A utilização do PRP no joelho tornou-se uma das principais estratégias da medicina regenerativa aplicada à Ortopedia e Medicina do Esporte. Nos últimos anos, o crescente número de estudos publicados despertou o interesse de médicos e pacientes, especialmente diante da busca por tratamentos menos invasivos para osteoartrite, lesões condrais, tendinopatias e algumas lesões ligamentares.
Entretanto, apesar da popularização do método, ainda existe um grande desafio: nem todo PRP é igual e nem toda lesão do joelho apresenta benefício com essa terapia. A heterogeneidade dos protocolos de preparo, da concentração plaquetária, da presença ou ausência de leucócitos e da própria seleção dos pacientes explica boa parte da divergência encontrada na literatura científica.
Nesse cenário, o médico precisa compreender muito mais do que a técnica de infiltração. É fundamental entender a fisiopatologia da lesão, os mecanismos biológicos do plasma rico em plaquetas e, principalmente, quais evidências sustentam sua indicação na prática clínica.
Se você deseja aprofundar esse raciocínio clínico e aprender a integrar terapias regenerativas dentro de uma abordagem completa da Medicina do Esporte, conheça o curso A Medicina do Esporte que Todo Médico Precisa Saber.

O que é o PRP?
O Plasma Rico em Plaquetas (PRP) consiste em um concentrado autólogo obtido a partir do sangue periférico do próprio paciente, submetido a um processo de centrifugação capaz de aumentar significativamente a concentração de plaquetas em relação ao sangue total.
Embora frequentemente seja descrito apenas como um concentrado plaquetário, essa definição é simplificada. O PRP representa um verdadeiro reservatório biológico de proteínas bioativas envolvidas na modulação da inflamação, angiogênese, quimiotaxia celular e regeneração tecidual.
Após sua ativação, as plaquetas liberam o conteúdo dos grânulos alfa, que contém diversos fatores de crescimento, entre eles:
- Platelet-Derived Growth Factor (PDGF);
- Transforming Growth Factor Beta (TGF-β);
- Vascular Endothelial Growth Factor (VEGF);
- Insulin-like Growth Factor (IGF-1);
- Epidermal Growth Factor (EGF);
- Fibroblast Growth Factor (FGF).
Essas moléculas atuam estimulando proliferação celular, recrutamento de células progenitoras, síntese de matriz extracelular e remodelamento tecidual.
Segundo Sheean, Anz e Bradley (2021), compreender esses mecanismos é essencial para evitar a interpretação equivocada de que o PRP “regenera qualquer tecido”. Na realidade, trata-se de uma terapia biológica cuja resposta depende diretamente do ambiente inflamatório, do tipo de tecido lesionado e do estágio evolutivo da doença.
Medicina regenerativa não significa regeneração completa
Esse é um dos conceitos mais importantes para o médico que pretende utilizar o PRP.
Apesar do nome “medicina regenerativa”, a literatura científica não demonstra que o PRP seja capaz de reconstruir completamente cartilagens degeneradas ou substituir tecidos gravemente lesionados.
Na maioria das situações clínicas, seu papel está relacionado à modulação do microambiente inflamatório, redução da dor e melhora funcional.
Em pacientes com osteoartrite inicial ou moderada, por exemplo, acredita-se que o PRP atue reduzindo mediadores inflamatórios presentes na sinóvia e favorecendo um ambiente menos catabólico para os condrócitos.
Ou seja, o principal benefício observado é funcional, e não necessariamente estrutural.
Essa diferenciação deve fazer parte da conversa com o paciente durante a consulta, reduzindo expectativas irreais e aumentando a adesão ao tratamento.

Por que existe tanta divergência entre os estudos?
Um dos maiores problemas da literatura envolvendo PRP no joelho é a enorme variabilidade metodológica.
Dois estudos que afirmam utilizar “PRP” podem, na prática, estar avaliando produtos completamente diferentes.
