A dúvida sobre se os exercícios pioram o cotovelo de tenista é uma das mais frequentes no consultório entre pacientes e até mesmo entre profissionais da saúde. É comum que indivíduos com dor intensa na face lateral do cotovelo interrompam completamente qualquer tipo de movimento por medo de agravar a lesão. Entretanto, a literatura científica mais recente mostra que essa percepção nem sempre corresponde ao comportamento biológico da tendinopatia.
Na prática clínica, compreender a diferença entre dor provocada pelo exercício e progressão da doença é fundamental para conduzir adequadamente pacientes com epicondilalgia lateral. A interrupção completa da carga pode favorecer perda funcional e prolongar a incapacidade, enquanto uma prescrição inadequada de exercícios também pode perpetuar os sintomas.
Esse é justamente um dos pilares abordados no curso A Medicina do Esporte que Todo Médico Precisa Saber, que discute como interpretar a fisiologia da adaptação tecidual, prescrever carga de forma individualizada e utilizar a medicina baseada em evidências na tomada de decisão clínica.
O que é o cotovelo de tenista?
Apesar do nome popular, o cotovelo de tenista (epicondilalgia lateral ou epicondilite lateral) está longe de ser uma condição exclusiva de praticantes de tênis.
A doença acomete principalmente trabalhadores que realizam movimentos repetitivos, praticantes de musculação, esportes de raquete, atividades manuais e qualquer indivíduo exposto a sobrecarga repetitiva da musculatura extensora do punho.
A estrutura mais frequentemente envolvida é o tendão do extensor radial curto do carpo (ECRB), embora outros tendões extensores também possam apresentar alterações degenerativas.
Hoje sabemos que o termo “epicondilite” é, em muitos casos, inadequado. O sufixo “-ite” sugere um processo inflamatório predominante, porém estudos histopatológicos demonstram que, na maioria dos pacientes crônicos, o quadro é caracterizado por:
- desorganização das fibras de colágeno;
- aumento da matriz extracelular;
- neovascularização;
- hiperplasia angiofibroblástica;
- alterações celulares compatíveis com tendinopatia degenerativa.
Esse entendimento modificou profundamente a forma de tratar a doença. Em vez de focar exclusivamente em medidas anti-inflamatórias, a reabilitação passou a priorizar estratégias que estimulem remodelação tendínea e recuperação funcional.

Por que existe a impressão de que os exercícios pioram o cotovelo de tenista?
A resposta está relacionada à própria fisiologia da dor.
Durante a realização de exercícios terapêuticos, especialmente nas primeiras semanas, é esperado que parte dos pacientes apresente aumento transitório do desconforto. Isso não significa necessariamente piora estrutural do tendão. Essa é uma das principais razões pelas quais muitos pacientes acreditam, de forma equivocada, que os exercícios pioram o cotovelo de tenista.
Os tendões possuem metabolismo relativamente lento e apresentam adaptação progressiva às cargas mecânicas. Quando um tecido previamente descondicionado volta a receber estímulos, ocorre um período inicial de resposta biológica que pode ser acompanhado de dor leve ou moderada, inclusive durante a reabilitação do cotovelo de tenista.
Esse fenômeno é observado também em outras tendinopatias, como:
- tendinopatia do tendão de Aquiles;
- tendinopatia patelar;
- tendinopatia do manguito rotador;
- tendinopatia glútea.
Portanto, interpretar qualquer aumento de dor durante os exercícios como um agravamento do cotovelo de tenista é um erro relativamente comum. Em muitos casos, essa resposta faz parte da adaptação inicial do tendão às cargas mecânicas e não representa, por si só, uma piora da lesão.
No tratamento do cotovelo de tenista, o desafio clínico consiste em diferenciar uma resposta fisiológica esperada de uma sobrecarga excessiva.
É justamente essa interpretação que separa uma conduta baseada apenas na experiência de uma decisão sustentada pela fisiologia e pelas evidências científicas. Se você deseja aprofundar esse raciocínio e aplicá-lo com mais segurança no consultório, vale conhecer o curso A Medicina do Esporte que Todo Médico Precisa Saber, onde esse tipo de tomada de decisão clínica é discutido de forma prática e baseada na literatura.
