glicêmica para personalizar a ingestão de carboidratos.

A ideia seria identificar quanto consumir antes, durante e depois do exercício, ajustando a estratégia de acordo com as oscilações observadas.

Mas existe uma dificuldade fisiológica importante: a resposta glicêmica não equivale à necessidade de carboidratos.

Depois da ingestão alimentar, a glicose circulante depende de fatores como composição da refeição, velocidade de absorção intestinal, esvaziamento gástrico, secreção hormonal e captação muscular.

Durante o exercício, parte dos carboidratos absorvidos pode ser rapidamente utilizada pelos músculos, sem provocar uma elevação expressiva da glicose sanguínea.

Assim, duas estratégias nutricionais podem produzir curvas glicêmicas semelhantes e apresentar resultados diferentes em termos de tolerância gastrointestinal, oxidação de carboidratos e desempenho.

Da mesma forma, uma elevação glicêmica após o consumo de carboidratos não significa que a quantidade ingerida tenha sido excessiva.

Atualmente, a prescrição de carboidratos para atletas de endurance continua fundamentada principalmente na duração e intensidade do exercício, na demanda energética, nas características da modalidade e na tolerância individual.

O CGM ainda não demonstrou melhorar os resultados dessas estratégias quando utilizado rotineiramente em atletas sem diabetes.

Pérola Clínica 2 — Não prescreva carboidratos apenas pela curva glicêmica

Uma glicemia estável durante a corrida não comprova ingestão adequada de carboidratos. Da mesma forma, um pico após consumir um gel não indica, isoladamente, excesso de suplementação. A prescrição deve considerar a demanda do exercício, o planejamento nutricional e a resposta clínica e gastrointestinal do atleta.

Picos de glicose são prejudiciais para atletas saudáveis?

Outra interpretação que merece atenção é a tentativa de evitar qualquer elevação da glicose após as refeições.

Em indivíduos sem diabetes, a glicemia varia fisiologicamente ao longo do dia, especialmente depois da ingestão de alimentos.

A magnitude dessa resposta depende da quantidade de carboidratos, da composição da refeição, do estado metabólico e de características individuais.

Atletas treinados frequentemente apresentam boa sensibilidade à insulina, embora existam diferenças conforme a modalidade, o período de treinamento e as condições metabólicas.

Uma elevação transitória da glicose após uma refeição não permite diagnosticar resistência à insulina.

Também não há evidências suficientes de que minimizar sistematicamente os picos glicêmicos de atletas saudáveis melhore a performance.

O problema surge quando o atleta passa a modificar a alimentação para produzir curvas consideradas mais adequadas, mesmo sem indicação clínica.

Um corredor que evita carboidratos porque observou uma elevação da glicose após uma refeição pode acabar reduzindo justamente o substrato necessário para sustentar seu treinamento.

Nesse contexto, a tentativa de otimizar um marcador pode prejudicar a estratégia nutricional.

O monitor contínuo de glicose pode identificar baixa disponibilidade energética ou RED-S?

A baixa disponibilidade energética ocorre quando a energia restante após o gasto associado ao exercício é insuficiente para atender adequadamente às necessidades fisiológicas do organismo.

Quando essa condição se torna problemática, pode contribuir para a deficiência energética relativa no esporte, conhecida como RED-S ou REDs.

Suas manifestações podem envolver alterações endócrinas, reprodutivas, ósseas, hematológicas, imunológicas e metabólicas, além de prejuízos à saúde e ao desempenho.

O consenso do Comitê Olímpico Internacional de 2023 destaca a complexidade dessa condição e a necessidade de uma avaliação clínica abrangente.

A glicose, entretanto, não é um indicador confiável da disponibilidade energética total.

Um atleta pode apresentar baixa disponibilidade energética e manter a glicemia normal por mecanismos compensatórios.

Por outro lado, uma alteração isolada da glicose intersticial não permite diagnosticar RED-S.

O CGM não é um método validado para rastreamento ou diagnóstico de RED-S.

A investigação deve considerar história alimentar, carga de treinamento, evolução do desempenho, sintomas, histórico de lesões e alterações fisiológicas.

Quando indicado, podem ser utilizados instrumentos específicos de triagem e avaliação, como o IOC REDs CAT2. O LEAF-Q também pode contribuir na identificação de indicadores de risco em populações para as quais foi validado.

Nenhum desses instrumentos substitui o julgamento clínico.

O que as evidências científicas mostram sobre CGM e performance?

A revisão de Helleputte, Podlogar e Gonzalez, publicada em 2025 na revista Performance Nutrition, avaliou diferentes aplicações propostas para o CGM em atletas de endurance sem diabetes.

Os autores discutiram o uso da tecnologia para orientar estratégias de carboidratos, identificar hipoglicemia associada ao exercício, acompanhar carga de treinamento, avaliar balanço energético e interpretar respostas durante o sono e a recuperação.

Embora existam possibilidades de investigação, as evidências disponíveis ainda não sustentam muitas das aplicações comerciais propostas.

