A dor no ombro é uma das principais queixas musculoesqueléticas encontradas na prática clínica, especialmente entre praticantes de musculação, esportes de arremesso e indivíduos acima dos 40 anos. Entre as causas mais frequentes está a doença do manguito rotador, um conjunto de alterações degenerativas e inflamatórias que podem comprometer significativamente a função do ombro.
Durante muitos anos, pacientes com esse diagnóstico eram orientados simplesmente a interromper qualquer tipo de treinamento de força. Hoje, entretanto, sabemos que essa recomendação nem sempre encontra respaldo científico. Pelo contrário, quando bem indicado e individualizado, o exercício resistido pode ser um dos principais aliados no tratamento conservador.
É justamente essa mudança de paradigma que diferencia o médico atualizado daquele que ainda baseia suas condutas apenas na experiência clínica. Se você deseja aprofundar sua capacidade de prescrever exercício com segurança e interpretar as evidências de forma prática, vale conhecer o curso A Medicina do Esporte que Todo Médico Precisa Saber.

O que é a doença do manguito rotador?
Apesar de frequentemente associada a uma única lesão, a doença do manguito rotador representa um espectro de alterações que inclui tendinopatias, bursites, rupturas parciais e rupturas completas dos tendões.
O manguito rotador é formado por quatro músculos:
- Supraespinal;
- Infraespinal;
- Redondo menor;
- Subescapular.
Esses músculos atuam muito além da simples movimentação do ombro. Sua principal função é promover estabilidade dinâmica da articulação glenoumeral, mantendo a cabeça do úmero centralizada durante os movimentos do membro superior.
Quando ocorre um desequilíbrio entre carga mecânica, capacidade adaptativa do tendão e fatores biológicos relacionados ao envelhecimento, inicia-se um processo degenerativo progressivo que pode culminar em dor, perda funcional e redução da força muscular.
O artigo publicado no New England Journal of Medicine por Jain e Khazzam (2024) reforça que a maioria das alterações degenerativas do manguito não decorre exclusivamente de impacto subacromial, como se acreditava anteriormente, mas resulta de uma interação complexa entre envelhecimento, vascularização reduzida, alterações estruturais do colágeno e sobrecarga mecânica repetitiva.
Essa compreensão modifica diretamente a forma como devemos orientar o treinamento físico desses pacientes.
Treino de força é contraindicado?
Essa talvez seja a principal dúvida dos pacientes que recebem o diagnóstico de doença do manguito rotador. Afinal, quem tem lesão do manguito rotador pode continuar fazendo treino de força?
Na maioria dos casos, a resposta é não.
O treino de força não é contraindicado, desde que seja realizado com adaptações individualizadas e respeitando a fase clínica do paciente.
Durante muitos anos, acreditou-se que qualquer exercício com carga aceleraria o desgaste dos tendões e favoreceria a progressão da lesão. Essa interpretação levou muitos profissionais a recomendarem repouso prolongado e afastamento completo da musculação.
Entretanto, as evidências mais recentes mostram um cenário diferente. Atualmente, entende-se que um dos principais cuidados no treino de força para pacientes com manguito rotador é controlar adequadamente a carga mecânica, e não eliminá-la completamente.
A revisão sistemática da Cochrane conduzida por Page et al. demonstrou que programas estruturados de exercícios promovem melhora da dor, da função e da capacidade funcional em indivíduos com doença do manguito rotador quando comparados ao repouso ou apenas à orientação clínica.
Da mesma forma, a revisão publicada no New England Journal of Medicine reforça que o tratamento conservador, baseado em educação do paciente e exercícios progressivos, deve ser considerado a estratégia inicial para a maioria das alterações degenerativas do manguito rotador.
Isso, entretanto, não significa que qualquer exercício seja apropriado.
Os principais cuidados para o manguito rotador durante o treino de força envolvem respeitar a capacidade funcional do paciente, evitar aumentos abruptos de carga e monitorar a resposta clínica após as sessões de treinamento.
Na prática, existe uma diferença importante entre:
- treinar com dor intensa e incapacitante;
- utilizar cargas incompatíveis com a capacidade atual do tendão;
- realizar um programa de fortalecimento com progressão gradual e acompanhamento adequado.