O que acontece dentro do tendão durante o exercício no cotovelo de tenista?
O tecido tendíneo responde continuamente aos estímulos mecânicos. Essa capacidade de adaptação é um dos motivos pelos quais o exercício terapêutico desempenha um papel tão importante na recuperação do cotovelo de tenista.
Quando submetido a cargas adequadas, ocorre ativação de mecanorreceptores capazes de modular a atividade dos tenócitos. Essas células aumentam a síntese de colágeno, reorganizam parte da matriz extracelular e promovem adaptações que melhoram a capacidade do tendão suportar esforços futuros.
Esse processo depende de diversos fatores:
- intensidade da carga;
- frequência semanal;
- tempo sob tensão;
- intervalo de recuperação;
- estágio clínico da tendinopatia;
- capacidade funcional individual.
Na ausência de estímulo mecânico suficiente, o tendão tende a perder capacidade funcional.
Por outro lado, cargas excessivas ou progressões muito rápidas podem ultrapassar a capacidade adaptativa do tecido, gerando piora clínica, especialmente em pacientes com cotovelo de tenista que ainda apresentam baixa tolerância à carga.
Essa relação é conhecida como modelo de equilíbrio entre carga aplicada e capacidade do tendão.
Em outras palavras, o problema raramente é o exercício em si. O problema costuma ser a dose. Quando a carga é individualizada e ajustada de acordo com a evolução clínica, o exercício deixa de ser um fator de risco e passa a ser um dos principais aliados no tratamento do cotovelo de tenista.
O que dizem as evidências científicas sobre o cotovelo de tenista?
Nos últimos anos, houve uma mudança importante na abordagem terapêutica do cotovelo de tenista. À medida que a compreensão sobre a fisiopatologia da tendinopatia evoluiu, também mudaram as estratégias utilizadas para o seu tratamento.
Durante muito tempo acreditou-se que repouso, anti-inflamatórios e infiltrações representavam as principais estratégias terapêuticas. Hoje, entretanto, as revisões sistemáticas demonstram que intervenções passivas isoladas apresentam benefícios limitados, especialmente no médio e longo prazo para pacientes com cotovelo de tenista.
Uma revisão sistemática com metanálise publicada no British Journal of Sports Medicine avaliou mais de dois mil pacientes distribuídos em trinta estudos clínicos. Os autores observaram que programas de exercícios produziram melhores resultados do que intervenções exclusivamente passivas, embora o tamanho do efeito tenha sido considerado pequeno a moderado.
Esse achado é particularmente importante porque reforça um conceito essencial: exercícios não são uma solução milagrosa, mas representam um componente central da reabilitação quando prescritos adequadamente.
Da mesma forma, a revisão publicada no New England Journal of Medicine, por Wolf (2023), destaca que o manejo contemporâneo do cotovelo de tenista deve priorizar educação do paciente, modificação temporária da carga e programas estruturados de fortalecimento, evitando a dependência exclusiva de terapias passivas.
Em conjunto, essas evidências sugerem que o objetivo do tratamento do cotovelo de tenista não deve ser eliminar completamente qualquer desconforto durante a reabilitação, mas permitir que o tendão seja progressivamente exposto a cargas compatíveis com sua capacidade adaptativa.
Exercícios podem aumentar a dor?
Sim.
Mas isso não significa, obrigatoriamente, que estejam piorando a doença.
A maioria dos protocolos modernos de reabilitação aceita um nível leve de desconforto durante a execução dos exercícios, desde que:
- a dor permaneça tolerável;
- não haja perda importante de função;
- os sintomas retornem ao nível basal em aproximadamente 24 horas;
- não exista piora progressiva ao longo das semanas.
Esse conceito vem sendo utilizado em diversas tendinopatias e ajuda o profissional a evitar tanto o excesso de proteção quanto a exposição exagerada à carga.
Em outras palavras, existe uma diferença importante entre dor aceitável e dor indicativa de sobrecarga.
