Tendinopatia: Quando a Demanda Supera a Capacidade do Tendão.
Tendinopatia é uma síndrome clínica caracterizada por dor localizada e redução de função associadas à carga. O termo não deve ser empregado como sinônimo de “tendinite”, nem definido apenas por alterações ultrassonográficas. Em muitos atletas, espessamento, desorganização fibrilar ou neovascularização coexistem com desempenho preservado; em outros, sintomas relevantes surgem sem alterações estruturais proporcionais. A correlação entre imagem, dor e prognóstico é, portanto, limitada.
O modelo mais útil para a prática clínica é o desequilíbrio entre demanda e capacidade. A demanda aumenta com saltos, sprints, arremessos, mudanças de superfície, intensificação do calendário ou retorno abrupto após pausa. A capacidade, por sua vez, varia conforme força, exposição prévia, idade, saúde metabólica, disponibilidade energética e recuperação. A pergunta “por que agora?” costuma revelar mais do que a procura por uma causa isolada.
O continuum reativo–desorganizado–degenerativo ajuda a compreender a adaptação malsucedida da matriz, mas não funciona como estadiamento rígido. Regiões com características distintas podem coexistir no mesmo tendão, e mesmo tecidos cronicamente alterados permanecem responsivos ao estímulo mecânico. A prevalência também depende do sítio e do esporte: a tendinopatia patelar é particularmente frequente em modalidades de salto, enquanto a tendinopatia de Aquiles também ocorre em grande número de não atletas.
O risco é multifatorial. Tendinopatia prévia, menor capacidade musculotendínea, idade, obesidade, diabetes, dislipidemia, baixa disponibilidade energética, sono insuficiente e mudanças recentes de exposição podem interagir. Fluoroquinolonas e glicocorticoides merecem revisão cuidadosa. Em quadros bilaterais, recorrentes ou envolvendo múltiplos tendões, a avaliação médica deve ampliar o foco para fatores metabólicos, inflamatórios, hormonais e farmacológicos. Tratar o tendão começa por compreender o sistema no qual ele recebe carga.
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**Referências essenciais:** Scott A et al. *Br J Sports Med.* 2020;54:260–262. DOI: 10.1136/bjsports-2019-100885. Chimenti RL et al. *J Orthop Sports Phys Ther.* 2024. DOI: 10.2519/jospt.2024.0302.