As principais diferenças envolvem:
- número de centrifugações;
- concentração final de plaquetas;
- presença de leucócitos;
- método de ativação;
- volume infiltrado;
- número de aplicações;
- intervalo entre aplicações;
- classificação utilizada.
Essa falta de padronização dificulta a comparação direta entre ensaios clínicos e meta-análises.
Sheean et al. (2021) destacam que a padronização dos protocolos representa um dos maiores desafios atuais da medicina regenerativa, sendo um dos principais fatores responsáveis pela inconsistência dos resultados publicados.
Em outras palavras, muitas vezes não estamos comparando “PRP versus placebo”, mas sim diferentes tipos de PRP entre si.
A importância da classificação do PRP
Outro ponto frequentemente negligenciado é que o termo “PRP” engloba preparações biologicamente distintas.
Hoje existem sistemas de classificação que consideram variáveis como:
- concentração plaquetária;
- quantidade de leucócitos;
- presença de hemácias;
- volume final;
- método de ativação.
Na prática clínica, uma das diferenças mais discutidas envolve o uso de:
- PRP rico em leucócitos (LR-PRP);
- PRP pobre em leucócitos (LP-PRP).
Enquanto algumas aplicações tendíneas parecem tolerar melhor preparações leucocitárias, infiltrações intra-articulares frequentemente apresentam melhores resultados utilizando formulações pobres em leucócitos, devido ao menor potencial pró-inflamatório.
Embora ainda não exista consenso absoluto, essa diferenciação vem sendo cada vez mais considerada na interpretação crítica da literatura.
O PRP funciona em todas as doenças do joelho?
Essa talvez seja a pergunta mais importante para o médico.
A resposta é simples:
Não.
O benefício depende de fatores como:
- diagnóstico correto;
- gravidade da lesão;
- idade do paciente;
- ambiente biológico local;
- objetivos terapêuticos;
- associação com reabilitação.
É justamente por isso que a decisão não deve ser baseada apenas no exame de imagem.
Uma ressonância magnética mostrando degeneração condral, por exemplo, não determina automaticamente indicação de PRP.
O raciocínio clínico continua sendo o elemento central da decisão terapêutica.
Na prática, a indicação correta do PRP depende muito mais do conhecimento do médico do que da disponibilidade da tecnologia.
Esse é justamente um dos pilares abordados no curso A Medicina do Esporte que Todo Médico Precisa Saber, que integra fisiologia, biomecânica, terapias injetáveis e tomada de decisão baseada em evidências.
O que dizem as evidências atuais?
A literatura sobre PRP cresceu exponencialmente na última década, mas a qualidade metodológica dos estudos ainda apresenta limitações importantes.
Uma revisão publicada por Chen et al. (2018) demonstrou que o PRP apresenta resultados mais consistentes em algumas condições envolvendo tendões e ligamentos, especialmente quando comparado a tratamentos convencionais em populações bem selecionadas. Entretanto, os autores também destacam o elevado risco de viés e a heterogeneidade entre protocolos, reforçando que os benefícios não podem ser generalizados para todas as lesões.
No contexto específico do joelho, a tendência observada nas revisões mais recentes é de benefício principalmente em pacientes com osteoartrite leve a moderada, especialmente quando comparado ao ácido hialurônico em determinados desfechos clínicos de dor e função. Ainda assim, esses resultados devem ser interpretados à luz da variabilidade das preparações de PRP e das diferenças entre os estudos disponíveis.
Além disso, antes de indicar o procedimento, é recomendável que o médico compreenda os fundamentos biológicos da terapia. Para uma visão mais ampla sobre esse tema, vale consultar o artigo da MedEsporte Papers sobre PRP na Medicina Regenerativa Esportiva, que complementa os conceitos gerais e ajuda a contextualizar o uso dessa estratégia em diferentes cenários clínicos.
PRP no Joelho: o que as evidências realmente demonstram?