Na prática clínica, o objetivo não é retirar o paciente da musculação, mas adaptar temporariamente o treinamento enquanto o tendão recupera sua capacidade de suportar carga.
Essa mudança de abordagem aumenta significativamente a adesão ao tratamento, reduz o medo do movimento e favorece um retorno mais seguro às atividades físicas.

O que acontece com o tendão durante o treinamento?
Os tendões respondem ao estímulo mecânico de forma semelhante ao músculo, embora em velocidades diferentes.
Quando submetidos a cargas adequadas, ocorre aumento da síntese de colágeno, reorganização das fibras e melhora gradual da capacidade de suportar tensão.
Por outro lado, cargas excessivas, aumento abrupto do volume de treino ou recuperação insuficiente podem ultrapassar a capacidade adaptativa do tecido, favorecendo o aparecimento ou agravamento da tendinopatia.
Esse conceito é particularmente importante porque muitos pacientes acreditam que sentir dor significa necessariamente estar lesionando o tendão.
Sabemos hoje que essa relação não é tão simples.
A intensidade da dor depende também de fatores como sensibilização periférica, mecanismos centrais de modulação da dor, aspectos psicossociais e expectativas do próprio paciente.
Por isso, decisões clínicas baseadas exclusivamente na intensidade da dor podem levar tanto ao excesso de restrição quanto ao retorno precoce às atividades.
Quais pacientes exigem maior atenção?
Embora o exercício seja recomendado para a maioria dos casos, alguns perfis merecem avaliação mais criteriosa.
Entre eles estão:
- pacientes acima de 60 anos;
- rupturas completas extensas;
- perda importante de força;
- pseudoparalisia;
- história recente de trauma significativo;
- falha de tratamento conservador bem conduzido.
Nessas situações, exames de imagem e avaliação especializada tornam-se ainda mais importantes para definir a melhor estratégia terapêutica.
Vale lembrar que alterações degenerativas do manguito são extremamente comuns em indivíduos assintomáticos. Diversos estudos mostram que a presença de ruptura na ressonância magnética, isoladamente, não determina a necessidade de cirurgia nem explica obrigatoriamente a dor apresentada pelo paciente.
Esse é um dos erros mais frequentes observados no consultório: tratar a imagem em vez do paciente.
A interpretação correta dos exames, associada à prescrição adequada de exercício, faz parte da rotina do médico que trabalha com pacientes fisicamente ativos. Esse é um dos pilares abordados no curso A Medicina do Esporte que Todo Médico Precisa Saber, conectando fisiologia, biomecânica e medicina baseada em evidências para decisões clínicas mais seguras.
Quais exercícios podem ser mantidos durante o tratamento?
Uma das dúvidas mais frequentes entre pacientes fisicamente ativos é se a musculação deve ser completamente interrompida após o diagnóstico de doença do manguito rotador. Essa preocupação é compreensível, principalmente entre indivíduos que treinam regularmente e temem que o exercício acelere a progressão da lesão.
Entretanto, quando falamos sobre manguito rotador e treino de força, a literatura atual mostra que a interrupção completa do treinamento raramente é a melhor estratégia. Na maioria dos casos, os cuidados com o manguito rotador durante o treino de força envolvem adaptar o programa de exercícios, e não eliminar completamente a carga mecânica.
As evidências sugerem que o tendão necessita de estímulo para manter sua capacidade funcional. O problema não está na presença de carga, mas na incompatibilidade entre a carga aplicada e a capacidade do tecido em determinado momento da reabilitação.
Por esse motivo, o tratamento deve priorizar ajustes individualizados, considerando fatores como:
- intensidade da dor;
- amplitude de movimento disponível;
- qualidade da execução do exercício;
- volume semanal de treinamento;
- demanda esportiva ou ocupacional do paciente.
Na prática, reduzir temporariamente a carga, diminuir a amplitude de determinados movimentos ou substituir exercícios que aumentem a sobrecarga sobre o manguito costuma ser muito mais eficaz do que afastar completamente o paciente da musculação.
Além disso, pacientes que permanecem ativos durante a reabilitação tendem a apresentar menor perda de força, melhor capacidade funcional e maior facilidade para retornar ao esporte ou às atividades laborais quando comparados àqueles submetidos ao repouso prolongado.