Há três questões que precisam ser diferenciadas.

A primeira é se o sensor consegue registrar alterações da glicose intersticial durante o exercício. A resposta é sim, embora existam limitações de precisão.

A segunda é se essas alterações refletem aspectos relevantes do metabolismo energético. Em determinadas situações, podem fornecer informações úteis, mas a relação não é simples.

A terceira é se modificar a alimentação ou o treinamento com base nesses dados melhora o desempenho.

Essa última pergunta permanece sem resposta convincente para justificar o uso rotineiro.

Faltam estudos controlados que demonstrem benefícios em desfechos como tempo de prova, capacidade de sustentar intensidade, recuperação e redução de sintomas, em comparação com estratégias convencionais.

Também não existem faixas universais de glicose intersticial validadas como ideais para a performance de atletas sem diabetes.

O interesse fisiológico da tecnologia, portanto, não deve ser confundido com eficácia clínica demonstrada.

Quando o CGM pode fazer sentido em atletas sem diabetes?

Apesar das limitações, existem situações nas quais a utilização do sensor pode ser considerada.

Pesquisa em fisiologia do exercício

O CGM pode ajudar a documentar padrões de glicose intersticial durante diferentes protocolos de treinamento, alimentação e recuperação.

Nesse cenário, os dados precisam ser analisados com metodologia adequada e, quando necessário, comparados com medidas de referência.

Investigação complementar de sintomas sugestivos de hipoglicemia

Atletas com episódios recorrentes de sintomas compatíveis com hipoglicemia durante ou após o exercício podem necessitar de investigação.

O CGM pode eventualmente ajudar a reconhecer padrões temporais, mas não substitui a confirmação laboratorial.

Em indivíduos sem diabetes, a investigação de hipoglicemia clinicamente relevante deve considerar a tríade de Whipple: sintomas compatíveis, glicose plasmática baixa documentada e melhora dos sintomas após sua correção.

Leituras baixas isoladas, principalmente na ausência de sintomas, não estabelecem o diagnóstico.

Observação metabólica supervisionada

Em protocolos individualizados de pesquisa ou acompanhamento especializado, o CGM pode ser utilizado para observar respostas a diferentes condições alimentares e de exercício.

Entretanto, essa aplicação permanece complementar e exploratória.

Não existem critérios suficientemente validados para transformar esses padrões em algoritmos universais de prescrição nutricional.

Os erros mais comuns na interpretação do CGM

Na prática, alguns equívocos aparecem com frequência quando os dados do sensor são utilizados fora do contexto do diabetes.

Interpretação equivocadaO que considerar
Glicose estável significa glicogênio preservadoO sensor não mede estoques musculares de glicogênio.
Todo pico glicêmico é prejudicialElevações transitórias podem ser fisiológicas.
Uma leitura baixa confirma hipoglicemiaÉ necessário avaliar sintomas e confirmar quando indicado.
A curva define a quantidade ideal de carboidratosNão existe validação suficiente para essa aplicação.
Glicose normal exclui RED-SA disponibilidade energética não pode ser determinada pelo CGM.
Mais dados significam melhor prescriçãoO benefício depende de decisões clinicamente validadas.

O risco de transformar dados fisiológicos em restrições alimentares

O crescimento das tecnologias vestíveis trouxe novas possibilidades de acompanhamento do treinamento.

Entretanto, a disponibilidade contínua de informações também pode estimular intervenções desnecessárias.

No caso do CGM, existe o risco de o atleta começar a escolher alimentos com o objetivo de produzir curvas glicêmicas visualmente mais estáveis.

Essa preocupação é particularmente relevante em modalidades nas quais peso corporal, composição corporal e aparência física recebem grande atenção.

Uma curva com menor amplitude não significa, necessariamente, melhor saúde metabólica ou melhor estratégia nutricional.

Se a tentativa de evitar elevações glicêmicas resultar em menor ingestão de carboidratos ou energia, a intervenção pode comprometer a recuperação e o desempenho.

A avaliação médica precisa considerar o comportamento alimentar e os objetivos esportivos, sem transformar variações fisiológicas normais em problemas que precisam ser corrigidos.

Como orientar o atleta que deseja utilizar CGM?

Quando um corredor ou triatleta procura atendimento interessado no sensor, a primeira pergunta deve ser qual problema ele pretende resolver.

Se o objetivo é melhorar o rendimento, vale investigar inicialmente aspectos com maior relevância prática: planejamento nutricional, ingestão de carboidratos durante sessões prolongadas, disponibilidade energética, recuperação, sono e adequação das cargas de treinamento.

Também é importante avaliar sintomas, histórico clínico e possíveis fatores que estejam limitando a performance.

Antes de recomendar o dispositivo, algumas perguntas ajudam na decisão:

  • Existe uma suspeita clínica específica que justifique investigar alterações glicêmicas?
  • O resultado poderá modificar alguma conduta fundamentada em evidências?
  • Há um método mais simples ou validado para responder à mesma questão?
  • O atleta compreende as limitações da glicose intersticial como indicador de disponibilidade energética?