Essa distinção exige avaliação clínica individualizada e acompanhamento periódico da resposta ao tratamento.
Na prática, muitos erros de prescrição acontecem porque o profissional conhece os exercícios, mas não domina os princípios de adaptação biológica dos tecidos.
É justamente essa integração entre fisiologia, biomecânica e medicina baseada em evidências que é aprofundada no curso A Medicina do Esporte que Todo Médico Precisa Saber.
Quais exercícios podem piorar o cotovelo de tenista?
A resposta curta é:
não é o exercício em si que piora o cotovelo de tenista, mas a forma como ele é prescrito.
Essa é uma diferença fundamental que precisa ser explicada ao paciente logo na primeira consulta. Muitos chegam ao consultório acreditando que qualquer movimento representa um risco para o tendão, enquanto outros fazem o extremo oposto e continuam treinando normalmente, ignorando a dor. Ambos os comportamentos podem dificultar a recuperação.
Na prática clínica, alguns erros são responsáveis pela maior parte dos casos em que o paciente relata piora após iniciar a fisioterapia ou um programa de fortalecimento.
1. Progressão muito rápida da carga
O tendão necessita de tempo para se adaptar aos estímulos mecânicos. Quando o aumento de carga ocorre de maneira acelerada, a capacidade adaptativa do tecido é ultrapassada.
Isso pode acontecer quando o paciente:
- aumenta peso semanalmente sem critérios;
- realiza número excessivo de séries;
- associa fortalecimento com atividades esportivas intensas;
- retorna precocemente ao esporte.
O resultado costuma ser aumento da dor, redução da força de preensão e piora funcional.
2. Volume inadequado
Outro erro frequente é imaginar que mais exercícios produzem melhores resultados.
Entretanto, existe um limite fisiológico para a recuperação tendínea.
Sessões muito longas ou repetidas diversas vezes ao dia aumentam a carga total aplicada ao tendão, dificultando o processo de remodelação.
3. Ausência de individualização
Cada paciente apresenta características próprias.
Idade, profissão, esporte praticado, estágio da tendinopatia, força muscular, tolerância à dor e capacidade funcional influenciam diretamente na prescrição.
Por esse motivo, protocolos rígidos nem sempre apresentam os melhores resultados.
O exercício deve ser adaptado ao indivíduo, e não o contrário.
Existe um tipo de exercício considerado melhor para o cotovelo de tenista?
A literatura ainda não aponta um protocolo único considerado superior para o tratamento do cotovelo de tenista.
Entretanto, existe consenso de que programas estruturados envolvendo fortalecimento progressivo apresentam os melhores resultados disponíveis atualmente.
Os principais componentes incluem:
- exercícios isométricos;
- fortalecimento isotônico;
- fortalecimento excêntrico;
- fortalecimento concêntrico;
- exercícios funcionais;
- treinamento da cadeia cinética;
- reeducação das demandas ocupacionais e esportivas.
Mais importante do que escolher um único método é compreender como essas estratégias podem ser combinadas ao longo da evolução clínica e adaptadas às necessidades de cada paciente.
Pacientes muito sintomáticos podem iniciar com exercícios de baixa carga e evoluir progressivamente conforme apresentam melhora funcional. No cotovelo de tenista, essa progressão deve respeitar a tolerância individual à carga, favorecendo a recuperação do tendão sem aumentar o risco de sobrecarga.
O que mostrou a revisão sistemática do British Journal of Sports Medicine?
A revisão sistemática publicada por Karanasios e colaboradores representa uma das sínteses mais completas sobre exercícios na epicondilalgia lateral.
Foram analisados 30 estudos envolvendo mais de 2.100 participantes.
Os autores compararam diferentes modalidades terapêuticas, incluindo:
- exercícios terapêuticos;
- terapia manual;
- eletroterapia;
- ultrassom;
- laser;
- intervenções passivas.
O principal resultado foi que programas contendo exercícios produziram melhores desfechos clínicos do que intervenções exclusivamente passivas.
Entretanto, os pesquisadores também destacam um aspecto importante: a magnitude do benefício foi relativamente pequena.