Após compreender os fundamentos biológicos do PRP no joelho, surge a pergunta mais importante para o médico: em quais situações essa terapia realmente apresenta benefício clínico?
Embora o entusiasmo em torno da medicina regenerativa tenha impulsionado um crescimento expressivo das aplicações do PRP, as evidências demonstram que seus resultados variam conforme a doença tratada, o estágio da lesão, o protocolo utilizado e, principalmente, a seleção adequada do paciente.
Nesse contexto, o papel do médico não é apenas dominar a técnica de infiltração, mas interpretar criticamente a literatura científica para indicar o tratamento no paciente certo, no momento adequado.

PRP na osteoartrite do joelho
A osteoartrite (OA) representa, atualmente, a condição com maior volume de evidências envolvendo o uso do PRP.
Durante muitos anos, acreditou-se que a infiltração de PRP pudesse regenerar a cartilagem articular. Hoje sabemos que essa hipótese não é sustentada pelas melhores evidências disponíveis.
Os benefícios observados parecem decorrer principalmente da modulação da inflamação sinovial, redução de citocinas pró-inflamatórias e melhora do ambiente biológico intra-articular, favorecendo a homeostase da articulação.
Entre os possíveis mecanismos envolvidos destacam-se:
- redução da atividade de IL-1β e TNF-α;
- estímulo à produção de ácido hialurônico pelos sinoviócitos;
- modulação da resposta inflamatória local;
- redução da degradação da matriz cartilaginosa;
- estímulo indireto à atividade dos condrócitos.
Na prática clínica, isso se traduz principalmente em:
- redução da dor;
- melhora da função;
- aumento da capacidade para atividade física;
- possível redução do consumo de analgésicos.
É importante ressaltar que esses efeitos costumam ser mais evidentes em pacientes com osteoartrite leve ou moderada (Kellgren-Lawrence I a III).
Nos casos avançados, especialmente com deformidade importante, perda completa do espaço articular ou desalinhamentos significativos, os resultados tendem a ser bastante inferiores.

O PRP substitui a artroplastia?
Essa é uma dúvida frequente dos pacientes.
A resposta é não.
O PRP não deve ser interpretado como alternativa definitiva para pacientes com indicação cirúrgica consolidada.
Seu principal papel é atuar em indivíduos que:
- apresentam dor persistente;
- possuem OA inicial ou moderada;
- desejam retardar procedimentos mais invasivos;
- não obtiveram resposta satisfatória ao tratamento conservador convencional.
Criar a expectativa de que o PRP evitará uma artroplastia em qualquer paciente representa uma promessa incompatível com a literatura científica.
Essa transparência durante a consulta fortalece a relação médico-paciente e reduz frustrações futuras.
PRP nas lesões condrais
As lesões focais da cartilagem representam outro cenário de interesse para o uso do PRP.
Entretanto, diferentemente do imaginário popular, o objetivo não é reconstruir automaticamente a cartilagem lesionada.
O PRP pode contribuir para:
- melhora do ambiente biológico;
- redução da inflamação intra-articular;
- diminuição da dor;
- auxílio na recuperação funcional.
Em alguns protocolos, o PRP também é utilizado como terapia adjuvante após procedimentos como:
- microfraturas;
- mosaicoplastia;
- transplante osteocondral;
- implantação de condrócitos.
Nessas situações, acredita-se que a modulação biológica favoreça o processo reparativo, embora ainda existam limitações importantes na qualidade da evidência.
E nas lesões meniscais?
As lesões degenerativas do menisco frequentemente despertam interesse quanto ao uso do PRP.
No entanto, a literatura permanece inconclusiva.
Alguns estudos sugerem melhora clínica quando associado ao tratamento conservador ou utilizado como adjuvante durante o reparo meniscal.
Por outro lado, ainda não existe evidência robusta para recomendar seu uso rotineiro em todas as lesões meniscais.
Mais uma vez, a individualização do tratamento torna-se fundamental.