Outro aspecto importante é compreender que o fortalecimento não deve se restringir ao manguito rotador. O desempenho do ombro depende da integração entre manguito, musculatura escapular, tronco e cadeia cinética. Dessa forma, exercícios voltados para o serrátil anterior, trapézio médio e inferior, além da estabilidade do core, frequentemente fazem parte de um programa de reabilitação baseado em evidências.
Em vez de perguntar “quais exercícios são proibidos?”, talvez a pergunta mais adequada seja: “como adaptar o treino de força para respeitar a fase clínica e a capacidade funcional do paciente?”.
Essa mudança de perspectiva favorece uma reabilitação mais segura, melhora a adesão ao tratamento e reduz o receio do paciente em voltar a treinar.
O papel da progressão de carga
A progressão da carga é um dos pilares do tratamento conservador.
Assim como ocorre no treinamento muscular, os tendões respondem positivamente a estímulos graduais. A ausência completa de carga reduz a capacidade adaptativa do tecido, enquanto o excesso pode perpetuar o quadro doloroso.
Por isso, a prescrição deve considerar fatores como:
- intensidade da dor durante o exercício;
- dor nas 24 horas seguintes;
- capacidade funcional;
- qualidade do movimento;
- evolução clínica ao longo das semanas.
Na prática, muitos especialistas utilizam como referência uma dor leve e tolerável durante o exercício, desde que não haja piora importante nas horas seguintes. Essa estratégia favorece a continuidade do treinamento sem aumentar significativamente o risco de agravamento estrutural.
Mais importante do que eliminar completamente a dor é observar se o paciente está evoluindo em função, força e confiança para movimentar o ombro.
Quais exercícios costumam ser melhor tolerados?
Durante a fase inicial da reabilitação, alguns exercícios apresentam menor demanda compressiva sobre o manguito rotador e costumam ser bem aceitos pela maioria dos pacientes.
Entre eles destacam-se:
- remadas com boa estabilização escapular;
- puxadas verticais adaptadas;
- exercícios para musculatura posterior do ombro;
- fortalecimento progressivo dos rotadores externos;
- exercícios isométricos para controle da dor;
- fortalecimento do serrátil anterior e trapézio inferior.
Outro ponto importante é compreender que o foco não deve ser apenas o manguito rotador.
A literatura demonstra que alterações no controle escapular podem modificar significativamente a distribuição das cargas sobre a articulação glenoumeral. Dessa forma, músculos como trapézio médio, trapézio inferior, romboides e serrátil anterior assumem papel fundamental durante a reabilitação.
Essa abordagem integrada costuma produzir melhores resultados do que protocolos focados exclusivamente no fortalecimento do supraespinal.
Exercícios que exigem maior cautela
Nem todo exercício precisa ser proibido, mas alguns movimentos frequentemente aumentam a sobrecarga sobre os tendões durante períodos de maior irritabilidade.
Entre eles estão:
- desenvolvimento militar com cargas elevadas;
- elevações laterais acima de 90° em pacientes sintomáticos;
- remada alta;
- exercícios realizados atrás da cabeça;
- movimentos explosivos acima da linha dos ombros.
Isso não significa que esses exercícios sejam “errados”.
Na realidade, eles apenas podem exigir adaptações temporárias durante determinadas fases do tratamento.
Um dos erros mais comuns é classificar determinados movimentos como proibidos para todos os pacientes. A resposta clínica depende da capacidade funcional, do controle motor, do volume semanal de treino e da adaptação individual.
Em muitos casos, após melhora clínica e progressão adequada das cargas, esses mesmos exercícios podem voltar a fazer parte do treinamento sem intercorrências.
Dor durante o exercício: até que ponto ela é aceitável?
Essa é uma das maiores mudanças promovidas pela medicina baseada em evidências no manejo da doença do manguito rotador.
Durante muitos anos, acreditava-se que qualquer dor durante o treino de força indicava progressão da lesão e deveria ser evitada. Hoje, sabemos que essa relação é muito mais complexa.