Esse dado merece atenção.
Na prática clínica, isso significa que os exercícios fazem parte do tratamento, mas dificilmente serão suficientes quando utilizados isoladamente.
Educação do paciente, controle de carga, orientação ergonômica, adesão ao tratamento e acompanhamento longitudinal continuam sendo componentes essenciais.
Outro aspecto interessante é que diferentes protocolos de fortalecimento apresentaram resultados semelhantes, sugerindo que fatores como aderência, progressão adequada e supervisão provavelmente exercem influência maior do que a escolha de um exercício específico.
O que diz a revisão Cochrane?
A revisão da Cochrane reforça uma mensagem bastante consistente com a literatura mais recente sobre o tratamento do cotovelo de tenista.
As evidências sugerem que programas envolvendo terapia manual associada a exercícios podem promover melhora da dor e da função em alguns pacientes, porém a qualidade geral da evidência ainda varia entre baixa e moderada.
Isso ocorre porque muitos estudos apresentam limitações metodológicas importantes, como:
- pequeno número de participantes;
- protocolos bastante diferentes entre si;
- acompanhamento curto;
- diferenças nos critérios diagnósticos;
- heterogeneidade dos programas de exercícios.
Em outras palavras, ainda não existe um protocolo considerado padrão-ouro para todos os pacientes com cotovelo de tenista.
Essa conclusão é extremamente relevante para a prática clínica, pois evita interpretações simplistas do tipo:
- “este exercício cura”;
- “aquele exercício não funciona”;
- “todo paciente deve seguir exatamente o mesmo protocolo”.
Na realidade, a Medicina Baseada em Evidências aponta para uma abordagem individualizada, considerando as preferências do paciente, sua capacidade funcional e sua resposta ao tratamento.
Na Medicina do Esporte, compreender um artigo científico vai muito além de decorar conclusões.
É necessário interpretar tamanho de efeito, qualidade metodológica, risco de viés e aplicabilidade clínica.
Esses conceitos fazem parte da formação oferecida no curso A Medicina do Esporte que Todo Médico Precisa Saber, permitindo transformar evidências em decisões clínicas mais seguras.
Exercícios devem provocar dor?
Essa talvez seja a pergunta mais importante para quem atende pacientes com tendinopatias, especialmente pacientes com cotovelo de tenista.
A resposta atual é: uma pequena quantidade de dor pode ser aceitável durante o processo de reabilitação do cotovelo de tenista, desde que seja monitorada e não esteja associada à piora funcional.
Diversos protocolos utilizam escalas numéricas de dor para monitorar a resposta ao exercício em pacientes com cotovelo de tenista, permitindo ajustar a carga de forma segura ao longo da recuperação.
De forma geral, considera-se aceitável quando:
- o desconforto permanece leve ou moderado;
- não ocorre piora importante nas atividades diárias;
- a dor retorna ao nível habitual em até 24 horas;
- há melhora funcional progressiva nas semanas seguintes.
Já situações como dor intensa persistente, perda de força crescente, limitação funcional importante ou piora contínua indicam necessidade de reavaliar a carga prescrita e revisar a estratégia de tratamento do cotovelo de tenista.
Isso reforça que o acompanhamento periódico é tão importante quanto a escolha dos exercícios, permitindo adequar a prescrição de acordo com a evolução clínica de cada paciente.
Erros comuns durante o tratamento
Mesmo com o avanço das evidências, alguns equívocos continuam sendo observados na prática clínica.
Prescrever repouso absoluto
A ausência completa de estímulo mecânico pode reduzir a capacidade funcional do tendão e retardar a recuperação.
Utilizar infiltrações como única estratégia
Embora possam proporcionar alívio temporário da dor em alguns pacientes, infiltrações não substituem programas de reabilitação ativos e não modificam, isoladamente, a capacidade mecânica do tendão.
Ignorar fatores biomecânicos
Alterações de técnica esportiva, ergonomia ocupacional, força do ombro, controle escapular e mobilidade cervical podem contribuir para manutenção da sobrecarga local.
