A infiltração de ácido hialurônico no joelho é uma das terapias intra-articulares mais utilizadas no manejo da osteoartrite (OA), visando restaurar a viscoelasticidade do líquido sinovial e modular o ambiente inflamatório. Contudo, selecionar o paciente certo e alinhar as expectativas nas primeiras semanas define o sucesso ou o fracasso da conduta no consultório.
Visão Geral do Estudo e Metodologia
Esta revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados (Nível I de evidência, diretrizes PRISMA 2020) publicada na revista Sports Medicine avaliou os fatores prognósticos que influenciam a eficácia da viscossuplementação. Foram incluídos 71 ECRs, totalizando 10.590 pacientes (67% mulheres, idade média de 61,8 ± 5,1 anos e IMC médio de 27,8 ± 2,3 kg/m²). Estudos que combinaram outros compostos bioativos ou protocolos cirúrgicos/fisioterapêuticos experimentais foram excluídos.
Os pesquisadores analisaram como idade, sexo, IMC, gravidade radiográfica por Kellgren-Lawrence (KL I a IV) e o peso molecular do ácido hialurônico (baixo: 500–730 kDa; médio: 800–2000 kDa; alto: > 2000 kDa) impactam os escores clínicos de dor e função — VAS, WOMAC e índice de Lequesne — em quatro janelas de acompanhamento (2 a 4 semanas, 5 a 12 semanas, 13 a 16 semanas e 17 semanas a 6 meses).
Quer dominar as Infiltrações Articulares e o Manejo da Osteoartrite?
Saber indicar o ácido hialurônico no joelho e escolher os melhores ortobiológicos para cada grau de lesão condral faz parte da rotina de excelência. Na nossa Pós-Graduação em Medicina do Exercício e do Esporte, abordaremos em profundidade todo o manejo conservador e intervencionista das patologias articulares.
Faça agora a sua pré-inscrição — apenas os pré-inscritos terão acesso a um valor e desconto especial.
Clique aqui para ser redirecionado ao WhatsApp da nossa equipe de atendimento.
Resultados do Ácido Hialurônico no Joelho na Prática
A análise de regressão linear e correlação de Pearson ($r$) revelou padrões clínicos diretos (lembrando que reduções nos escores WOMAC, VAS e Lequesne indicam melhora clínica):
- Piora Transitória no 1º Mês (2–4 semanas): Independentemente do grau da artrose, os pacientes podem apresentar piora inicial dos sintomas nas primeiras 4 semanas, com correlação positiva forte no Lequesne para KL I ($r = 0,9$; $p < 0,005$) e KL IV ($r = 0,9$; $p < 0,005$), além de aumento na VAS geral no KL IV ($r = 0,7$; $p < 0,005$).
- Estágio Inicial/Moderado vs. Avançado: Após o primeiro mês, pacientes com OA leve a moderada (KL I a III) apresentam melhora progressiva. No grau KL II, houve redução significativa da rigidez no WOMAC em 13–16 semanas ($r = -0,6$; $p < 0,05$) e da dor ($r = -0,4$; $p < 0,05$) e rigidez ($r = -0,5$; $p < 0,05$) entre 17 semanas e 6 meses. Já pacientes com artrose severa (KL IV) mantiveram piora da dor na VAS em 13–16 semanas ($r = 0,5$; $p < 0,05$) e até 6 meses ($r = 0,5$; $p < 0,005$).
- Sexo Feminino e Idade: Mulheres apresentaram respostas clinicamente superiores de 5 semanas até 6 meses, com fortes correlações negativas para WOMAC-dor ($r = -0,7$; $p < 0,0001$), rigidez ($r = -0,7$; $p < 0,0001$) e função ($r = -0,6$; $p < 0,005$) no sexto mês. A idade mais avançada também se associou a menores escores de dor na VAS ($r = -0,7$; $p < 0,05$) e WOMAC total ($r = -0,8$; $p < 0,005$) entre 5 e 12 semanas, mantendo benefício na VAS durante o exercício até 6 meses ($r = -0,7$; $p < 0,005$).
- Peso Molecular (kDa) e IMC: Maior peso molecular correlacionou-se com menor rigidez no WOMAC em 2–4 semanas ($r = -0,7$; $p < 0,005$) e menor dor na VAS em 13–16 semanas ($r = -0,4$; $p < 0,005$), sem diferença sustentada em 6 meses. O IMC basal não demonstrou associação estatisticamente significativa com os desfechos.
Aplicações Práticas do Ácido Hialurônico no Joelho
No consultório, o alinhamento pré-procedimento evita insatisfações: avise sempre ao paciente que uma reatividade local ou piora transitória nos primeiros 30 dias pode ocorrer antes do benefício clínico real se instalar a partir da 5ª semana.
A melhor indicação do ácido hialurônico no joelho recai sobre pacientes com osteoartrite inicial a moderada (KL I–II), destacando-se excelentes respostas em mulheres mais velhas. Em casos de artrose avançada (KL IV), a infiltração isolada de AH tende a falhar, exigindo discutir outras terapias ortobiológicas como o PRP, manejo de carga com treinamento de força na sarcopenia e artrose ou avaliação cirúrgica.
Legenda: Aplicação prática baseada em evidências na MedEsporte Papers.
Garanta sua Condição Especial na Pós-Graduação:
Quer dominar a prescrição precisa de viscossuplementação, ortobiológicos e reabilitação articular? Todo esse conteúdo faz parte da grade da nossa Pós-Graduação em Medicina do Exercício e do Esporte.
Estamos em fase de pré-inscrição, na qual apenas os pré-inscritos terão acesso a um valor e desconto especial.
Clique aqui para ser redirecionado ao WhatsApp da nossa equipe de atendimento.
Limitações, Vieses e Principais Insights
- Falta de padronização nos protocolos: Houve alta heterogeneidade nos regimes de dosagem, número de aplicações e intervalos entre as injeções nos 71 ECRs avaliados.
- Seguimento limitado a 6 meses: A ausência de dados de longo prazo (> 6 meses) na maioria dos estudos impede conclusões definitivas sobre a durabilidade anual da aplicação única.
- Risco de viés de aferição: Pela ausência de cegamento do investigador em diversos ensaios e pela natureza subjetiva dos PROMs (VAS e WOMAC), existe risco moderado de viés de detecção.
Precauções e Recomendações Finais
Embora formulações de alto peso molecular (> 2000 kDa) apresentem vantagem pontual na rigidez inicial e dor em médio prazo, a superioridade clínica sustentada sobre pesos moleculares menores ainda é discreta na literatura. A decisão clínica deve priorizar o estadiamento radiográfico precoce e o acompanhamento contínuo associado à reabilitação biomecânica.
Pronto para elevar o nível técnico do seu consultório?
Faça agora a sua pré-inscrição na Pós-Graduação em Medicina do Exercício e do Esporte e tenha acesso exclusivo ao desconto especial para pré-inscritos.
Clique aqui para ser redirecionado ao WhatsApp da nossa equipe de atendimento.
Referências:
- Migliorini F, Maffulli N, Simeone F, Jeyaraman N, Ramasubramanian S, Jeyaraman M. Intra-articular Hyaluronic Acid Injections May Be Beneficial in Patients with Less Advanced Knee Osteoarthritis: A Systematic Review of Randomised Controlled Trials. Sports Med. 2025;55(8):1953-1969. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s40279-025-02265-8
Autor: Dr. João Diniz | @dr.joaodiniz CRM-SP 255.027 Medicina Esportiva USP