Nas tendinopatias do manguito rotador, uma dor leve e tolerável durante o exercício pode ocorrer sem representar necessariamente dano adicional ao tendão. O mais importante é avaliar a resposta clínica nas horas seguintes e a evolução funcional do paciente ao longo das semanas.
Isso, entretanto, não significa ignorar sintomas importantes. Alguns sinais merecem atenção e indicam a necessidade de reavaliar o diagnóstico ou ajustar o programa de treinamento:
- dor intensa e incapacitante;
- perda súbita de força;
- aumento importante da dor nas 24 horas seguintes;
- limitação funcional progressiva;
- dor noturna persistente.
Na prática clínica, a decisão de manter ou adaptar o treino de força não deve ser baseada exclusivamente em uma escala numérica de dor. A avaliação da função, da qualidade do movimento e da capacidade de suportar carga costuma fornecer informações muito mais relevantes para conduzir o tratamento de forma segura.
Erros comuns na condução desses pacientes
Mesmo entre profissionais experientes, alguns equívocos continuam sendo observados com frequência.
Prescrever repouso absoluto
O repouso prolongado favorece perda de força, redução da capacidade funcional e diminuição da tolerância mecânica dos tendões.
Basear toda a conduta na ressonância magnética
Rupturas parciais e alterações degenerativas são extremamente comuns em indivíduos sem qualquer sintoma.
A imagem deve complementar o raciocínio clínico, nunca substituí-lo.
Fortalecer apenas o manguito rotador
O ombro funciona como uma unidade biomecânica integrada.
Ignorar o controle escapular, a mobilidade torácica e a cadeia cinética frequentemente limita os resultados do tratamento.
Aumentar rapidamente a carga
Pacientes motivados costumam progredir mais rápido do que o próprio tendão consegue se adaptar.
O excesso de entusiasmo pode comprometer semanas de evolução clínica.
No consultório, pequenas mudanças na forma de interpretar a dor, analisar exames e orientar o treinamento podem transformar completamente a evolução clínica do paciente.
Esses conceitos fazem parte do conteúdo do curso A Medicina do Esporte que Todo Médico Precisa Saber, que reúne fisiologia, biomecânica e medicina baseada em evidências para auxiliar médicos a prescrever exercício com muito mais segurança.
Quando solicitar exames de imagem?
Uma dúvida frequente na prática clínica é quando os exames de imagem realmente agregam valor ao manejo da doença do manguito rotador. Embora a ultrassonografia e a ressonância magnética sejam amplamente utilizadas, elas não devem ser solicitadas de forma indiscriminada.
O diagnóstico é, acima de tudo, clínico. Uma anamnese detalhada, associada ao exame físico, costuma fornecer informações suficientes para iniciar o tratamento conservador na maioria dos pacientes.
A solicitação de exames torna-se mais relevante em situações como:
- suspeita de ruptura completa após trauma;
- perda importante de força ou pseudoparalisia;
- ausência de melhora após um programa de reabilitação bem conduzido;
- planejamento cirúrgico;
- dúvidas diagnósticas envolvendo outras estruturas do ombro.
Vale ressaltar que alterações degenerativas do manguito rotador são extremamente comuns em indivíduos assintomáticos, especialmente após os 50 anos. Estudos demonstram que uma parcela significativa da população apresenta rupturas parciais ou completas na ressonância magnética sem qualquer limitação funcional.
Por isso, a imagem deve complementar o raciocínio clínico e jamais substituir a avaliação do paciente.
Quando considerar tratamento cirúrgico?
A cirurgia continua sendo uma opção importante em casos selecionados, mas está longe de representar a primeira escolha para todos os pacientes com dor no ombro.
Segundo a revisão publicada no New England Journal of Medicine, o tratamento conservador permanece como abordagem inicial para grande parte das doenças degenerativas do manguito rotador.
Em geral, o encaminhamento para avaliação cirúrgica pode ser considerado quando há:
- ruptura traumática aguda em pacientes ativos;
- perda importante de força associada à ruptura completa;
- falha do tratamento conservador após um período adequado de reabilitação;
- limitação funcional persistente que compromete significativamente a qualidade de vida.
Mesmo nesses cenários, a decisão deve ser compartilhada com o paciente, levando em consideração idade, nível de atividade física, expectativas, comorbidades e demanda funcional.