PRP nas tendinopatias ao redor do joelho
A ação do PRP parece ser mais consistente quando falamos em algumas doenças tendíneas.
A revisão sistemática publicada por Chen et al. (2018) demonstrou que o plasma rico em plaquetas pode apresentar benefício em determinadas tendinopatias, especialmente quando comparado a tratamentos convencionais em populações selecionadas.
No joelho, as principais indicações estudadas incluem:
- tendinopatia patelar;
- tendinopatia do quadríceps;
- lesões insercionais.
Os mecanismos propostos incluem:
- estímulo à proliferação dos tenócitos;
- aumento da síntese de colágeno;
- reorganização da matriz extracelular;
- modulação da inflamação local.
Ainda assim, os autores destacam que a heterogeneidade dos estudos impede conclusões definitivas sobre protocolos ideais.
Isso reforça que o PRP deve ser interpretado como parte de uma estratégia terapêutica mais ampla — e não como tratamento isolado.
A reabilitação continua sendo indispensável
Um dos erros mais comuns observados na prática clínica é imaginar que a infiltração, sozinha, resolverá o problema.
Independentemente da indicação, praticamente todos os estudos que demonstram resultados favoráveis associam o PRP a um programa estruturado de reabilitação.
Isso inclui:
- fortalecimento muscular;
- exercícios terapêuticos;
- controle da carga mecânica;
- correção biomecânica;
- retorno progressivo às atividades.
Sem essa abordagem integrada, o potencial biológico do PRP torna-se significativamente menor.
Em outras palavras, o PRP não substitui a fisioterapia, mas pode potencializar seus resultados quando utilizado em pacientes adequadamente selecionados.
É exatamente esse raciocínio clínico integrado — unindo diagnóstico, medicina regenerativa, biomecânica e prescrição de exercício — que diferencia o especialista moderno.
No curso A Medicina do Esporte que Todo Médico Precisa Saber, você aprende quando indicar terapias injetáveis, quando evitá-las e como construir um plano terapêutico baseado em evidências, e não apenas em tendências do mercado.
Quais pacientes apresentam melhores resultados?
Embora não exista uma regra absoluta, alguns fatores parecem estar associados a melhores respostas clínicas.
Entre eles:
- idade mais jovem;
- osteoartrite inicial ou moderada;
- ausência de deformidades importantes;
- menor grau de degeneração cartilaginosa;
- boa adesão ao tratamento fisioterápico;
- controle adequado do peso corporal;
- prática regular de atividade física supervisionada.
Em contrapartida, pacientes com artrose avançada, obesidade grave, desalinhamentos importantes ou doenças inflamatórias sistêmicas tendem a apresentar respostas menos previsíveis.
Essa seleção criteriosa talvez seja um dos fatores que mais influenciam o sucesso clínico.
Limitações atuais da literatura
Apesar do grande número de publicações, ainda existem importantes limitações metodológicas.
As principais incluem:
- diferentes sistemas de preparo do PRP;
- ausência de padronização na concentração plaquetária;
- variação da quantidade de leucócitos;
- protocolos distintos de infiltração;
- diferentes intervalos entre aplicações;
- pequeno número de pacientes em muitos estudos;
- curto tempo de seguimento.
Esses fatores dificultam a elaboração de recomendações universais.
Sheean, Anz e Bradley (2021) ressaltam que futuras pesquisas precisam utilizar sistemas padronizados de classificação do PRP para permitir comparações mais confiáveis entre os ensaios clínicos.
Erros mais comuns na indicação do PRP
Na prática diária, alguns equívocos ainda são frequentes.
Entre eles:
❌ Indicar PRP apenas porque a ressonância mostra desgaste.
A decisão deve ser clínica e não exclusivamente radiológica.
❌ Prometer regeneração completa da cartilagem.
Até o momento, essa afirmação não possui respaldo científico consistente.
❌ Ignorar fatores biomecânicos.
Sobrecarga mecânica persistente compromete qualquer estratégia regenerativa.
