Plasma Rico em Plaquetas (PRP) na Tendinopatia do Manguito Rotador: Funciona?

A tendinopatia do manguito rotador é uma das causas mais prevalentes de dor no ombro nos consultórios de ortopedia e medicina esportiva. Com a falha frequente das terapias conservadoras iniciais, há um interesse crescente nas terapias biológicas. O Plasma Rico em Plaquetas (PRP) tem sido amplamente comercializado como uma solução regenerativa. Mas qual é o real respaldo científico para o uso do PRP na tendinopatia do manguito rotador segundo a literatura médica atual?

Visão geral do estudo

Esta síntese baseia-se na revisão clínica atualizada da plataforma UpToDate sobre o manejo da tendinopatia do manguito rotador, com foco na avaliação do PRP como tratamento adjunto.

  • Desenho do estudo: Revisão narrativa clínica e síntese de literatura baseada em ensaios clínicos randomizados (ECRs) e revisões sistemáticas.
  • População e tamanho da amostra (N): Não se aplica diretamente a um N único, pois trata-se de uma revisão de diretrizes clínicas avaliando pacientes adultos com tendinopatia crônica e refratária do ombro.

Métodos

O artigo fonte revisou a literatura pertinente às terapias não cirúrgicas e tratamentos adjuntos para lesões crônicas do manguito rotador. As intervenções avaliadas incluíram o uso de PRP injetável comparado a placebos, injeções de corticosteroides ou fisioterapia isolada, analisando desfechos de alívio de dor e melhora funcional.

Resultados quantitativos

O documento do UpToDate afirma explicitamente que não há resultados quantitativos de eficácia consolidados a favor do PRP nesta seção específica. O texto destaca que:

Conclusões

O uso do Plasma Rico em Plaquetas (PRP) para o tratamento da tendinopatia do manguito rotador permanece controverso. Apesar do forte apelo biológico e mercadológico em torno das terapias regenerativas, a evidência de alta qualidade clínica não corrobora a eficácia do PRP de forma unânime ou robusta para esta condição específica.

Aplicações práticas

Na prática clínica do médico do esporte ou ortopedista, o PRP não deve ser prescrito como tratamento de primeira linha para tendinopatias do manguito rotador. Terapias focadas em exercícios, correção biomecânica e fortalecimento progressivo (fisioterapia) continuam sendo o padrão-ouro. O PRP pode ser considerado em cenários restritos de tendinopatias refratárias crônicas, mas o médico deve alinhar rigorosamente as expectativas do paciente, explicando a fragilidade das evidências atuais e o caráter muitas vezes experimental da intervenção.

Limitações e vieses

A avaliação da literatura sobre PRP sofre de um viés metodológico crônico: a profunda heterogeneidade. Não há padronização nos kits de centrifugação, na concentração plaquetária ideal, na presença ou ausência de leucócitos (LR-PRP vs. LP-PRP) e nos volumes injetados. Essa falta de padronização dificulta a comparação entre ensaios clínicos e dilui a validade das meta-análises.

Principais insights

  • Fisioterapia e correção biomecânica continuam sendo a base do tratamento da tendinopatia do manguito rotador.
  • O PRP é classificado como uma terapia adjunta, frequentemente utilizada em casos crônicos e refratários.
  • Ensaios clínicos bem desenhados e controlados tendem a não demonstrar eficácia clínica superior do PRP na melhora da dor ou função do ombro.
  • O custo elevado e a falta de padronização do PRP exigem cautela na sua indicação comercial rotineira.

Precauções e Recomendações

Devido à fragilidade das evidências que suportam o PRP nas afecções do manguito rotador, a conduta médica deve ser pautada na cautela. Evite prometer regeneração tecidual ou “cura” da tendinose aos pacientes. Mantenha o foco em reabilitação ativa e controle de carga. Intervenções passivas e de alto custo sem forte base científica devem ser a exceção, não a regra, no seu plano terapêutico.

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Referências

  1. Simons SM, Kruse DW. Rotator cuff tendinopathy. UpToDate [Internet]. 2026 Sep [cited 2026 Oct 14]. Available from: https://www.uptodate.com/contents/rotator-cuff-tendinopathy

Autor: Dr. Joao Diniz | @dr.joaodiniz CRM-SP 255.025 Medicina Esportiva USP

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Autor

  • João Diniz

    🏋️ Médico & Atleta
    🏃 Dor • PRP • Infiltração
    🫀 Performance e Saúde Cardíaca
    🎓 Hospital das Clínicas USP | CRM 255.027
    🧠 Co-Founder @medesportepapers

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