É importante destacar que nem toda ruptura identificada na ressonância magnética necessita de reparo cirúrgico.
Como orientar o retorno ao treino de força?
Uma das principais responsabilidades do médico é orientar um retorno seguro ao treinamento, evitando tanto o excesso de restrição quanto a progressão precoce das cargas.
Na prática, alguns princípios costumam facilitar esse processo.
Priorize a qualidade do movimento
Antes de aumentar a carga, observe se o paciente consegue executar o exercício com boa mecânica escapular e sem compensações importantes.
Progrida uma variável por vez
Aumentar simultaneamente carga, volume e frequência eleva significativamente o estresse sobre os tendões.
O ideal é modificar apenas uma variável por semana, permitindo adaptação progressiva.
Oriente o paciente sobre a dor
Uma leve dor durante ou após o exercício pode ocorrer e nem sempre representa piora da lesão.
O mais importante é acompanhar a evolução funcional ao longo das semanas.
Mantenha exercícios para o manguito mesmo após melhora
Um erro comum é abandonar completamente os exercícios específicos após o desaparecimento da dor.
Em muitos casos, manter um programa simples de fortalecimento contribui para reduzir recidivas e preservar a função do ombro.
O papel da educação do paciente
Grande parte do sucesso terapêutico depende da forma como o médico comunica o diagnóstico e orienta o paciente sobre a evolução da doença.
Explicar que alterações degenerativas do manguito rotador podem fazer parte do envelhecimento e que dor nem sempre significa uma lesão estrutural grave ajuda a reduzir o medo do movimento, melhora a adesão ao tratamento e aumenta a confiança para retomar o treino de força de maneira segura.
Esse conceito, conhecido como educação em dor, tem sido cada vez mais incorporado às diretrizes internacionais para o manejo das condições musculoesqueléticas. A compreensão do paciente sobre sua condição influencia diretamente o comportamento frente à dor, a adesão ao programa de reabilitação e os resultados funcionais.
Ao substituir mensagens alarmistas por orientações baseadas em evidências, o médico promove uma abordagem mais centrada no paciente, reduz a cinesiofobia e favorece um retorno mais seguro às atividades físicas e esportivas.
Como agir no consultório?
Na prática diária, o paciente raramente chega perguntando sobre biomecânica ou fisiologia tendínea. Ele quer saber se poderá voltar a treinar, se precisará operar e quanto tempo ficará afastado da academia.
Nesses momentos, uma abordagem estruturada pode facilitar a consulta.
1. Faça uma avaliação clínica completa
Antes de solicitar exames, investigue a história da dor, fatores desencadeantes, limitações funcionais e objetivos do paciente.
2. Explique o diagnóstico de forma acessível
Evite termos que possam gerar medo, como “ombro desgastado” ou “tendão destruído”. Explique que muitas alterações são compatíveis com o envelhecimento e podem ser manejadas com tratamento adequado.
3. Estimule a continuidade da atividade física
Na maioria dos casos, o treinamento de força pode ser mantido com adaptações temporárias, reduzindo o risco de descondicionamento.
4. Oriente sobre progressão de carga
Ajude o paciente a compreender que recuperação não significa ausência completa de sintomas, mas melhora gradual da função e da capacidade de suportar carga.
5. Reavalie periodicamente
A evolução clínica deve orientar os ajustes no tratamento muito mais do que exames repetidos.
O médico que domina prescrição de exercício consegue transformar a consulta em uma oportunidade de educação, prevenção e recuperação funcional.
Esses conceitos fazem parte do curso A Medicina do Esporte que Todo Médico Precisa Saber, que reúne medicina baseada em evidências, biomecânica e fisiologia aplicada para auxiliar médicos na tomada de decisão clínica.
Resumo prático
✔ A doença do manguito rotador não contraindica automaticamente o treinamento de força.
✔ O exercício resistido é uma das principais ferramentas do tratamento conservador.
✔ O diagnóstico deve ser predominantemente clínico, utilizando exames de imagem quando houver indicação.
✔ A progressão gradual das cargas é mais importante do que a interrupção completa das atividades.
✔ A dor deve ser interpretada dentro do contexto clínico, e não como único marcador de lesão.
