Epicondilite: 5 Fatos Práticos de Ondas de Choque x Laser

epicondilite: ondas de choque x laser no escore DASH
Epicondilite crônica: ensaio randomizado com 52 pacientes compara ondas de choque e laser. Veja os números, as limitações e como aplicar no consultório.

A epicondilite lateral crônica é uma das queixas mais teimosas do consultório: dor no epicôndilo lateral, perda de força de preensão e meses sem melhora. Ondas de choque e laser de baixa intensidade estão entre as opções mais usadas. Mas qual entrega mais?

Um ensaio randomizado publicado na Acta Orthopaedica et Traumatologica Turcica (2020) comparou as duas técnicas frente a frente. Veja os números que importam e como usá-los.

epicondilite lateral: anatomia dos tendões extensores no epicôndilo lateral
Epicondilite lateral: lesão degenerativa dos tendões extensores na origem do epicôndilo lateral. Ilustração: BruceBlaus / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

Epicondilite: 5 fatos práticos do estudo

  1. Na epicondilite crônica, ondas de choque e laser melhoraram dor e função.
  2. As ondas de choque reduziram o DASH em 64%; o laser, em 38%.
  3. A queda no PRTEE foi cerca de duas vezes maior com ondas de choque.
  4. Foram 5 sessões de ondas de choque contra 15 de laser.
  5. O ganho é de curto prazo: a reavaliação foi 1 semana após o tratamento.

Como o estudo sobre epicondilite foi feito

Ensaio clínico randomizado (minimização por idade, sexo e doença sistêmica), nível de evidência II.

  • População: 52 pacientes de 30 a 70 anos (média de 48), com sintomas há pelo menos 6 meses.
  • Exclusões: cirurgia, fisioterapia ou corticoide nos últimos 3 meses, radiculopatia cervical, síndromes compressivas, doença inflamatória crônica, gestação e câncer.
  • Ondas de choque (n = 26): 5 sessões semanais, 2.000 pulsos sobre a origem dos extensores.
  • Laser (n = 26): 15 sessões diárias, 905 nm, 5 minutos sobre 6 pontos-gatilho.
  • Para todos: AINE por 10 dias e exercícios supervisionados de alongamento e força de preensão.
epicondilite: equipamento de terapia por ondas de choque
Equipamento de terapia por ondas de choque com aplicador. Foto: Gregor Holfeld / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

Os desfechos foram DASH (função do membro superior), PRTEE (escala específica do cotovelo) e SF-36, aplicados antes e 1 semana após a última sessão por um avaliador cego. O artigo não define desfecho primário nem relata cálculo amostral.

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Resultados: o que muda na epicondilite crônica

Os dois grupos melhoraram de forma significativa em dor e função. A diferença está no tamanho do ganho.

  • DASH: 46,6 → 16,6 com ondas de choque (−64%) e 50,8 → 31,6 com laser (−38%); p < 0,001 entre grupos.
  • PRTEE total: −36,8 pontos contra −17,7 pontos; p = 0,005.
  • PRTEE dor: 37,6 → 18,8 contra 36,6 → 27,1; p = 0,002.
  • SF-36 dor (maior é melhor): 49,3 → 71,5 contra 38,3 → 50,6; p < 0,001.

Na prática, as ondas de choque reduziram o PRTEE cerca de duas vezes mais que o laser, com um terço das sessões. O artigo não informa intervalos de confiança nem tamanho de efeito.

epicondilite: ondas de choque x laser no escore DASH
DASH antes e depois do tratamento (Turgay et al., 2020).

Ondas de choque na epicondilite: aplicação no consultório

epicondilite: aplicação de ondas de choque no epicôndilo lateral
Aplicação de ondas de choque sobre a origem dos extensores, no epicôndilo lateral. Foto: Jpwvenn / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0.
  • Sintomas há mais de 6 meses e falha do tratamento inicial: considere ondas de choque antes do laser.
  • Associe sempre exercício supervisionado. Foi esse o pacote testado.
  • Use como referência o protocolo do estudo: 5 sessões semanais de 2.000 pulsos.
  • Meça com PRTEE ou DASH e reavalie além da primeira semana.

Para aprofundar, leia nosso post sobre ácido hialurônico vs ondas de choque na tendinopatia de Aquiles e o guia paciente com tendinite pode treinar?

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Limitações e pontos-chave

  • Seguimento de apenas 1 semana: não se sabe se o ganho se mantém.
  • Sem grupo placebo; pacientes e terapeutas não eram cegos.
  • Largada desigual: o grupo das ondas de choque tinha melhor função física e energia no SF-36.
  • Número de sessões diferente (5 x 15) e cointervenções em todos.
  • Amostra pequena e pouco esportiva: apenas 2 tenistas.

Mensagem central: os dois métodos ajudam, e as ondas de choque mostraram vantagem de curto prazo na epicondilite crônica.

Precauções e recomendações

O estudo não detalha eventos adversos; os autores consideram as duas técnicas seguras. Como a epicondilite melhora espontaneamente em muitos pacientes entre 6 e 24 meses, faltam estudos com grupo controle. Cada paciente com epicondilite deve ser avaliado individualmente, incluindo o diagnóstico diferencial com radiculopatia e compressão do nervo radial.

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Referência

1. Turgay T, Günel Karadeniz P, Sever GB. Comparison of low level laser therapy and extracorporeal shock wave in treatment of chronic lateral epicondylitis. Acta Orthop Traumatol Turc. 2020;54(6):591-5. doi: 10.5152/j.aott.2020.19102

Autor: Dr. João Diniz | @dr.joaodiniz
CRM-SP 255.027
Medicina Esportiva USP

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