Basear a evolução apenas na dor
O sucesso terapêutico deve considerar também:
- função;
- retorno às atividades;
- força de preensão;
- capacidade laboral;
- desempenho esportivo;
- satisfação do paciente.
Avaliar exclusivamente a intensidade da dor pode levar tanto ao excesso de proteção quanto à progressão precoce da carga.

Como orientar o paciente durante a recuperação?
Além da prescrição de exercícios, um dos papéis mais importantes do médico é alinhar expectativas. Muitos pacientes com cotovelo de tenista procuram atendimento esperando uma solução imediata para a dor, especialmente quando a limitação interfere no trabalho, no esporte ou nas atividades da vida diária.
No entanto, a epicondilalgia lateral é uma condição cujo processo de recuperação costuma ser gradual. A remodelação do tendão depende da exposição progressiva à carga e da resposta biológica individual, o que significa que a melhora clínica nem sempre acompanha o mesmo ritmo da melhora estrutural.
Por isso, algumas orientações devem fazer parte da consulta:
- explicar que algum desconforto durante os exercícios pode ser esperado;
- orientar que o objetivo não é eliminar completamente qualquer dor nas primeiras semanas;
- reforçar a importância da adesão ao programa de reabilitação;
- evitar mudanças bruscas na carga esportiva ou ocupacional;
- incentivar o acompanhamento periódico para ajuste da prescrição.
Quando o paciente compreende o motivo pelo qual está realizando determinado exercício no tratamento do cotovelo de tenista, a adesão costuma ser significativamente maior.
Essa capacidade de transformar conceitos complexos em orientações claras faz diferença não apenas na adesão ao tratamento, mas também na confiança que o paciente deposita no médico. Se você busca desenvolver esse tipo de raciocínio clínico e comunicação baseada em evidências, conheça o curso A Medicina do Esporte que Todo Médico Precisa Saber, criado para aproximar a ciência da prática diária no consultório.
Quando suspeitar de outro diagnóstico?
Embora a epicondilalgia lateral seja uma das principais causas de dor na face lateral do cotovelo, ela não é a única.
Uma avaliação criteriosa deve afastar outras condições que podem apresentar sintomas semelhantes, como:
- síndrome do túnel radial;
- compressão do nervo interósseo posterior;
- osteoartrose do cotovelo;
- lesões osteocondrais;
- instabilidade ligamentar lateral;
- dor referida da coluna cervical;
- lesões do complexo ligamentar colateral lateral.
A presença de déficit neurológico, dor desproporcional, bloqueios articulares, história de trauma significativo ou ausência completa de resposta ao tratamento conservador exige investigação complementar e, em alguns casos, encaminhamento para avaliação especializada.
Essa abordagem evita tratar como tendinopatia um quadro cuja origem seja completamente diferente.
Limitações das evidências atuais
Apesar do grande número de estudos publicados nos últimos anos, ainda existem limitações importantes na literatura.
Entre elas destacam-se:
- grande variabilidade dos protocolos de exercícios;
- diferenças na intensidade e duração dos programas de reabilitação;
- heterogeneidade dos critérios diagnósticos;
- dificuldade em padronizar intervenções fisioterapêuticas;
- seguimentos relativamente curtos em parte dos estudos.
Além disso, muitos trabalhos utilizam desfechos distintos, dificultando comparações diretas entre protocolos.
Por esse motivo, afirmar que existe um exercício “ideal” ou um único tratamento capaz de resolver todos os casos não encontra respaldo científico.
A tendência atual é combinar a melhor evidência disponível com a experiência clínica do profissional e as preferências do paciente, conceito que representa a essência da Medicina Baseada em Evidências.
Desenvolver esse equilíbrio é um processo contínuo. Quanto maior a capacidade de interpretar a literatura científica e adaptá-la à realidade de cada paciente, mais seguras e consistentes se tornam as decisões clínicas. Se esse também é o caminho que você busca para a sua prática, vale conhecer o curso A Medicina do Esporte que Todo Médico Precisa Saber, onde esses princípios são discutidos de forma prática e aplicável ao consultório.
Como agir no consultório?
