Soroterapia em atletas: a regra dos 100 mL

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Soroterapia em atletas pode ser doping? Entenda a regra dos 100 mL

Uma bolsa com vitaminas pode parecer apenas uma estratégia de recovery. Para um atleta submetido às regras antidoping, porém, ela pode representar um método proibido — mesmo sem conter substância dopante.

A discussão ganhou força após reportagens associarem Vini Jr. e Virginia Fonseca a uma sessão de soroterapia nos Estados Unidos. O caso expõe dois problemas: a falta de evidência para “coquetéis” intravenosos com promessas de energia e imunidade e o risco regulatório para atletas.

O que diz a WADA?

A Lista Proibida de 2026 considera método proibido a infusão ou injeção intravenosa superior a 100 mL em 12 horas. A regra vale dentro e fora de competição, inclusive quando a solução contém apenas soro fisiológico, vitaminas, minerais ou fluidos para reidratação.

As exceções são infusões legitimamente recebidas durante tratamento hospitalar, cirurgia ou investigação diagnóstica. Fora desses contextos, pode ser necessária uma Autorização de Uso Terapêutico.

Por que isso é controlado?

Grandes volumes podem aumentar o volume plasmático, causar hemodiluição, mascarar substâncias e alterar o passaporte biológico. Aplicações menores também são somadas dentro das mesmas 12 horas.

Existe benefício para o recovery?

A via intravenosa tem indicações legítimas, como desidratação grave, vômitos persistentes ou impossibilidade de hidratação oral. Em atletas saudáveis, porém, não há boa evidência de que soros com vitaminas melhorem recuperação, imunidade ou desempenho. Quando possível, a hidratação oral continua sendo a escolha preferencial.

Antes de qualquer infusão, o médico deve confirmar a indicação, revisar os componentes, calcular o volume total e verificar a necessidade de autorização antidoping.

No alto rendimento, não basta perguntar o que havia no soro. É preciso saber por que foi indicado, quanto foi administrado e se o método era permitido.

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Dr. João Diniz
Medicina Esportiva USP
CRM-SP 255.027

Autor

  • João Diniz

    Médico pela Universidade Estadual do Ceará
    Atleta Fisiculturismo Clássico.
    Residente Medicina Esportiva USP.

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