❌ Não associar fisioterapia.
O PRP potencializa um processo de reabilitação; ele não o substitui.
❌ Utilizar protocolos padronizados para todos os pacientes.
A medicina regenerativa deve ser individualizada.
Uma abordagem baseada em evidências
O entusiasmo com as terapias biológicas é compreensível, mas ele não pode substituir o raciocínio clínico.
A literatura atual indica que o PRP no joelho pode ser uma ferramenta valiosa quando utilizado em pacientes bem selecionados, associado a um plano de tratamento abrangente e respaldado por evidências científicas. Da mesma forma, reforça que ele não deve ser encarado como solução universal para qualquer dor no joelho.
Essa visão crítica é essencial para que o médico ofereça um tratamento ético, seguro e alinhado às melhores práticas da Medicina do Esporte. Conheça o curso A Medicina do Esporte que Todo Médico Precisa Saber.
Como incorporar o PRP na rotina do consultório?
Uma das principais vantagens do PRP no joelho é que sua utilização pode ser integrada ao tratamento conservador de forma relativamente simples, desde que exista uma seleção criteriosa do paciente e um protocolo bem estruturado. Entretanto, a decisão de indicar o procedimento não deve ser tomada apenas porque o paciente solicita uma terapia “mais moderna” ou porque exames de imagem evidenciam alterações degenerativas.
Na prática, a consulta deve começar por uma avaliação clínica completa, considerando:
- história detalhada da dor;
- tempo de evolução dos sintomas;
- impacto funcional;
- nível de atividade física;
- presença de doenças associadas;
- tratamentos prévios realizados;
- expectativa do paciente.
Somente após essa análise é possível definir se o PRP realmente fará parte da estratégia terapêutica.
Além disso, exames complementares devem ser utilizados como ferramentas de confirmação diagnóstica e planejamento, e não como único critério para indicação.
O paciente ideal para PRP no joelho
Embora não exista um perfil único, a literatura sugere melhores resultados em pacientes que apresentam:
✔ Osteoartrite leve ou moderada (Kellgren-Lawrence I–III);
✔ Lesões condrais focais;
✔ Tendinopatias refratárias ao tratamento convencional;
✔ Dor persistente apesar da fisioterapia;
✔ Boa expectativa funcional;
✔ Interesse em retardar procedimentos cirúrgicos, quando clinicamente apropriado.
Por outro lado, pacientes com artrose avançada, deformidades importantes do eixo mecânico, instabilidade significativa ou doenças inflamatórias sistêmicas podem apresentar respostas limitadas.
Essa diferenciação deve ser explicada durante a consulta para alinhar expectativas e facilitar a tomada de decisão compartilhada.
Como explicar o PRP ao paciente?
A comunicação é um dos fatores que mais influenciam a satisfação com o tratamento. O médico deve evitar tanto promessas exageradas quanto um discurso excessivamente técnico.
Uma explicação simples e baseada em evidências pode ser:
“O PRP utiliza componentes do seu próprio sangue para modular o processo inflamatório e favorecer um ambiente biológico mais adequado para a recuperação do tecido. Em alguns pacientes, isso pode reduzir a dor e melhorar a função do joelho, mas os resultados variam conforme o tipo e o estágio da lesão.”
Também é importante reforçar que:
- o procedimento não reconstrói automaticamente a cartilagem;
- a melhora costuma ser gradual;
- nem todos os pacientes respondem da mesma forma;
- a reabilitação continua sendo parte essencial do tratamento.
Esse tipo de abordagem fortalece a confiança na relação médico-paciente e reduz expectativas irreais.

Como agir no consultório: um roteiro prático
Na rotina da Medicina do Esporte, o uso do PRP deve seguir um fluxo organizado e baseado em critérios clínicos.