✔ Alterações encontradas na ressonância magnética nem sempre justificam cirurgia.
✔ Educação do paciente e prescrição individualizada aumentam significativamente a adesão ao tratamento e os resultados funcionais.
Se você deseja aprofundar seus conhecimentos sobre prescrição de exercício, interpretação de exames e manejo das principais lesões encontradas na prática esportiva, conheça o curso A Medicina do Esporte que Todo Médico Precisa Saber.
Ao longo das aulas, você aprenderá como integrar fisiologia, biomecânica e medicina baseada em evidências para oferecer condutas mais seguras e eficazes aos seus pacientes.
Conclusão
A doença do manguito rotador não deve ser encarada como uma contraindicação definitiva ao treino de força. Pelo contrário, as evidências atuais demonstram que o exercício resistido, quando bem prescrito e individualizado, é um dos pilares do tratamento conservador, contribuindo para a redução da dor, melhora da função e retorno às atividades físicas.
Nesse contexto, o papel do médico vai muito além do diagnóstico. Avaliar a capacidade funcional, interpretar corretamente os exames de imagem, orientar a progressão da carga e educar o paciente são etapas fundamentais para uma recuperação segura e baseada em evidências.
Mais do que restringir movimentos, o objetivo deve ser adaptar o treinamento às necessidades e limitações de cada indivíduo, permitindo que ele permaneça ativo durante todo o processo de reabilitação. Essa abordagem reduz o risco de descondicionamento, melhora a adesão ao tratamento e favorece melhores desfechos clínicos a longo prazo.
Se você deseja aprofundar seus conhecimentos sobre prescrição de exercícios, interpretação de lesões musculoesqueléticas e medicina baseada em evidências aplicada ao paciente fisicamente ativo, conheça o curso A Medicina do Esporte que Todo Médico Precisa Saber. Você aprenderá como transformar conceitos científicos em condutas práticas para o dia a dia do consultório.
FAQ- Perguntas Frequentes
Quem tem lesão do manguito rotador pode fazer musculação?
Na maioria dos casos, sim. O treinamento de força faz parte do tratamento conservador quando bem prescrito e individualizado.
O treino de força piora a lesão?
As evidências atuais mostram que cargas progressivas e bem controladas não aceleram a degeneração do tendão e podem melhorar dor e função.
Quais exercícios devem ser evitados?
Durante fases dolorosas, exercícios acima da cabeça, remada alta e desenvolvimento militar pesado podem necessitar de adaptações temporárias.
Quando a cirurgia é indicada?
Principalmente em rupturas traumáticas, perda importante de força ou falha do tratamento conservador adequadamente conduzido.
O repouso absoluto ajuda?
Não. O repouso prolongado pode favorecer perda de força, redução da capacidade funcional e pior prognóstico.
Referências
JAIN, N. B.; KHAZZAM, M. S. Degenerative Rotator-Cuff Disorders. The New England Journal of Medicine, v. 391, 2024. Degenerative Rotator-Cuff Disorders | New England Journal of Medicine
PAGE, M. J.; GREEN, S.; MCBAIN, B. et al. Manual Therapy and Exercise for Rotator Cuff Disease. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2016.
AMERICAN ACADEMY OF ORTHOPAEDIC SURGEONS (AAOS). Management of Rotator Cuff Injuries: Clinical Practice Guideline. Rosemont: AAOS.
KUHN, J. E. Exercise in the treatment of rotator cuff impingement: a systematic review and synthesized evidence-based rehabilitation protocol. Journal of Shoulder and Elbow Surgery, 2009.
LEWIS, J. Rotator cuff related shoulder pain: assessment, management and uncertainties. Manual Therapy, 2016.
LUEDWIG, P. M.; REYNOLDS, J. F. The association of scapular kinematics and glenohumeral joint pathologies. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, 2009.
COOLS, A. M.; STRUYF, F.; DE MEY, K. et al. Rehabilitation of scapular dyskinesis: from the office worker to the elite overhead athlete. British Journal of Sports Medicine, 2014.
COOK, J. L.; PURDAM, C. R. Is tendon pathology a continuum? A pathology model to explain the clinical presentation of load-induced tendinopathy. British Journal of Sports Medicine, 2009.