Quando não existe uma indicação clínica definida, a recomendação rotineira do CGM para otimização de performance não encontra sustentação científica suficiente.

Pérola Clínica 3 — Antes de solicitar um sensor, defina a decisão clínica

O valor de uma tecnologia não depende apenas da quantidade de informações que ela produz. Depende de sua capacidade de orientar decisões que melhorem desfechos relevantes. Se o resultado não modifica uma conduta validada, sua utilidade prática pode ser limitada.

Resumo prático: vale a pena utilizar CGM em atletas sem diabetes?

PerguntaResposta
O CGM mede diretamente a glicose sanguínea?Não. Estima a concentração no líquido intersticial.
Permite avaliar o glicogênio muscular?Não.
Glicose estável garante energia suficiente?Não.
Ajuda a definir a quantidade ideal de carboidratos?Ainda não há validação suficiente.
Permite diagnosticar RED-S?Não.
Pode ser utilizado em pesquisas?Sim, respeitando suas limitações.
Melhora comprovadamente a performance?Ainda não há evidência robusta.
Deve ser recomendado rotineiramente?Não há justificativa científica suficiente para essa finalidade.

Conclusão: mais dados não significam melhor desempenho

O monitor contínuo de glicose representa um avanço importante no acompanhamento do metabolismo glicêmico, especialmente no tratamento do diabetes.

Sua aplicação em atletas sem diabetes, porém, ainda apresenta limitações relevantes.

O sensor não mede glicogênio muscular, não determina a disponibilidade energética e não permite estabelecer, isoladamente, a quantidade de carboidratos necessária para sustentar o exercício.

Embora possa contribuir para pesquisas e investigações clínicas selecionadas, ainda não foi demonstrado que seu uso rotineiro melhore o desempenho esportivo.

Para o médico que atende atletas, a questão não é simplesmente decidir se vale a pena acompanhar a glicose continuamente. É compreender se essa informação acrescenta algo à avaliação e se existe uma intervenção validada que possa ser realizada a partir dela.

Na medicina esportiva, a qualidade da decisão clínica continua sendo mais importante do que a quantidade de dados disponíveis.

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Perguntas frequentes sobre CGM em atletas sem diabetes

1. Atletas sem diabetes precisam monitorar a glicose durante o exercício?

Não existe recomendação científica para o uso rotineiro de CGM com o objetivo de melhorar a performance de atletas sem diabetes. A utilização pode ser considerada em pesquisas ou situações clínicas específicas.

2. O CGM consegue identificar falta de carboidratos durante a corrida?

Não diretamente. O sensor estima glicose intersticial, mas não mede os estoques de glicogênio muscular nem a disponibilidade total de carboidratos.

3. Uma queda de glicose no sensor significa hipoglicemia?

Não necessariamente. Leituras baixas podem ocorrer por diferenças entre glicose sanguínea e intersticial ou por limitações do dispositivo. A suspeita de hipoglicemia deve ser avaliada clinicamente e confirmada por métodos apropriados.

4. Picos de glicose após consumir gel de carboidrato prejudicam o desempenho?

Uma elevação transitória da glicose após a ingestão de carboidratos não significa, isoladamente, prejuízo metabólico ou esportivo. A interpretação depende do contexto fisiológico e clínico.

5. O CGM pode ajudar a prevenir RED-S?

Atualmente, não existe validação para utilizar CGM como ferramenta de rastreamento ou prevenção de RED-S. A avaliação deve considerar ingestão energética, carga de treinamento, sintomas e indicadores clínicos específicos.


Referências científicas

  1. HELLEPUTTE, Simon; PODLOGAR, Tim; GONZALEZ, Javier. Application potential of continuous glucose monitoring (CGM) in elite endurance athletes without diabetes: What do physiology and current evidence tell us? Performance Nutrition, v. 1, artigo 13, 2025. DOI: https://doi.org/10.1186/s44410-025-00013-7.
  2. MOUNTJOY, Margo et al. 2023 International Olympic Committee’s (IOC) consensus statement on Relative Energy Deficiency in Sport (REDs). British Journal of Sports Medicine, v. 57, n. 17, p. 1073–1097, 2023. DOI: https://doi.org/10.1136/bjsports-2023-106994.

Este conteúdo tem finalidade educacional e não substitui avaliação médica e nutricional individualizada.

Autor

  • Melo Carla

    Médica do Esporte formada pela Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, em 2007, com especialização em Nutrologia pela ABRAN e título de especialista em Medicina do Exercício e do Esporte pela SBMEE.
    Atua na avaliação, acompanhamento e cuidado de atletas e praticantes de atividade física, com experiência em maratonas e eventos esportivos. É sócia da clínica IEMEX Performance, em Curitiba, e também realiza atendimentos em consultório particular na Clinica CMI em Mafra/SC.
    Sua prática integra medicina do esporte, nutrologia e promoção da saúde, com foco em performance, prevenção de lesões, qualidade de vida e longevidade ativa.
    Instagram: @dracarla.melo

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