1. Confirme o diagnóstico
Antes de pensar na infiltração, tenha clareza sobre a origem da dor. Nem toda gonalgia está relacionada à cartilagem ou ao menisco. Alterações biomecânicas, fraqueza muscular e sobrecargas funcionais podem ser os verdadeiros responsáveis pelos sintomas.
2. Avalie as indicações
Pergunte-se:
- O paciente já realizou tratamento conservador adequado?
- Existe indicação baseada em evidências para essa condição?
- O estágio da doença favorece uma resposta ao PRP?
- Há contraindicações para o procedimento?
3. Discuta riscos e benefícios
Explique que o PRP é uma terapia biológica com potencial de melhora clínica, mas que os resultados dependem de diversos fatores individuais.
4. Associe um plano de reabilitação
Nenhuma infiltração substitui o fortalecimento muscular, a correção biomecânica e a progressão adequada das cargas.
5. Reavalie os desfechos
Após o tratamento, acompanhe:
- intensidade da dor;
- função articular;
- retorno ao esporte ou às atividades diárias;
- necessidade de novas intervenções.
Esse acompanhamento sistemático permite avaliar a resposta clínica e ajustar a estratégia terapêutica quando necessário.
A Medicina do Esporte moderna exige muito mais do que dominar técnicas de infiltração. Ela exige raciocínio clínico, conhecimento em fisiologia, biomecânica, interpretação crítica da literatura e capacidade de individualizar o tratamento.
Se você deseja desenvolver essas competências e aplicá-las com segurança no consultório, conheça o curso A Medicina do Esporte que Todo Médico Precisa Saber.
Perguntas frequentes
O PRP regenera a cartilagem do joelho?
As evidências atuais não demonstram regeneração completa da cartilagem. Os principais benefícios estão relacionados à modulação da inflamação, redução da dor e melhora funcional.
O PRP substitui a cirurgia?
Não. Em pacientes com indicação cirúrgica bem estabelecida, o PRP não deve ser encarado como substituto da cirurgia, mas pode ter papel em situações específicas e individualizadas.
Quantas aplicações são necessárias?
Não existe consenso. Os protocolos variam entre os estudos, com diferenças no número de aplicações, intervalo entre elas e tipo de PRP utilizado.
O PRP funciona para qualquer dor no joelho?
Não. O sucesso depende do diagnóstico correto, da seleção do paciente, da gravidade da lesão e da associação com um programa adequado de reabilitação.
O PRP é superior ao ácido hialurônico?
Algumas revisões sugerem vantagens do PRP em determinados pacientes com osteoartrite leve a moderada, especialmente em relação à melhora da dor e da função. No entanto, os resultados ainda variam conforme o protocolo utilizado e as características da população estudada.
Resumo prático
O PRP no joelho representa uma ferramenta promissora dentro da Medicina Regenerativa, mas seu uso deve ser pautado por critérios científicos e clínicos bem definidos. As evidências mais robustas concentram-se na osteoartrite leve a moderada e em algumas tendinopatias, enquanto outras indicações ainda necessitam de estudos de melhor qualidade.
O médico que domina os fundamentos biológicos do PRP, conhece suas limitações e integra essa terapia a um programa estruturado de reabilitação tem maior potencial para oferecer um tratamento seguro, ético e eficaz.
Mais do que acompanhar tendências, é fundamental construir decisões baseadas em evidências e individualizar a abordagem para cada paciente.
Conclusão
O interesse pelo PRP no joelho continuará crescendo à medida que novas pesquisas forem publicadas e os protocolos se tornarem mais padronizados. No entanto, a principal mensagem para a prática clínica permanece a mesma: o sucesso da terapia depende menos do material injetado e mais da qualidade da indicação.
Quando utilizado no paciente certo, para a condição adequada e dentro de um plano terapêutico abrangente, o PRP pode contribuir para reduzir sintomas, melhorar a função e ampliar as possibilidades do tratamento conservador. Por outro lado, sua utilização indiscriminada ou baseada em promessas de regeneração completa não encontra respaldo na literatura científica atual.
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