Uma maneira prática de estruturar o atendimento ao paciente com cotovelo de tenista é seguir uma sequência lógica de raciocínio clínico.
1. Confirmar o diagnóstico
Realize anamnese detalhada, exame físico direcionado e identifique fatores ocupacionais ou esportivos relacionados ao surgimento da dor.
Nem toda dor lateral do cotovelo corresponde ao cotovelo de tenista. Por isso, é fundamental realizar um diagnóstico diferencial cuidadoso antes de definir a conduta.
2. Avaliar fatores de sobrecarga
Investigue:
- volume de treino;
- técnica esportiva;
- mudanças recentes na rotina;
- atividades profissionais repetitivas;
- ergonomia do posto de trabalho;
- histórico de lesões prévias.
Muitas vezes, pequenas modificações na exposição à carga são suficientes para reduzir significativamente os sintomas do cotovelo de tenista e favorecer uma recuperação mais consistente.
3. Educar o paciente
Explique a fisiopatologia da doença em linguagem acessível.
Pacientes bem orientados apresentam maior adesão ao tratamento e menor probabilidade de abandonar o programa de exercícios nas primeiras semanas, o que é fundamental para a evolução do cotovelo de tenista.
4. Prescrever exercícios progressivos
A carga deve respeitar a fase clínica da doença.
A progressão não deve seguir apenas um cronograma fixo, mas principalmente a resposta funcional do paciente.
5. Reavaliar periodicamente
Força, função, dor, retorno ao trabalho e retorno ao esporte devem ser monitorados ao longo do tratamento.
A ausência de evolução clínica exige revisão diagnóstica e reavaliação da estratégia terapêutica.
Resumo prático
Respondendo à pergunta que motivou este artigo:
Os exercícios pioram o cotovelo de tenista?
Na maioria dos casos, não.
O que pode piorar o quadro é uma prescrição inadequada, caracterizada por excesso de carga, progressão acelerada, falta de individualização ou ausência de acompanhamento.
As melhores evidências científicas disponíveis indicam que programas estruturados de exercícios fazem parte do tratamento da epicondilalgia lateral e apresentam resultados superiores às intervenções exclusivamente passivas, embora seus efeitos devam ser interpretados dentro do contexto clínico de cada paciente.
Portanto, a pergunta correta talvez não seja se o exercício piora o cotovelo de tenista, mas sim:
o exercício está sendo prescrito da maneira correta para aquele paciente?
Essa mudança de perspectiva representa um dos principais avanços na abordagem moderna das tendinopatias.
A Medicina do Esporte evolui rapidamente, e acompanhar as melhores evidências exige muito mais do que conhecer protocolos prontos.
É necessário compreender fisiologia, adaptação ao exercício, interpretação crítica da literatura científica e raciocínio clínico para tomar decisões seguras diante de cada paciente.
Esses temas são abordados de forma aprofundada no curso A Medicina do Esporte que Todo Médico Precisa Saber, desenvolvido para médicos que desejam aplicar a Medicina Baseada em Evidências na prática diária.
Conclusão
A pergunta “os exercícios pioram o cotovelo de tenista?” não pode ser respondida com um simples “sim” ou “não”. As evidências mostram que, quando bem indicados e progressivamente ajustados, os exercícios são um dos principais pilares do tratamento da epicondilalgia lateral. O que realmente influencia os resultados é a capacidade do profissional de compreender a fisiologia da adaptação tendínea, controlar a carga aplicada e individualizar a reabilitação de acordo com a resposta clínica de cada paciente.
Na prática, isso exige um raciocínio que vai além de protocolos prontos. Interpretar as evidências, entender quando progredir ou reduzir a carga e orientar o paciente de forma adequada são habilidades que fazem diferença nos desfechos clínicos e na confiança construída durante o tratamento.
Se você deseja aprofundar esse olhar baseado em evidências e aplicar esses conceitos com mais segurança no consultório, conheça o curso A Medicina do Esporte que Todo Médico Precisa Saber. Nele, você aprenderá a integrar ciência, fisiologia e prática clínica para conduzir seus pacientes com muito mais confiança.
Referências
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