Diagnóstico das tendinopatias: clínica primeiro, imagem com propósito
O diagnóstico da tendinopatia é predominantemente clínico. O fenótipo típico combina dor focal no tendão ou na êntese, piora com tarefas que exigem força ou armazenamento de energia, rigidez matinal, possível melhora transitória durante o aquecimento e perda de capacidade. A resposta após o exercício — sobretudo nas 24 horas seguintes — ajuda a interpretar a dose tolerada e deve integrar a anamnese.
Um exame organizado reduz a dependência de testes especiais isolados. Primeiro, localiza-se a dor; depois, tenta-se reproduzir o sintoma familiar por resistência, alongamento ou tarefa específica. Em seguida, excluem-se ruptura, dor referida, lesão óssea, bursite e doença articular. Por fim, quantifica-se função: força máxima, endurance, capacidade de produzir força rapidamente e execução de gestos relevantes ao esporte. No Aquiles, elevações unilaterais do calcanhar; no patelar, agachamento declinado e extensão do joelho; na epicondilalgia lateral, preensão e extensão resistida são exemplos úteis, nunca conclusivos isoladamente.
O mecanismo também orienta o raciocínio. Tendões respondem a tensão longitudinal, compressão na inserção e cargas de alta taxa. Na tendinopatia insercional do Aquiles, por exemplo, dorsiflexão profunda aumenta compressão; no tendão glúteo, adução sustentada pode agravar sintomas. Reconhecer essa relação permite ajustar amplitude sem abolir toda a carga.
Ultrassom ou ressonância devem responder a uma pergunta clínica: dúvida diagnóstica, apresentação atípica, perda súbita de função, suspeita de ruptura, discrepância clínico-funcional ou planejamento cirúrgico. Não são necessários para “confirmar” todo quadro típico nem para monitorar rotineiramente a melhora. Estalo súbito, sensação de golpe, falha de impulsão, gap palpável ou teste de Thompson alterado deslocam a prioridade para ruptura aguda e avaliação imediata. A imagem complementa o raciocínio; não substitui história, exame e função.
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**Referências essenciais:** de Vos RJ et al. *Br J Sports Med.* 2021;55:1125–1134. DOI: 10.1136/bjsports-2020-103867. Scott A et al. *Br J Sports Med.* 2020;54:260–262.
